Dia a dia
Polícia Federal investiga ação de aliciamento para tráfico internacional no ES
Grupos criminosos geralmente recrutam jovens sem antecedentes criminais, que falam uma segunda língua e que já viajaram para o exterior
A Polícia Federal vai intensificar as investigações para saber se existe algum grupo de aliciadores para o tráfico internacional agindo no Espírito Santo. A preocupação surgiu após a divulgação da notícia de que dois capixabas foram presos no Catar transportando 10 quilos de cocaína. Uma terceira pessoa que viajava com a dupla também foi detida.
Em entrevista na manhã desta quinta-feira, na sede da Polícia Federal, em Vila Velha, o chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Ramon Almeida da Silva, deixou claro que não há brechas para qualquer interferência brasileira sobre o caso. “Todo o processo criminal segue de acordo com a lei do Catar”.
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Segundo o delegado, a principal preocupação agora é com a possibilidade de outros jovens capixabas serem aliciados para o tráfico. “Não reconhecemos um grupo específico. Mas por trás desses casos, normalmente existem pessoas organizadas, que contratam as chamadas ʽmulasʼ para a atividade criminosa”.
O federal também detalhou o perfil escolhido pelos aliciadores e faz um alerta à população. “Esses recrutadores são incumbidos de aliciar jovens sem antecedentes criminais. Eles buscam pessoas com boa capacidade de comunicação, uma segunda língua e que já realizaram viagens internacionais para que elas possam passar pelos aeroportos sem levantar suspeitas das autoridades”.
Ainda, de acordo com o delegado, o contato com esses jovens costuma ocorrer em ambientes luxuosos, como em festas de alto padrão. “Sempre falam da possibilidade de se ganhar dinheiro fácil, fazer uma viagem, conhecer um país paradisíaco. Pagam as passagens e a estadia, mas nunca mencionam os riscos”, ressalta Ramon Almeida da Silva.
O caso
A informação da prisão no início de janeiro foi divulgada pelas redes sociais do governo do Catar. De acordo com o comunicado, a droga foi encontrada em um fundo falso nas malas dos dois capixabas e de uma terceira pessoa que viajava com a dupla. Eles tinham deixado São Paulo com destino à Tailândia, e fizeram escala em Doha, capital do país árabe.
No Catar, os jovens podem até ser condenados à pena de morte ou prisão perpétua em caso de reincidência na prática de tráfico de drogas, conforme relata o Itamaraty na página de alerta a penalidades que destoam das leis brasileiras.
O Ministério das Relações Exteriores foi procurado e informou que a Embaixada do Brasil em Doha acompanha a situação dos brasileiros e presta a assistência consular cabível, mas não pode dar mais informações pelo direito de privacidade dos envolvidos.
