Coluna Vitor Vogas
Magno Malta: “Capitão Assumção foi preso na igreja”
Senador e presidente do PL no Espírito Santo questiona prisão do correligionário e afirma que ele foi preso por “crime de opinião”

Magno Malta e Capitão Assumção
O senador Magno Malta, presidente estadual do Partido Liberal (PL), contestou a prisão do deputado estadual Capitão Assumção na noite dessa quarta-feira (28), por ordem do ministro Alexandre de Moraes. O deputado é correligionário de Magno e pré-candidato do PL a prefeito de Vitória. Em nota oficial enviada por sua assessoria, o senador afirmou que Assumção foi preso pela Polícia Federal durante um culto da Maranata, igreja frequentada pelo deputado.
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Questionando a prisão de Assumção, Magno afirmou nas entrelinhas que ele teria sido preso por “crime de opinião”.
Após prestar depoimento na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, em São Torquato, Vila Velha, Assumção foi levado para o Quartel da Polícia Militar de Maruípe, Vitória, onde cumprirá os dias de prisão por ser oficial da reserva da PMES.
A prisão de Assumção é preventiva, por tempo indeterminado, e foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator, no Supremo Tribunal Federal (STF), dos inquéritos das milícias digitais, dos atos antidemocráticos e do 8 de janeiro. O pedido de prisão foi apresentado pela procuradora-geral de Justiça, Luciana de Andrade.
Desde 15 de dezembro de 2022, Assumção já cumpria uma série de medidas cautelares determinadas por Moraes, como o uso de tornozeleira eletrônica. Também estava proibido de usar redes sociais e conceder entrevistas. O motivo do pedido de prisão foi precisamente o descumprimento dessas cautelares.
As redes sociais do deputado seguiram muito ativas mesmo após a proibição imposta pelo ministro – e assim permanecem até hoje.
Uma fonte que teve contato com Assumção na noite dessa quarta-feira no Quartel de Maruípe afirmou que o pedido formulado pelo MPES foi enviado a Moraes em janeiro de 2023, mas só agora acolhido pelo ministro, tendo sido motivado por fatos antigos.
A representação do MPES, segundo a fonte da coluna, cita postagens feitas por Assumção em redes como o TikTok nos dias seguintes à proibição determinada por Moraes e um pronunciamento feito por ele da tribuna da Assembleia, debochando das medidas impostas a ele como o uso da tornozeleira eletrônica, após o fatídico 15 de dezembro de 2022.
Confira abaixo na íntegra a nota do senador Magno Malta:
Em nome do Partido Liberal no Espírito Santo, manifesto-me sobre o acontecimento desta noite envolvendo a prisão de um deputado de nossa sigla pela Polícia Federal. O deputado estadual Capitão Assumção, do PL, conservador e bolsonarista, foi detido nesta quarta-feira (28/02) enquanto estava na igreja. Assumção é membro da Maranata.
O deputado já enfrentou recentemente busca e apreensão; ele foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica por supostamente ter cometido “crime de opinião”. Será que esse crime se refere à sua oposição à vacinação ou à sua crítica ao ativismo judicial?
Tal conduta não deveria ser considerada crime em um país democrático. Então, por que Assunção está agora usando uma tornozeleira e foi preso por expressar suas opiniões?
O PL-ES repudia veementemente essa ação. Até o momento, não estamos cientes do teor do mandado de prisão nem das razões que levaram a essa medida.
É preocupante ver tantas pessoas sendo presas por expressarem suas opiniões. Outros são detidos simplesmente por discordarem. O que exatamente estão fazendo ou dizendo para serem alvo de atos tão extremos?
Senador Magno Malta, presidente do PL-ES
