fbpx

Coluna Vitor Vogas

Quem é o deputado do ES aliado de Magno que quer ser senador pelo PL

Agora, entre um gole e outro de taurina, o Touro Indomável do PL no plenário da Assembleia dá asas ao projeto de chegar ao Senado Federal

Publicado

em

O deputado estadual Wellington Callegari no gabinete dele. Foto: Vitor Vogas

O deputado estadual Wellington Callegari no gabinete dele. Foto: Vitor Vogas

O deputado Wellington Callegari (PL) recebeu-me no gabinete dele na manhã da última quarta-feira (2). Nos quarenta minutos de conversa, sentado à sua mesa de trabalho, manteve o tempo todo uma das mãos repousadas sobre um exemplar da “Bíblia de Jerusalém”. Logo no início, jovialmente, ofereceu-me café e água, mas não me acompanhou nas duas bebidas. Pediu licença para tomar uma latinha de um conhecido energético, trazido por uma assessora e sorvido por ele aos poucos no decorrer da entrevista. Justificou-se: “Tomo isso sem parar”.

> Quer receber as principais notícias do ES360 no WhatsApp? Clique aqui e entre na nossa comunidade!

A combinação dos dois objetos – numa mão, o livro sagrado dos católicos; na outra, um copo de energético – é uma boa síntese do perfil parlamentar que o deputado de Cachoeiro de Itapemirim vem exibindo desde que chegou à Assembleia Legislativa do Espírito Santo, em 2023, para seu primeiro mandato. O deputado bolsonarista é profundamente conservador, como faz questão de se definir. E esse profundo conservadorismo (o termo “extremo” poderia se aplicar) se manifesta nos discursos, sempre muito enérgicos, realizados da tribuna.

Receba as notícias da coluna no grupo de Whatsapp do Vítor Vogas.

Opositor sistemático do governo Casagrande (PSB), Callegari é um dos mais assíduos frequentadores da tribuna no plenário. Com estridência e em alto volume, costuma fazer pronunciamentos contra o “governo socialista” e medidas associadas à esquerda e à “agenda progressista”, principalmente em questões ligadas aos costumes.

Com uma boa oratória, lapidada em seus muitos anos de magistério (inclusive em cursinhos pré-vestibulares), Callegari tem chamado a atenção nos últimos dois anos, num plenário em que a oposição escasseia e a grande maioria dos deputados prefere correr da tribuna (um Parlamento em que poucos, de fato, “parlam”).

A partir desse destaque alcançado, sobretudo dentro do PL e do segmento mais conservador, o fã do conhecido energético agora quer dar asas a um projeto mais ousado: “Sou pré-candidato ao Senado. Quero ser senador”, carimba Callegari.

Partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL pretende ter protagonismo na próxima eleição majoritária, no Brasil e no Espírito Santo. Dirigido no Estado pelo senador Magno Malta, o partido certamente terá candidato a senador. A decisão já está tomada. Resta saber quem será o concorrente ao Senado. Até pouco tempo atrás, a principal aposta de Magno e da direção partidária era o deputado federal Gilvan da Federal. Este, porém, mudou os planos e decidiu buscar a reeleição na Câmara. Abriu-se, assim, um vácuo pelo preenchimento da vaga na futura chapa.

Segundo a assessoria de Magno, há dois quadros hoje considerados internamente para essa missão. Um deles é o próprio Callegari. O outro é a publicitária Magda Malta, a Maguinha, uma das filhas de Magno e assessora parlamentar de Gilvan. Desse modo, o deputado tem hoje como principal “concorrente interna” ninguém menos que “a filha do chefe”, a quem, em última instância, caberá a palavra final sobre as candidaturas do PL no Estado. Callegari acredita, porém, ter plenas condições de convencer Magno e toda a militância de que é a aposta certeira, o conservador mais talhado para encarar a eleição ao Senado.

“Eu era candidato a deputado federal e sempre fui um defensor da candidatura do Gilvan. Só que o Gilvan já disse internamente que não pretende vir ao Senado. Essa é a questão. Ele seria o meu candidato natural, mas está se recolhendo por questões dele, porque está sendo muito perseguido, sofrendo processos judiciais descabidos. Então, diante disso, eu me apresento. Sim, temos também a filha do senador, que tem todo o direito também de pleitear a candidatura ao Senado. Quanto à minha viabilidade, acredito que, com a saída do Gilvan, a minha candidatura tem muitas chances de ser a candidatura do partido”, afirma o parlamentar.

