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Coluna Vitor Vogas

Nem vereadora nem vice de novo: Capitã Estéfane quer mesmo ser prefeita

“A minha candidatura não é só para dizer que eu sou candidata. Quero disputar a eleição”. Entrevistamos a vice-prefeita, em bate-papo franco que você pode ler aqui

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Capitã Estéfane entre o presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, e a presidente nacional, Renata Abreu. Foto: Assessoria do Podemos/ES

O plano da Capitã Estéfane para o pleito municipal deste ano era ser candidata a vereadora, como admite a própria vice-prefeita de Vitória. Nos primeiros meses do ano, conta, choveram em seu quintal sondagens de emissários de pré-candidatos a prefeito da Capital interessados em tê-la como candidata a vice. Estéfane não se entusiasmou com nenhuma delas. A ideia de ser “vice de novo”, mas de outro candidato a prefeito, não faz brilharem seus olhos. Eis que o presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, a abordou com uma proposta diferente: o convite para ela se filiar ao partido já chegou com o oferecimento da legenda para que ela seja candidata não a vereadora, nem a vice-prefeita, mas, desta vez, a prefeita de Vitória.

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Ela topou a proposta. No dia 5 de abril, filiou-se ao Podemos. Poucos dias depois, foi com Gilson Daniel ao encontro da presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP), para o anúncio da sua pré-candidatura à Prefeitura de Vitória.

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Em entrevista ao telejornal EStúdio 360, da TV Capixaba, na última segunda-feira (29), a capitã da reserva da PMES disse estar determinada a ser mesmo candidata a prefeita – como aliada do governador Renato Casagrande (PSB) e adversária do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), com quem se elegeu em 2020, mas rompeu politicamente em 2022.

“A minha candidatura não é só para dizer que eu sou candidata. É uma candidatura que quer disputar a eleição, que quer apresentar um projeto para Vitória e que já tem pessoas que apostam e acreditam nisso. E nós queremos fazer esse grupo crescer”, declarou a vice-prefeita.

Já familiarizada com as engrenagens da política, Estéfane tem consciência de que, dependendo da evolução da conjuntura e dos acordos entre os dirigentes dos partidos do grupo do qual o Podemos faz parte, pode ser que a coisa mude de figura até o momento das definições oficiais de candidaturas, entre 20 de julho (início do período de convenções partidárias) e 15 de agosto (fim do prazo para pedidos de registro). Ela pode ser instada a repensar os planos e avaliar ser candidata a vereadora de Vitória na chapa do Podemos ou “descer” para a posição de vice na chapa majoritária encabeçada por algum candidato aliado.

Mas a vice-prefeita é categórica: no dia de hoje, não está inclinada a nenhuma das duas opções. Se for mesmo o caso, isto é, se por algum motivo ela precisar retirar a candidatura a prefeita, está mais propensa a não ser candidata a nada e buscar contribuir de outra forma com o grupo político em que agora se insere.

O grupo em questão é aquele que gira em torno da liderança do governador Renato Casagrande (PSB). O Podemos hoje dialoga com outros partidos da base de Casagrande que estão no centro do espectro ideológico, abrangendo da centro-esquerda à centro-direita: PSB, MDB, PSD, União Brasil e a Federação PSDB/Cidadania. Nesse grupo há outros pré-candidatos, como Tyago Hoffmann (PSB) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) – e até eventual lançamento de Luciano Rezende (Cidadania) voltou a ser ventilado. A ideia original é que, desse grupo, mantenha-se apenas um candidato a prefeito, para competir com o apoio dos demais.

Faltou combinar esse script com Gilson Daniel e com Estéfane.

O fato novo gerado pela pré-candidatura dela congestiona ainda mais o meio de campo nessa embrionária “frente ampla de centro” que se pretende como alternativa à esquerda de João Coser (PT), à direita de Pazolini (Republicanos) e à extrema-direita do Capitão Assumção (PL).

A entrada de Estéfane neste jogo pode acabar em três resultados para ela e para o Podemos.

O primeiro é, lá na frente, o Podemos acabar se convencendo de que a candidatura dela é inviável e ela mesma ser convencida a desistir dessa empreitada. Nesse caso, restará a ela não ser candidata a nada, retomar seu plano original de disputar uma das 21 vagas de vereadora, ou efetivamente se encaixar como vice do candidato que emergir desse grupo. Como vice de Luiz Paulo ou de quem for o representante dessa frente, ela poderá, por exemplo, representar um contraponto a Cris Samorini (PP), caso a atual presidente da Findes venha a ser a companheira de chapa de Lorenzo Pazolini.

