País
Aves de criadouro brasileiro serão soltas na Argentina
Elas fazem parte de programa da Itaipu Binacional

Aves de criadouro brasileiro serão soltas na Mata Atlântica argentina. Foto: Alexandre Marchetti
Seis fêmeas e quatro machos da espécie mutuns-de-penacho (Crax fasciolata), que fazem parte do programa de reprodução da empresa Itaipu Binacional, serão reintroduzidas pela primeira vez no bioma natural.
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As 10 aves serão soltas dentro de 30 dias na província de Corrientes, próximo ao Parque Nacional de Iberá, na Argentina. A região é de tríplice fronteira com Brasil e Paraguai, próxima ao Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), onde os animais nasceram em um criadouro científico.
Segundo o superintendente de gestão ambiental de Itaipu, Ariel Scheffer, a escolha do lugar para soltura foi motivada pela ampla experiência da Fundação Conservation Land Trust (CLT), que será a responsável pelo processo de reintrodução.
“Eles têm lá áreas preservadas de Mata Atlântica muito grandes, onde o sucesso dos indivíduos na natureza será garantido. Eles também têm uma equipe de pesquisadores muito eficientes, com bastante experiência nessa questão da reintrodução”, disse.

O mutum-de-penacho sofre ameaça. Foto: Alexandre Marchetti
O mutum-de-penacho é uma ave que mede cerca de 80 centímetros e pesa, em média, 2,5 quilos. Ela habita o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil, o Paraguai e o norte da Argentina e é importante dispersora de sementes em florestas de climas tropicais e subtropicais. Por ser de uma espécie Galliforme, como a galinha e o peru, sofre ameaça de extinção por causa da caça para consumo de sua carne e ovos.
No processo de reintrodução, como há maior controle, os mutuns-de-penacho sofrem a ameaça de predadores naturais, como felinos e répteis, e também precisam aprender a se alimentar sozinhos de pequenos insetos, moluscos e sementes. “Eles passam por um período de pré-adaptação em gaiolas no meio da floresta, para depois serem soltos. Alguns indivíduos receberão equipamento de rastreamento para acompanhamento após a soltura”, afirmou o superintendente.
Entre planejamento e envio das aves para a Argentina, a operação terá duração de mais de seis meses. Como o banco genético de Itaipu já está garantido, novas solturas deverão ocorrer. “A gente espera que com a reintrodução desses indivíduos e mais algumas novas reintroduções a gente consiga criar uma população viável que comece a se reproduzir em ambiente natural para recompor o bioma.”
Agência Brasil