> OAB-ES decide não pedir de volta a lista sêxtupla ao TJES. Saiba por quê

Ele enumera as razões que o levam a crer na própria viabilidade. A primeira é o excelente relacionamento pessoal cultivado ao longo dos anos com o próprio Magno Malta, marcado pela lealdade ao senador e ao PL. A convite de Magno, Callegari se filiou à legenda em 2020, antes mesmo de Bolsonaro ingressar no partido.

“É claro que filho é filho. Mas tenho um ótimo relacionamento com ele, pautado na parceria e na lealdade, demonstrada em vários momentos da minha trajetória. Então acredito que ele também teria motivos para nos apoiar”, avalia o deputado.

O segundo ponto que dá muita confiança a Callegari é a sua capilaridade dentro do PL – partido constituído em quase todas as cidades capixabas. Destoando da tendência atual, o deputado de 43 anos não é fruto das redes sociais – arena em que políticos do campo dele, particularmente os mais jovens, costumam deitar e rolar. A título de comparação, tome-se um Nikolas Ferreira (PL-MG) ou um Lucas Polese, colega de bancada de Callegari no PL e na oposição ao governo Casagrande. São políticos bolsonaristas que nasceram e se criaram nas redes sociais, das quais dependem os respectivos mandatos.

Nesse sentido, o ex-professor de História e Geografia em cursinhos é mais old school. Reconhece, é claro, a importância das redes sociais, onde também busca ampliar o seu espaço. Mas não foi ali que surgiu e se estabeleceu. Callegari é, primordialmente, um político orgânico, concentrado no trabalho de bases. Fundador de um movimento conservador de direita chamado Ordem, Justiça e Liberdade (OJL), dedica-se intensamente, desde antes de chegar à Assembleia, a um trabalho de formação política sobre o ideário conservador, ministrando palestras e cursos para militantes do PL, ou não filiados, de norte a sul do Espírito Santo. Isso lhe proporciona uma base com a qual ele diz contar.

Além disso, no ano passado, já como deputado estadual, Callegari só fez campanha para candidatos a prefeito e a vereador do PL por todo o Espírito Santo. E ajudou Magno Malta a fortalecer o partido no Estado, constituindo e organizando os diretórios municipais.

“Acredito que eu seja hoje um ponto de consenso dentro do partido entre diversos presidentes municipais e entre os parlamentares. O próprio Gilvan já me disse que, na saída dele, ele teria a tendência a apoiar a nossa candidatura. O Lucas Polese também. Na última eleição, eu fiz um trabalho de garçom. Rodei este estado inteiro apoiando os nossos candidatos. Nunca apoiei candidato que não fosse do PL. Meu maior ativo é a lealdade, bem como a organização. Sempre me coloquei para organizar diretórios, para apoiar diretórios, para fomentar candidaturas, e por isso temos uma gratidão muito grande dos candidatos”, afirma o deputado, presidente do PL em Cachoeiro desde fevereiro do ano passado – quando Juninho Corrêa, “cria” da OJL e hoje vice-prefeito da cidade pelo Novo, decidiu desfiliar-se do partido de Magno e Bolsonaro.

Callegari especifica a sua principal motivação para chegar ao Senado, muito em linha com a prioridade definida pelo próprio Bolsonaro:

“A verdadeira batalha do Brasil hoje passa pelo Senado. Passa por restaurar o equilíbrio dos Poderes. Nós hoje estamos vivendo uma situação de supremacia de um Poder que se arvorou em Poder moderador da República, o que não deveria ser o papel do Judiciário. Na verdade, não é nem o Judiciário, porque a maioria dos juízes e dos tribunais tem bom-senso. Mas o STF se arvorou numa posição que não lhe cabe, tem tomado atitudes altamente questionáveis e arbitrárias. E temos um único órgão que pode lhe fazer frente. Esse órgão é o Senado. Nunca a eleição para o Senado foi tão importante para uma nação, não só para o Brasil, mas para uma nação, como está sendo hoje, pois nunca vivemos na história mundial uma ‘juristocracia’ como estamos vivendo hoje no país. Não há relatos de uma ditadura de toga como se estabeleceu no Brasil. Por ser essa a grande batalha dos nossos tempos, eu estou pleiteando isso.”

> Assembleia aumenta em 233% o valor da cota de gabinete dos deputados

O próprio Bolsonaro tem dito que, em 2026, prioriza a eleição de senadores aliados em todas as unidades federadas, pelas mesmas razões: reforçar as fileiras do seu exército político em sua luta contra o STF, nas trincheiras cavadas no Senado. Nos termos da Constituição Federal, compete ao Senado da República processar e julgar ministros do STF e o procurador-geral da República quanto a crimes de responsabilidade relacionados ao exercício da função, definidos na Lei nº 1.079/1950, conhecida como a Lei do Impeachment.

