Coluna Vitor Vogas
PSDB quer secretários de Estado em sua chapa de deputados federais
Em almoço com Casagrande, presidente nacional dos tucanos pediu ajuda na montagem da chapa para partido tentar fazer um deputado federal no ES

Marconi Perillo em encontros com Casagrande e Rigoni no ES
Em baixa no Brasil e no Espírito Santo, o PSDB precisa urgentemente voltar a crescer nas eleições gerais de 2026, que podem representar um momento decisivo para o partido, talvez a sua derradeira chance de evitar a extinção: ou começa a se reerguer ou estará fadado a sumir do mapa. “Começar a se reerguer” passa, essencialmente, por eleger uma boa bancada de deputados federais no Congresso. Hoje, só há 14 tucanos na Câmara. A meta da direção nacional é dobrar esse número.
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Com isso em mente, o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, pediu pessoalmente ao governador Renato Casagrande (PSB) para ajudar o partido a montar uma chapa competitiva no Espírito Santo, em condições de brigar por uma vaga, das dez correspondentes à bancada capixaba, no pleito de 2026. Hoje, o partido não tem chapa para isso no Estado. Faltam quadros suficientes. Há o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas, pré-candidato a senador, e alguns candidatos a deputado estadual, como os atuais membros da bancada tucana na Assembleia, Vandinho Leite e Mazinho dos Anjos. Mas, para federais, há um vazio. É preciso filiar mais gente.
O pedido de auxílio foi feito por Perillo a Casagrande em almoço no Palácio Anchieta, na última quinta-feira (28). Também participaram Luiz Paulo, Vandinho e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). A vontade do PSDB é lançar, especificamente, secretários de Estado decididos a disputar uma vaga na Câmara, como o de Agricultura, Enio Bergoli (já filiado ao PSDB), e o de Meio Ambiente, Felipe Rigoni (hoje no União Brasil).
“Fomos pedir ao governador e ao vice que nos ajudem na montagem da nominata de deputado federal”, contou Perillo, ex-senador e ex-governador de Goiás. Segundo ele, Casagrande se comprometeu a ajudar na operação.
“Eu já fui governador e sei como é que pesa a influência do governo, do governador, na viabilização de uma nominata de deputados. Recebemos deles o compromisso, pela seriedade do PSDB, pelo compromisso que o PSDB tem com o Brasil, de nos ajudar nessa tarefa”, afirmou Perillo, em entrevista coletiva na tarde de quinta, logo após o almoço, no gabinete de Vandinho Leite na Assembleia.
Em retribuição à mão amiga naquilo que é mais fundamental para a sobrevivência de um partido político (fazer deputados federais), o presidente nacional tucano reafirmou o compromisso do PSDB em apoiar Casagrande e Ricardo nas disputas majoritárias (Senado e Governo do Estado).
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Vandinho Leite confirmou que o governador sinalizou positivamente no sentido de que ajudará o PSDB a filiar pré-candidatos competitivos a deputado federal. Segundo o presidente tucano no Espírito Santo, Rigoni ocupa lugar central no projeto do PSDB de erguer essa chapa de federais: esta será construída em torno do secretário do Meio Ambiente, se ele migrar para o partido.
Logo após a entrevista coletiva, Perillo, Luiz Paulo e Vandinho se reuniram com o próprio Rigoni e lhe reforçaram o convite de filiação.
Rigoni ouviu o convite, mas não tomou nenhuma decisão, nem o fará tão cedo. Por ora, ele segue no União Brasil, embora não mais como seu presidente estadual. Nesta semana, o secretário entregou sua carta oficial de renúncia ao próximo ocupante do cargo, o presidente da Assembleia, Marcelo Santos. A princípio, Rigoni passará a ocupar o cargo de 1º vice-presidente estadual do União, abaixo de Marcelo – por vontade da Executiva Nacional da agremiação. Se vai ficar, é outra história.
Deputado federal por um mandato, de 2019 a 2022, e determinadíssimo a tentar voltar para a Câmara, Rigoni mantém conversas com dirigentes de outros partidos aliados do governo Casagrande, além do PSDB. Entre eles, o MDB, presidido no Estado por Ricardo Ferraço, e o Podemos, presidido pelo deputado federal Gilson Daniel.
Luiz Paulo afirmou que está trabalhando pessoalmente para convencer Rigoni a entrar no PSDB, até porque tem proximidade política com ele, afinidade de pensamento, e o considera um dos quadros mais qualificados da nova geração de políticos capixabas. O ex-prefeito de Vitória foi coordenador do plano de governo de Rigoni quando ele ensaiou candidatura ao Palácio Anchieta em 2022 (depois desistiu, foi mesmo para a reeleição e não renovou o mandato nas urnas).
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Já no ano passado, Luiz Paulo foi apoiado por Rigoni e, graças a ele, também pelo União Brasil em sua tentativa de voltar à Prefeitura de Vitória. Seu candidato a vice-prefeito foi Victor Ricciardi, do União, grande aliado de Rigoni. Como se sabe, Lorenzo Pazolini (Republicanos) reelegeu-se no 1º turno.
Quanto a Enio Bergoli, o secretário estadual de Agricultura confirma que também é pré-candidato a deputado federal. Confirma, ainda, que pertence aos quadros do PSDB, apesar de nunca ter disputado eleição. “Sou um filiado antigo do partido.”
Mas Enio não dá certeza quanto à sua permanência na legenda. “Sobre partido para concorrer, ainda não defini.”
Em 2022, aposta alta e decepção
Nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados, o PSDB não elegeu nenhum deputado federal no Espírito Santo, malgrado as altas expectativas do partido (e do mercado político capixaba em geral), sobretudo em relação ao então deputado estadual Sergio Majeski, que puxou a chapa. Outro nome em quem a sigla apostava era o do ex-prefeito de Vila Velha Max Filho.
Em dado momento da campanha de 2022, Majeski (recordista de votos para estadual em 2018) chegou a ser apontado como possível campeão de votos para federal naquele ano, no Espírito Santo. Mas, num pleito muito polarizado pelos extremos, Majeski teve desempenho frustrante: 40.124 votos. Já Max Filho teve resultado ruim: 16.822 votos. Com isso, a chapa do PSDB nem atingiu o quociente eleitoral para garantir uma cadeira na bancada capixaba.
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