ES360
Secretaria de Saúde alega falhas em auditoria sobre vacinação no ES
Argumento é que houve erro na leitura do padrão de exportação da base de dados do Ministério da Saúde

Vacina contra a covid-19. Foto: Pixabay
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) vai revisar, junto com as prefeituras, o relatório produzido pela Secretaria de Controle e Transparência (Secont) sobre a vacinação para covid-19 no estado. O parecer será apresentado em 15 dias.
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O levantamento apontou uma série de suspeitas sobre a aplicação de milhares de doses de vacinas no estado. Entre as possíveis irregularidades estariam o registro de 934 pessoas que usaram documentos de mortos para se vacinar e 408 casos em que o portador de um mesmo número de CPF teria recebido mais de três doses de vacina.
Segundo nota divulgada pela Sesa, em avaliação preliminar da pasta, foram identificadas inconsistências na análise do órgão de controle decorrentes de uma leitura equivocada do padrão de exportação da base de dados do Ministério da Saúde.
“O principal equívoco do relatório diz respeito à comparação de dados em padrões distintos de anotação (americano e brasileiro), o que superestimou possíveis irregularidades na vacinação. A anotação de data americana, usada na vacinação, indica o mês à frente do dia, seguida do ano. A brasileira, usada para a data do óbito, inicia com dia, mês e ano. A comparação dessas datas superestimou possíveis irregularidades na vacinação”, diz a nota.
Segundo a Sesa, até o dia 2 de junho deste ano, o sistema do Ministério da Saúde impedia a edição de dados lançados. Por isso havia erros de registro no banco de dados. Por exemplo: no caso do registro de tripla dose aplicada com inconformidade de laboratórios, apontado pela auditoria, o terceiro registro corrigia o erro de lançamento do segundo, mas ambos foram mantidos na mesma base de dados.
“Desta forma o relatório deve ser visto com cautela, uma vez que nos primeiros meses de imunização o sistema do Ministério da Saúde apresentava grande instabilidade e limitações, o que dificultava o registro de informações pelo profissional de saúde”, finaliza a nota.
A Secretaria de Controle e Transparência (Secont) informou, em nota, que a revisão de dados levantados a partir da auditoria é uma fase rotineira da ação de controle, permitindo aos entes auditados justificar os achados de auditoria e ao controle ser assertivo em situações que exijam novas apurações.
A partir da análise a ser feita pela Secretaria da Saúde (Sesa) e pelos municípios, será realizada a depuração para confirmar ou afastar as inconsistências iniciais.
Auditoria apontou série de irregularidades
A auditoria da Second começou em marco e foi realizada em todos os 78 municípios do estado . Um dos número que mais chamou a atenção foi o de pessoas que teriam usado documentos de mortos para se vacinar: 934. A checagem também apontou 408 casos em que o portador de um mesmo número de CPF teria recebido mais de três doses de vacina.
Outro sinal de alerta encontrado são 1.240 casos em que o registro aponta a aplicação de segunda dose de laboratório diferente da primeira dose recebida, e 70 doses registradas como fabricadas por um laboratório sem vacinas disponíveis no Estado.
Foram identificadas ainda discrepâncias nas faixas etárias imunizadas. A auditoria constatou 11.582 doses aplicadas em cidadãos com idade inferior à faixa etária informada como justificativa para inclusão no grupo prioritário que estava sendo vacinado a cada fase da imunização.
Quando se exclui os vacinados com 60 anos ou mais, do total de 11.582 doses, 1.448 doses teriam sido recebidas por pessoas com menos de 60 anos, ou seja, em pessoas que não fariam parte deste grupo prioritário.
O resultado do levantamento será encaminhado aos órgãos competentes, como a Polícia Civil, para uma averiguação detalhada.
A análise abrangeu um universo de 882.505 doses aplicadas, no período de 18 de janeiro a 12 de maio deste ano. A ação de controle visa a identificar riscos nos procedimentos adotados e corrigir eventuais falhas que possam comprometer a rapidez e a qualidade da campanha de imunização contra a covid-19.
Segundo a Secont, a checagem detalhada de cada caso é necessária para determinar o que levou à ocorrência das inconsistências encontradas, já que elas podem ser resultado tanto de falhas na alimentação do sistema de registro das doses aplicadas como de fraudes ou ações de “fura-fila”.