Se por algum motivo não der certo o Senado, Callegari será candidato a deputado federal. À reeleição, ele não se candidatará. “Mas eu não acredito que não dê certo. Estou naquela situação de César quando atravessa o Rubicão: ‘a sorte está lançada’. Não descarto vir a federal, mas diria que, de 100%, 80% é o Senado.”

Se ele não chegou a receber propriamente um empurrão de Magno, também não tem encontrado nenhuma resistência: “Não houve da parte dele uma oposição nem conotação negativa ao nosso nome. Acredito que o senador, como político pragmático, também está avaliando as opções. Ele tem a filha dele que também deseja entrar na política, o que é extremamente legítimo. Agora, tem que ver em qual cargo. Então, são avaliações. Mas acredito que temos tudo para emplacar nossa candidatura dentro do PL”.

Perfil: do cabo da enxada ao botequim

Nascido em São Paulo, em 1981, Callegari tem origens humildes. O pai era pedreiro no sul do Espírito Santo e foi tentar a sorte com a família na capital paulista. Em 1993, a família voltou a se radicar na já emancipada Vargem Alta, onde o pai comprou um pequeno terreno na comunidade rural do Ayd e passou a se dedicar ao plantio de café. Callegari tinha, então, 12 anos. Seu sotaque, com os “erres puxados”, revela as origens. Como ele mesmo define, é uma “mistura de periferia de São Paulo com interior do Espírito Santo”.

Na adolescência, pegou muito na enxada, ajudando o pai na roça. Jovem adulto, dedicou-se a algumas atividades. Trabalhou no setor de mármore e granito, muito forte no sul do Estado, como recenseador do IBGE, e chegou a ser dono de um “boteco copo sujo”, chamado “Aranha’s Bar”. Isso antes de ele se converter ao catolicismo, aos 26 anos, em 2007.

De Sartre a Heidegger; da História à Filosofia

O ex-proprietário de boteco sempre foi, segundo ele, um leitor voraz. O gosto pela leitura, aliás, desponta da decoração do seu gabinete na Assembleia. Na recepção, no lugar das habituais revistas, a mesinha ao lado do sofá é forrada com livros de economia e filosofia comparada. É a “primeira impressão visual” de quem ali chega. O deputado conta que, mesmo antes de se formar, sempre adorou ler os escritos de filósofos das mais diversas correntes de pensamento, dos clássicos gregos (Platão, Aristóteles) a existencialistas do século XX.

Ele cita como exemplos Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger – o que revela, no mínimo, falta de “preconceito ideológico” na seleção dos autores nessa fase inicial da sua formação. Os dois estão entre os pensadores mais influentes do século passado, mas Sartre era um ateu marxista e militante de causas de esquerda, enquanto Heidegger apoiou o Terceiro Reich e foi filiado ao partido nazista de 1933 a 1945 (quando Hitler caiu).

A paixão pelo conhecimento o levou à faculdade de História. Ainda nos bancos acadêmicos, ele começou a se dedicar àquela que seria sua principal ocupação por muitos anos: o magistério. Começou lecionando História em um curso preparatório para concurso de ingresso na PMES. Depois também passaria a dar aula de Geografia e até Filosofia e Sociologia (pois faltavam professores para as duas últimas), no ensino básico e em cursinhos pré-vestibulares, tendo passado pelas principais escolas particulares de Cachoeiro.

Em 2012, atendendo à provocação de um aluno, resolveu ele mesmo prestar um concurso público e passou para analista no Poder Judiciário do Espírito Santo. É, portanto, servidor de carreira do TJES, licenciado para o atual mandato. Dava expediente no Fórum de Cachoeiro.

> Remake político: Sergio Meneguelli quer ser senador. “Confia em mim?”

Do encontro com Olavo de Carvalho às marchas de 2013

Seu engajamento maior na política teve início durante as grandes manifestações de junho de 2013, no auge do primeiro governo Dilma Rousseff (PT). Ele diz que nunca foi um eleitor de esquerda e que, até então, costumava votar nos candidatos do PSDB – única opção real disponível a quem não queria votar no PT, nas duas décadas em que os dois partidos polarizaram a política nacional. Para ele, porém, era tudo um “teatro de tesouras”, ou seja, duas forças com ideário muito próximo simulavam um conflito e se revezavam no poder.

Callegari participou ativamente das marchas de 2013 em Cachoeiro, “como pessoa comum”, e diz ter ficado contente ao constatar que o movimento não era “controlado pela esquerda”. Classifica esse momento como “o começo da virada de chave do Brasil”.

