Dia a dia
Greve do Sindilimpe já atinge principais indústrias do ES
A greve atinge empresas como ArcelorMittal, Portocel e Suzano. Veja as reivindicações da categoria

A greve atinge empresas como ArcelorMittal, Portocel e Suzano. Foto: Divulgação
A greve dos trabalhadores terceirizados do setor de asseio e conservação já afeta a rotina de grandes indústrias do Espírito Santo. Sem a atuação da categoria, a produção nas unidades fica comprometida. A paralisação, iniciada em 21 de julho, foi mantida após nova assembleia realizada na sexta-feira (25), diante da ausência de acordo entre empresas e sindicato nas rodadas de mediação conduzidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
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Na última quarta-feira (23), um protesto em frente à portaria da ArcelorMittal, na Serra, terminou em conflito com a Polícia Militar e deixou ao menos quatro trabalhadores feridos, atingidos por balas de borracha e bombas de efeito moral. Segundo a categoria, uma diretora sindical foi arrastada no asfalto, e imagens da abordagem ganharam ampla repercussão.
Além disso, entidades sindicais e movimentos sociais denunciaram o uso excessivo de força por parte da PM. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) protocolou um ofício ao governo do Estado solicitando a apuração da conduta policial e pediu audiência com o governador Renato Casagrande (PSB).
Segundo o Sindilimpe-ES, que representa os trabalhadores, o movimento grevista atinge diretamente empresas como Portocel e Suzano Papel e Celulose, em Aracruz; ArcelorMittal, na Serra; e Samarco Mineração, em Anchieta. A estimativa é de que mais de 5 mil pessoas estejam mobilizadas, vinculadas a cerca de 100 empresas terceirizadas que atuam dentro do setor industrial capixaba.
Reivindicações incluem vale-alimentação e PLR
Entre as principais pautas da greve estão a equiparação dos benefícios pagos pelas contratantes, como vale-alimentação, vale-transporte, cesta natalina e participação nos lucros e resultados (PLR). Segundo a presidenta do Sindilimpe-ES, Evani Reis, há grande disparidade entre os valores oferecidos pelas empresas.
“A greve acontece porque os patrões não avançaram nas negociações, mesmo após três rodadas de reuniões com o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Espírito Santo (Seaces) e tentativas de mediação do Ministério Público do Trabalho”, afirma.
Ela cita o exemplo da Vale, onde trabalhadores do mesmo setor conquistaram benefícios mais vantajosos: vale-alimentação de R$ 1,2 mil, PLR de um salário mínimo, descontos no vale-transporte e cesta natalina. “Os trabalhadores das outras indústrias também precisam ter seu trabalho reconhecido e recompensado”, defende.
Com a permanência do impasse, a expectativa agora se volta para o julgamento do dissídio coletivo, marcado para o dia 1º de agosto na Justiça do Trabalho. Até lá, os trabalhadores prometem manter os protestos nas portarias das indústrias, concentrando-se desde as primeiras horas do dia.
O sindicato também divulgou nota de repúdio à ação da Polícia Militar, apontando violação ao direito de manifestação e destacando que a greve é um instrumento legítimo de reivindicação previsto na Constituição Federal.
Críticas à greve
As associações empresariais ASES (Serra), ASSEVILA (Vila Velha) e AMEAR (Aracruz e região) divulgaram nota conjunta em que criticam duramente o Sindilimpe/ES pela condução da greve iniciada em 21 de julho. Segundo as entidades, o movimento afronta uma convenção coletiva firmada entre as partes e válida até dezembro de 2026, e vem sendo marcado por práticas abusivas, como bloqueios em plantas industriais, impedimento da circulação de trabalhadores e intimidações por parte de representantes sindicais.
As associações destacam que tais condutas já foram alvo de decisões judiciais que determinaram sua suspensão, por configurarem excesso e violação da legislação que regulamenta o direito de greve. Para os empresários, a continuidade desses atos coloca em risco a previsibilidade nas relações de trabalho, a segurança jurídica e a imagem do Espírito Santo como ambiente atrativo para investimentos.
Diante do cenário, as entidades pedem o cumprimento dos acordos coletivos, a atuação rápida das autoridades para garantir a ordem pública e a livre circulação dos trabalhadores, além da preservação das atividades empresariais. Reafirmam ainda o compromisso com o diálogo e a construção de um ambiente de negócios ético e estável no Estado.
