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Dia a dia

Chef de cozinha faz oração em rotatória na Mata da Praia

Há dois meses, Gustavo Correa reúne os moradores, cada um da sua janela e varanda, para um gesto de fé e renovação de energia

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Chef Gustavo Correa. Foto: Arquivo Pessoal

Chef Gustavo Correa. Foto: Arquivo Pessoal

 

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Diariamente, de uma rotatória, ecoam mensagens de fé e esperança. Diferentemente dos encontros tradicionais, realizados em igrejas e espaços fechados, em época de pandemia a oração ganhou as ruas e quarteirões da Mata da Praia, em Vitória. O ritual se repete há dois meses: com uma caixa de som e um microfone, o chef de cozinha Gustavo Correa inicia diariamente, às 18 horas, uma reunião dos moradores. Respeitando as regras de isolamento social, cada um, de sua janela ou varanda,  participa do gesto de fé e renovação de energia.

Um simples convite do síndico do condomínio em que mora ganhou uma força inesperada para Gustavo. A ideia era cada morador do edifício orar em sua casa às 18 horas. A ideia de ir para a varanda com um megafone surgiu, ganhou força e o chef se aventurou a rezar a Ave Maria e o Pai Nosso. A oração não chegava a todos. No dia seguinte, ele tentou fazer na porta do condomínio, mas também não era ouvido pela maioria. Foi, então, que a rotatória virou o ponto de referência para Gustavo. Dali, com um equipamento mais potente, ele pôde transmitir sua mensagem.

O momento de oração na rotatória virou rotina. Desde o dia 22 março, Gustavo dedica parte do seu dia à preparação da mensagem e à escolha das músicas. Pontualmente, às 17h30, ele desce de seu apartamento acompanhado da esposa e com a caixa de som. Posiciona -sena rotatória, dá o play nas músicas. Vizinhos aparecem nas varandas. E às 18 horas que a “Ave Maria” é tocada. Na sequência, uma mensagem é lida e, muitas vezes, pedidos atendidos.

“É claro que teve dias em que estive ali aos pedaços, mas fui e saí de lá por inteiro. Naqueles singelos minutos sou banhado da luz por quem me observa e recebo muito mais do que dou. Tenho a sensação de que uma energia muito forte passou a fazer parte das ruas, que antes eram apenas usada para carros passarem. Não se trata de religião, mas de energia”, diz Gustavo.

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E essa energia já chegou a partes da rua que o chef nem pensava alcançar. A repercussão é notada em forma de cartazes com mensagens positivas penduradas nas varandas e até mesmo nas lanternas de celulares que se acendem diariamente às 18 horas.

As iniciativa já foi além da oração e mensagens. A cada dia tem um canto coletivo de “Parabéns pra você” para aniversariantes ou mesmo um minuto de silêncio em homenagem a alguma vida perdida. “Eu me emociono em algumas situações. Devido ás igrejas fechadas, outro dia uma moça veio até mim e pediu que eu fizesse algo, pois era o sétimo dia de morte da mãe dela. Fiz uma mensagem sobre isso”, lembrou o chef.

A cada encontro, amizades vão surgindo e laços vão sendo firmados. O abraço da “Paz de Cristo” deixou de ser apenas o abraço ao familiar que está ao lado e passou a ser um cumprimento aos vizinhos de frente, lado e acima. E, apesar, da crise na economia e das vidas perdidas, Gustavo acredita que o ser humano pode sair dessa situação mais fortalecido e mais empático. Como ele mesmo se sente após cumprir seu ritual das 18 horas. Todos os dias…