Antes disso, ele viveu uma “experiência reveladora”, que diz ter transformado radicalmente sua visão de mundo e sua maneira de encarar tudo ao redor, inclusive a política: o primeiro contato com a obra do autointitulado filósofo Olavo de Carvalho, falecido em 2022, com a leitura do best-seller O imbecil coletivo, em 2009.

Ali ele diz ter descoberto o que realmente era e é, em termos de pensamento político e ideológico: “Em 2009, me descobri um conservador. Foi quando li pela primeira vez o Olavo de Carvalho. O impacto em mim foi avassalador. Até então eu era um neoliberal, tinha muitas ideias progressistas na minha mente, simpatizava muito com o PSDB. Mas ler O imbecil coletivo abriu uma série de portas na minha mente”.

Ele passou, então, a dedicar-se a “ler maciçamente” autores clássicos do pensamento conservador, como Chesterton, Roger Scruton e Russel Kirk. Afirma, contudo, jamais ter feito o famoso Curso Online de Filosofia (COF) de Olavo de Carvalho, ideólogo maior do bolsonarismo no Brasil. Apesar da influência patente do “Bruxo da Virgínia” sobre o seu pensamento, prefere não se considerar um “discípulo” dele. “Evito esses rótulos de ‘olavista’ ou ‘olavete’, como alguns falam, porque isso é radical e muito limitador. Classifico-me como um conservador”, reitera.

Da OJL ao PSC e à primeira campanha eleitoral

Da filiação ao pensamento conservador ao envolvimento nas marchas de 2013, Callegari concluiu que era preciso passar a se engajar mais na atividade política. Os primeiros passos foram palestras contra o aborto (“pró-vida”) e pela liberdade no uso de armas de fogo (“pró-armas”). “Eu falava onde me davam essa liberdade: às vezes numa paróquia, às vezes num centro comunitário… Coisas pequenas.”

Já em 2016, ao lado de pessoas como Júnior Corrêa (seu aluno no ensino médio), fundou a OJL, definida por ele como “um movimento social e cultural que tem como foco trazer os valores conservadores para a cultura e a política e, ao mesmo tempo, formar novos líderes conservadores no Espírito Santo, capazes de enfrentar a guerra cultural dos nossos tempos”. Na proposta, é como se fosse um RenovaBR, porém em escala menor (um “RenovaES”) e trocando-se o pensamento liberal pelo conservador.

A partir daí, passou a se dedicar a um trabalho de formação política sobre o conservadorismo, ministrando palestras onde quer que o deixassem falar. Tornou-se, assim, algo como um pregador, um “sacerdote do conservadorismo” no interior do Espírito Santo.

Como consequência quase natural, o exercício desse “ministério” o levou à política partidária e à busca por cargos eletivos. Após uma passagem pelo Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB, atual Avante), sigla que ele chegou a presidir em Vargem Alta, filiou-se ao Partido Social Cristão (PSC) e disputou sua primeira eleição, em 2018. Com 6.955 votos, não se elegeu deputado estadual.

> Qual o cargo que cada deputado estadual do ES quer disputar em 2026

Por que o PSC? Porque, além de conservador, o partido (hoje absorvido pelo Podemos) era uma das opções para abrigar a candidatura presidencial de Bolsonaro, que acabou disputando e vencendo aquele pleito pelo Partido Social Liberal (PSL).

A “descoberta” de Bolsonaro, aliás, foi outro marco na trajetória de Callegari, antes mesmo do impeachment de Dilma, em 2016. “Na eleição de 2014, quando ele foi o candidato a deputado federal mais votado no Rio de Janeiro e conseguiu eleger o Eduardo [Bolsonaro] em São Paulo, falei ‘cara, tem algo acontecendo’. Ali eu vi que havia a possibilidade de transformação. Ele estava conseguindo ser aquilo que nenhum candidato do PSDB conseguiu. Ali eu me tornei um defensor do Bolsonaro. Vi que ele era o cara que ia chegar à Presidência.”

De Magno Malta à Assembleia Legislativa

Após a chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2018, Callegari aproxima-se do ex-deputado federal Carlos Manato, passa brevemente pelo PSL e chega a presidir a sigla em Cachoeiro. Com a saída de Bolsonaro, ele também se desfilia. Em 2020, finalmente chega ao PL, antes do ingresso de Bolsonaro, por influência direta de Magno Malta – cuja trajetória política também começou em Cachoeiro, há mais de 30 anos.

