fbpx

xColunas

Plástico: comida que mata!

Publicado

em

  • Por Camila Miguel

Você sabia que a sacola plástica tão útil para carregar nossas compras, o canudo, o copo descartável, as garrafas PET e outros materiais plásticos tão utilizados no nosso dia a dia são os principais causadores da morte de tartarugas marinhas? Isso ocorre porque quando consumido, o plástico pode machucar e causar danos ao trato gastrointestinal dos animais, levando a morte. E mesmo que o plástico não cause lesões internas, o animal ainda corre risco de morrer de inanição (parar de se alimentar). Isso acontece porque as tartarugas sentem o volume “indigesto” no estômago e acabam não comendo por acreditar que estão cheias de comida. Ao não se alimentar, os animais acabam ficando fracos e debilitados, o que faz com que eles encalhem nas praias e precisem ser resgatados pelos centros de reabilitação. Porém, de cada 100 animais que chegam com essas características, apenas 2% sobrevivem. Pesquisadores da Austrália¹ descobriram que a chance de uma tartaruga morrer pela ingestão de “apenas um idem plástico” é de 22%. E essa chance cresce conforme o consumo de resíduos de plástico aumenta.

> Quer receber as principais notícias do ES360 no WhatsApp? Clique aqui e entre na nossa comunidade!

Foto: Paulo Oliveira/Alamy Stock Photo

Foto: Paulo Oliveira/Alamy Stock Photo

Mas por que as tartarugas marinhas comem o plástico se ele é prejudicial? Primeiro porque os detritos plásticos possuem semelhanças visuais com as presas naturais das tartarugas. E como elas procuram ativamente itens que se pareçam com suas fontes de alimento, elas acabam ingerindo plástico por engano. Sacolas plásticas, por exemplo, se assemelham muito à água vivas, que é um dos principais alimentos de algumas tartarugas marinhas.

Foto: Rich Carey

Foto: Rich Carey

Segundo porque elas ingerem acidentalmente junto com seu alimento. Pesquisadores verificaram que quando as tartarugas estão se alimentando de algas marinhas, elas acabam ingerindo pequenos pedaços de plástico que se depositam no meio das algas.

Foto: Gumbo Limbo Nature Center

Foto: Gumbo Limbo Nature Center

Terceiro porque o plástico em decomposição tem cheiro de comida. Isso mesmo! Foi o que os pesquisadores recentemente descobriram. Eles fizeram um experimento com tartarugas marinhas para avaliar o olfato dos animais. Para isso, eles enviaram odores para dentro do aquário em que os animais estavam e contaram o tempo que cada animal ficou com a cabeça fora da água, “cheirando” os odores oferecidos. Eles perceberam que quando as tartarugas marinhas recebiam odor de comida e de plástico em decomposição, elas permaneciam mais tempo com o nariz fora da água. E eles concluíram que o odor do plástico em decomposição é tão atrativo quando o da comida. Isso acontece, porque os plásticos que passam algum tempo no mar são colonizados por microrganismos, algas, plantas e pequenos animais e acabam desenvolvendo cheiros pelos quais as tartarugas são atraídas. Esta é uma adaptação evolutiva para encontrar comida, mas que agora está se tornando um problema para as tartarugas marinhas.

Foto: Troy Mayne

Foto: Troy Mayne

De acordo com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), há uma estimativa de que entre 4 e 12 milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos a cada ano. O que você pode fazer em relação a esse problema? Tenha mais cuidado com seu lixo. Faça a separação entre lixo seco e orgânico, destine para os locais certos, tente reutilizar ou reciclar o que for possível e diminua o uso de descartáveis como canudos, garrafas e copos plásticos. As tartarugas marinhas agradecem!

Sobre o autor

Camila Miguel é Coordenadora do Projeto Chelonia mydas, Doutora em Ecologia e Evolução da Biodiversidade pela PUCRS. Mestre em Zoologia pela PUCRS. Possui graduação em Ciências Biológicas

Pela Natureza, o Melhor da nossa Humanidade

O Instituto Marcos Daniel é uma associação privada sem fins lucrativos qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de interesse Público. Fundado em 2004, o foco de atuação do IMD é a elaboração e execução de projetos de conservação da biodiversidade e a formação de multiplicadores para a conservação da natureza. Neste propósito, temos contado com o apoio institucional de diversos órgãos públicos, universidades, ONGs e empresas, formando uma rede de elevado capital social e ampla capilaridade na sociedade, promovendo assim a conservação do maior patrimônio do Brasil, a sua biodiversidade.

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.