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Números pesados: entenda a irritação dos caminhoneiros com o aumento do diesel

Nos últimos anos, o preço do combustível chegou a 80% de aumento. Hoje, abastecer um caminhão com tanque de quase 500 litros chega a R$ 3.700

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Caminhoneiros: aumentos no custo deixam categoria insatisfeita

Na semana passada foi anunciado mais um aumento no valor dos combustíveis no Brasil. A gasolina subiu 5% e o diesel foi reajustado em 14,26% no valor das refinarias. Os sucessivos aumentos no combustível, na inflação e também nos custos que envolvem as operações de transporte rodoviários têm provocado a irritação de caminhoneiros, que ameaçam paralisar as atividades no país.

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Nesta segunda-feira (30), o diesel tem sido vendido entre R$ 7,09 e R$ 7,69 na Grande Vitória, segundo o aplicativo Menor Preço, que registra o valor  cobrado nos postos. O diesel corresponde a 60% no valor dos fretes em média – ficando os outros 40% para pagar impostos, pedágios, alimentação e outros. Só o custo com o combustível aumentou quase 80% desde 2019, quando o litro do diesel custava por volta de R$ 4.

E você sabe quanto custa encher o tanque de um caminhão antes de uma viagem? Existem vários tipos de caminhão e eles podem ter mais de um tanque.

Os modelos mais vendidos no Brasil, da Volvo e Scania, têm de 440 a 495 litros, mas com compartimentos extras podem passar de 700 litros. Então, o valor da conta no posto pode passar de R$ 3.700 para abastecer 495 litros a R$ 7,50 o diesel, por exemplo. Em 2019, essa conta não chegava a R$ 2 mil. Mas existem modelos com capacidade para mil litros, ou seja, a conta dobraria. E há casos excepcionais, com o abastecimento total do veículo chegando a custar R$ 11 mil.

Outro número que chama a atenção é a média de consumo de um veículo desse porte. Enquanto um carro econômico pode fazer 14 quilômetros por litro ou até mais na estrada, um caminhão econômico faz 2,2 km/litro. Uma viagem para São Paulo, por exemplo, consome em média 418 litros de diesel. OU R$ 2.963, levando-se em consideração o valor mais baixo do combustível cobrado na Grande Vitória. Para Belo Horizonte, cuja estrada é mais sinuosa e íngreme, o consumo cai para até 1,9 km/litros, segundo relato de caminhoneiros.

O valor dos pedágios também têm impactado no custo da viagem. Da Grande Vitória a Ribeirão Preto, em São Paulo, por exemplo, o caminhoneiro pode pagar entre R$ 1.700 a R$ 3 mil, dependendo do número de eixos, considerando veículos de 5 a 9 eixos.

Com tanto aumento nos custos, autônomos tendem a sofrer maior impacto. Em um site que conecta cargas e veículos, facilitando que o caminhoneiro consiga trabalho, o frete de Serra a Ribeirão Preto (SP) tem o valor de R$ 230 por tonelada. Num caminhão com capacidade para 32 toneladas o pagamento será de R$ 7.369. Ao fechar direto com uma empresa, a mesma viagem pode custar R$ 11 mil.

O caminhoneiro Jocimar Faco mostrou alguns cálculos das despesas de custo dessa viagem. Só de pedágio, o caminhão paga R$ 2 mil (média da distância para um caminhão de seis eixos). Para abastecer, mais quase R$ 3.600 para 537 litros de diesel, considerando média de 2,2km/l para percorrer 1.200 km. As duas despesas já somam R$ 5.600. Restam R$ 1.700 para pagar o motorista, manutenção, seguro, prestação e pneus, por exemplo.

Se houver algum incidente e um pneu furar, o custo para troca é de R$ 2.400. O risco é constante, porque uma carreta como essa usada nesse exemplo, de 32 toneladas e seis eixos, tem 22 pneus rodando e dois estepes. Por isso, na avaliação de Jocimar, o valor pago só vale a pena para quem está retornado à origem e já fez uma viagem com preço maior na ida.

Outra queixa dos caminhoneiros são os custos na estrada. Jocimar Faco conta que qualquer café da manhã num posto custa entre R$ 14 e R$ 16. “E não é nada de mais: um café com leite e pão com margarina. O almoço está na faixa de R$ 25 e para tomar banho o custo é de R$ 6 a R$ 10”, diz ele.

“No caminhão temos um fogão para fazer comida nas paradas. Minha botija de gás foi roubada no mês passado e com isso fiquei 20 dias sem cozinhar e a alimentação ficou em quase R$ 700 de custo”, relata.