Vivíamos, então, o auge da pandemia. Não havia nem vacinas disponíveis – e o presidente Bolsonaro fazia pouco caso delas e da própria crise sanitária. Para evitar a explosão das taxas de contágio e de mortes por covid-19, a Prefeitura de Cachoeiro e o Governo do Estado tomaram uma série de medidas de isolamento social e de restrição ao funcionamento do comércio. Callegari foi para as ruas fazer campanha contra elas – segundo ele, “numa briga feroz”.

No mesmo ano, pelo PL, no grupo de Magno e Manato, ele se candidata a vice-prefeito na chapa de Jonas Nogueira (PL). Com 10,7% dos votos válidos, eles chegam em terceiro lugar. O então prefeito Victor Coelho (PSB), aliado de Casagrande, é reeleito com sobras. Em compensação, o PL elege três vereadores na maior cidade do sul, incluindo Juninho Corrêa (o mais votado para o cargo).

Nesse ínterim, impulsionado por Manato, que preparava sua nova candidatura ao governo em 2022, Callegari intensifica as palestras pelo Estado. “O Manato tinha um grande problema na época: era um partido de direita, mas as pessoas não sabiam o que é a direita. Eu era o ‘professor da direita’. Aí comecei a viajar e a dar palestras pelo Estado inteiro.”

Em 2022, pelo PL, o “professor” chega à Assembleia, com 16.842 votos (mais da metade deles em Cachoeiro e Vargem Alta). Desde o início do mandato, ao lado de Lucas Polese, é uma voz quase isolada – e, certamente, a mais estridente – contra o governo Casagrande em plenário. “(Risos) Eu falo alto mesmo. É meu sangue italiano. Você precisa ver um churrasco da nossa família!”

Ele até cita outros notórios conservadores, como os colegas de bancada Capitão Assumção e Danilo Bahiense, além de Alcântaro Filho, do Republicanos. Mas este é aliado do governo, enquanto Bahiense e até Assumção têm exercido oposição muito tímida. No caso do capitão, segundo Callegari, “ele deu uma segurada em algumas questões após ter sofrido muita perseguição”.

> O que diz Ricardo Ferraço sobre a união do PP com o União Brasil no ES

O deputado não gosta do termo “ideologia” (prefere falar em “valores”), mas, para simplificar, é isso mesmo o que explica, antes de mais nada, a sua oposição implacável ao governo do maior líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em terras capixabas.

“Não importa qual lado você seja na política, você precisa ser coerente. Nós temos um dever, que é o de sermos coerentes com aquele eleitor que nos elegeu. O meu eleitorado me elegeu para ser um representante da direita, em oposição aos valores representados pelo PSB, que são os valores do governador”, justifica.

Mas será que o “pregador” se sente como voz isolada, “pregando no deserto”? Ele responde fazendo uma diferenciação.

“Eu não me sinto isolado. É uma Assembleia realmente de perfil mais conservador. Nós temos três tipos de votação aqui. As votações de cunho administrativo e econômico que são pautadas por uma ideia mais de eficiência e que portanto têm a ver com a parte da direita mais liberal, que eu apoio, apesar de não ser um liberal, nós conseguimos sempre a maioria aqui, facilmente, e a extrema-esquerda fica isolada. Estou falando de matérias que têm a ver com privatizações etc. Outro tipo de votação são matérias que têm a ver com questões mais ligadas à pauta de costumes. Nessas questões, também somos majoritários, até porque temos uma bancada evangélica. Por último, temos um terceiro tipo de pauta em que, aí sim, acabo isolado. São pautas do conservadorismo mais puro, como, por exemplo, impedir a criação da Secretaria da Mulher. Eu tentei impedir, por considerar que era um gasto necessário de dinheiro público e que não produziria nada. Só eu e Polese votamos contra. Nessas pautas mais extremas, sim, acabo me isolando”, reconhece.

“Mas, quando você pega no campo geral, nunca vi o conservadorismo tão bem representado na Assembleia do Espírito Santo como hoje”, conclui o deputado.

Agora, entre um gole e outro de taurina, o Touro Indomável do PL no plenário da Assembleia dá asas ao projeto de chegar ao Senado Federal.

LEIA TAMBÉM

> Ricardo Ferraço diz o que pensa sobre a movimentação eleitoral de Euclério

> Ramalho se desfilia do PL para ser secretário de Pazolini em Vitória

> Tarcísio de Freitas chama Hartung de mentor, referência e inspiração

> Os três alertas para a solidez do plano de Ricardo e Casagrande para 2026

> Confirmado: Ramalho será secretário no governo Pazolini em Vitória

> Euclério se movimenta para se candidatar ao Governo do Estado

> As cartas de Paulo: e se o plano de Hartung for outro?