O segundo resultado possível é o Podemos bancar a candidatura dela a todo custo, se desgarrar dessa “frente de centro” e ir para uma candidatura solo. Soa bem pouco provável, porque implicaria pouco tempo de TV, recursos financeiros limitados e isolamento político. Seria uma candidatura suicida.

O terceiro resultado possível é a própria Estéfane prevalecer como a representante dessa frente, acima de Luiz Paulo e dos demais pré-candidatos, angariando o apoio de todos os outros partidos hoje ali reunidos. É muito, mas muito improvável, que isso de fato aconteça. Luiz Paulo, por exemplo, não está disposto a ceder um milímetro de chão. Se não está disposto a abdicar de sua posição nem mesmo para Luciano Rezende, que é da mesma federação, por que o faria em favor da Capitã Estéfane?

Abaixo, resumimos as principais declarações da Capitã Estéfane na entrevista, em formato de pingue-pongue com a vice-prefeita:

A senhora pode recuar da candidatura a prefeita a partir de uma composição do Podemos com os partidos aliados em Vitória?

As composições são do jogo político. O que sempre se especula é se coloquei minha candidatura apenas para levantar o meu nome, ganhar um capital político e vir candidata a vereadora. Eu sempre tive vontade de vir candidata a prefeita. Não fosse a relação com o prefeito se estabelecer dessa forma, eu não viria candidata agora, por uma questão de respeitar a sucessão dele. Mas isso não aconteceu, então a gente não tem a obrigação de ter lealdade com quem não tem lealdade conosco. Estamos num bloco de centro, onde existem outras candidaturas. Tem a do Luiz Paulo, tem a do Tyago Hoffmann, tem uma possível candidatura do Gandini, entre outros atores que se colocaram e se colocam há algum tempo. Isso é legítimo, é da democracia. Possivelmente, lá na frente, será necessário fazer um agrupamento. Mas o meu desejo, e acredito que esse também seja o desejo do Podemos, é que não haja uma ‘forçação”, ou algo pré-determinado, ‘você vai vir para compor vice’, ou ‘você vai descer para vereadora’. Não. As pré-candidaturas estão postas, e todas elas têm o desafio de se viabilizarem, assim como os demais atores de outros campos ideológicos. O desafio de todos os pré-candidatos de centro hoje é buscar apoiadores e se viabilizarem. E a partir de então vai haver uma composição.

A senhora será candidata a prefeita incondicionalmente, mesmo que isso signifique o Podemos se desgarrar do grupo de partidos aliados e partir para o isolamento eleitoral?

Não existe candidatura a qualquer custo. A minha candidatura foi proposta exatamente para debater aquilo que está silenciado na cidade. Naturalmente, até pelo movimento da gestão atual comigo, eu fui muito procurada por pessoas que estão desassistidas, por pessoas que foram excluídas da construção do processo político. E essas pessoas inclusive me pediram para ser candidata em diversos outros momentos, mas eu não tinha o veículo, que é o partido. E aí o deputado Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, me fez essa proposta. Eu achei muto positivo da parte dele dar legenda para uma mulher ser candidata na Capital. Isso é uma base da minha candidatura. Não podemos desprezar o fato de haver uma invisibilização da mulher no Executivo político. Nós temos ali a mulher como vice. A mulher sempre pode compor. Mas, como candidata, existem muitas barreiras. E ele olhou para mim, me viu como possível candidata e me fez a proposta. E eu achei de uma nobreza e de uma necessidade de aceitar, sim, esse lugar, para debatermos e buscarmos essa viabilização.

Mas, dependendo do desenrolar dessas composições nos próximos meses, a senhora admite ser candidata a vereadora ou até, desculpe o trocadilho, a “vice de novo”, mas agora na chapa de um dos pré-candidatos dessa frente de partidos à qual está ligado o Podemos?

Vamos fazer isso em conjunto e com o partido, respeitando a posição do partido. Mas eu, pessoalmente, não quero regredir agora para uma candidatura à vereança, e talvez só se isso for um pedido do grupo e se for algo necessário, porque acho desleal com as pessoas que estão nessa posição e já me declararam apoio. Eu vou para uma base de pessoas que são candidatas [à Câmara Municipal], e não acho isso correto. Quanto a ser vice de novo [risos], é uma experiência que também tenho uma certa resistência, pela história que passei. Vai depender de uma construção muito bem feita, muito bem costurada, como se diz na política. Caso a minha candidatura não se viabilize, é mais possível que eu não seja candidata, apoie a base e ajude na construção do partido do que uma outra conjuntura. Agora, não significa que eu estou querendo atropelar as outras candidaturas. Não. Nós vamos colocar os nossos projetos, os nossos nomes, e buscar essa viabilização.