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Coluna Vitor Vogas

Marqueteiro de Manato se demite. E agora, que rumo tomará a campanha?

Jornalista Fernando Carreiro e Manato alegam não terem chegado a um acerto financeiro. Agência que fez a campanha de Erick e de Pazolini (2020) foi indicada para assumir a campanha, mas nega sondagem

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Um dos principais responsáveis por levar Manato (PL) ao 2º turno na eleição para governador, o jornalista Fernando Carreiro acaba de se desligar da campanha e não assinará a propaganda eleitoral de Manato na segunda fase da disputa com Renato Casagrande (PSB). Segundo o marqueteiro, ele e o PL não chegaram a um acerto financeiro. Agora, a campanha de Manato corre contra o tempo para contratar um substituo, já que o programa de estreia no horário eleitoral gratuito deve ir ao ar na próxima sexta-feira (7).

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Pelo que a coluna apurou, a campanha de Manato recebeu uma indicação do Republicanos, partido de Erick Musso, Lorenzo Pazolini e Amaro Neto, entre outros políticos de renome no Espírito Santo: a agência sugerida foi a Acrópole, a mesma que realizou a campanha de Erick ao Senado nesta eleição e a vitoriosa campanha de Pazolini a prefeito de Vitória em 2020. No entanto, um representante da agência informou à coluna que eles não foram sondados e que a equipe que trabalhou na campanha de Erick já foi desmobilizada.

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Voltando a Fernando Carreiro, ele apresentou à coluna a seguinte nota:

“Após o fim do primeiro turno, sentamos para conversar sobre o segundo. Com a dificuldade de caixa do PL, ficaria difícil oferecer um trabalho de qualidade, que é a marca dos nossos serviços, e atender bem ao candidato. Cumpri minha missão de entregar um candidato forte, competitivo e com uma imagem mais consolidada. Tenho um carinho e uma gratidão enormes por Manato, a quem vou levar para a vida como um grande amigo.”

Por sua vez, a campanha de Manato emitiu a seguinte nota oficial:

“O motivo da saída de Fernando Carreiro do nosso marketing se deu por conta de questões financeiras da campanha. Os recursos que estavam previstos para chegar não chegaram. Não tivemos como cumprir todos os compromissos assumidos, o que nos causou um prejuízo muito grande. Estou com o coração partido e jamais pensei em ir para o segundo turno sem Fernando Carreiro. Estou muito triste, mas continuaremos firmes e colocando em prática tudo que ele me ensinou. Serei eternamente grato a Fernando Carreiro, o meu marqueteiro do coração.”

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Logo após a apuração dos votos na noite do último domingo (2), o próprio Manato chegou a dizer à coluna que Carreiro continuaria à frente de sua campanha.

Análise: e agora, que rumo tomará a campanha?

Carreiro assumiu a pré-campanha de Manato a governador no ano passado e, desde o início, perseguiu um objetivo estratégico: furar a “bolha bolsonarista”, apresentando Manato ao grande público como um candidato mais “suave” e palatável ao eleitor que não vota em Jair Bolsonaro, sem perder de vista, porém, o eleitor bolsonarista.

Para cumprir essa difícil estratégia, Carreiro colocou em marcha “duas campanhas”, diferentes, mas simultâneas: nas ruas e na internet, a campanha era bem mais voltada para a direita (especialmente os seguidores de Bolsonaro, aos quais Manato se apresentava como o representante do presidente no Estado); já no horário eleitoral gratuito, em debates e entrevistas, o tom era mais moderado.

Na TV e no rádio, surgia um Manato mais propositivo, falando em ser “o governador de todos os capixabas”. A identidade visual da campanha tinha verde e amarelo, mas também as cores do Espírito Santo.

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Para o 2º turno, Carreiro já tinha traçadas as principais estratégias, agora engavetadas. Para começar, a partir da boa votação de Bolsonaro no Espírito Santo no domingo (2), o marqueteiro mudaria a identidade visual, inserindo mais verde e amarelo na logomarca. O slogan também seria outro: o “governador de todos os capixabas” do 1º turno daria lugar ao lema “agora todos são Manato”.

O novo slogan seria casado com aparições, na propaganda eleitoral, de “novos aliados” de Manato, como Guerino Zanon (PSD) e Aridelmo (Novo) – candidatos a governador derrotados no 1º turno, cujo apoio a Manato no 2º turno estava pré-estabelecido. Outro a aparecer, possivelmente, seria o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, candidato derrotado ao Senado, já que o Republicanos tende a caminhar com o candidato do PL ao Palácio Anchieta.

Também estava nos planos de Carreiro uma ampla participação do ex-senador Magno Malta (PL), vencedor da eleição ao Senado, na propaganda de Manato no 2º turno.

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Tudo isso agora vai depender do direcionamento a ser dado pela equipe que assumirá a campanha.

A grande questão aberta agora, com a saída de Carreiro, é se a nova direção buscará “bolsonarizar” mais a campanha, dialogando apenas com o eleitorado do atual presidente, ou se manterá a estratégia adotada por Carreiro no 1º turno, de tentar ir além do bolsonarismo.

É um dilema e tanto.

Por um lado, é inegável que a segunda onda Bolsonaro nos últimos dias do 1º turno ajudou a dar a Manato aquele impulso que lhe faltava para chegar ao 2º – muito embora ele não tenha recebido uma parte importante dos votos dos capixabas que foram para Bolsonaro na eleição para a Presidência.

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Por outro lado, é preciso ter em mente que esses votos bolsonaristas “perdidos” por Manato foram para Guerino ou Casagrande. No último caso, foi o voto de eleitores conservadores, mas não necessariamente bolsonaristas. Para virar esses votos a seu favor no 2º turno, a campanha de Manato talvez precise identificar e mirar o discurso também nesses eleitores.

Isso sem falar nos cerca de 800 mil eleitores capixabas que, no 1º turno, abstiveram-se, votaram em branco ou anularam o voto. É um manancial de votos, com o poder de mudar os rumos de qualquer disputa eleitoral.

Certo mesmo, por enquanto, é o seguinte: o passe de Fernando Carreiro está valendo ouro no mercado político-eleitoral… principalmente para o atual governo.

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Vitor Vogas

Nascido no Rio de Janeiro e criado no Espírito Santo, Vitor Vogas tem 39 anos. Formado em Comunicação Social pela Ufes (2007), dedicou toda a sua carreira ao jornalismo político e já cobriu várias eleições. Trabalhou na Rede Gazeta de 2008 a 2011 e de 2014 a 2021, como repórter e colunista da editoria de Política do jornal A Gazeta, além de participações como comentarista na rádio CBN Vitória. Desde março de 2022, atua nos veículos da Rede Capixaba: a TV Capixaba, a Rádio BandNews FM e o Portal ES360. E-mail do colunista: [email protected]

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