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Sensibilizando pessoas, conscientizando gerações e salvando a biodiversidade

Publicado

em

  • Por Barbara Mello e Yhuri C. Nóbrega

Projeto Caiman, jacarés da Mata Atlântica. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

Projeto Caiman, jacarés da Mata Atlântica. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

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É de conhecimento de todos que a natureza é a maior riqueza do Brasil. Da natureza vem nossa cultura, nossa economia e do equilíbrio dela vem a nossa saúde e bem estar.

Contudo, vivemos em uma era conhecida pela ciência como antropoceno, na qual o planeta tem a presença da espécie Humana. Em toda história geológica do planeta terra, nunca houve tamanha perda de diversidade biológica como no antropoceno. A presença do homem na terra e os modos nos quais a nossa sociedade opera, produzem diferentes efeitos colaterais que provocam a extinção de espécies.

Com a perda da biodiversidade, a terra entra em colapso, deixando de exercer diferentes funções e serviços ecossistêmicos. Neste contexto, o Instituto Marcos Daniel (IMD) foi criado em 2004, com o objetivo de promover a conservação da natureza no Brasil. O IMD é uma organização não governamental que atua na conservação da biodiversidade, monitoramento da saúde da fauna selvagem, promove a capacitação de pessoas através de cursos e eventos técnico-científicos, realiza pesquisas e educação ambiental.

Frente aos impactos que as atividades humanas impõem sobre as populações de jacarés e a necessidade crescente de informações técnicas sobre a espécie e seu ecossistema, o IMD criou o Projeto Caiman, um programa de conservação dos jacarés do bioma Mata Atlântica.

O projeto Caiman visa o desenvolvimento científico sobre a história natural e a ecologia do jacaré-de-papo-amarelo, para sua conservação e da Mata Atlântica como um todo. O projeto já é reconhecido no Brasil e no exterior como uma importante iniciativa para a pesquisa e conservação dos jacarés brasileiros.

A atuação do Projeto Caiman é baseada em 6 pilares: pesquisa aplicada à conservação; comunicação e difusão científica; formação de jovens pesquisadores; educação e sensibilização ambiental; resgate e reabilitação de jacarés e elaboração de políticas públicas para a conservação da natureza.

A educação ambiental, desenvolvida em parceria com a empresa ArcelorMittal Tubarão, é um dos pilares mais fortes no Projeto Caiman, pois é a interface direta com a sociedade e seus conflitos socioambientais. A educação ambiental é o processo pelo qual indivíduos constroem valores e competências voltadas para a conservação da natureza. É necessário compreender e propagar que o ambiente não é propriedade individual e sim um lugar de todos os seres vivos, rompendo com a visão antropocêntrica.

Sabe-se que a grande parte dos problemas relacionados à conservação dos jacarés e seus ambientes no Brasil tem suas raízes em fatores socioeconômicos, políticos e culturais. A conservação de jacarés na Mata Atlântica tem sido uma árdua missão, sobretudo pelo cenário político, a caça ilegal e o uso da terra no bioma mais ameaçado do Brasil.

Educação Ambiental. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

Educação Ambiental. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

Por isso, transmitir informações sobre a Mata Atlântica com enfoque nos jacarés é uma missão complexa. Inicia-se pela desmistificação do animal cuja imagem em filmes e desenhos é associada a ser bravo, mau e inimigo do homem. Um dos objetivos do Projeto Caiman é promover essa mudança de percepção, pois muitas pessoas trazem consigo um preconceito sobre os jacarés. As atividades de educação ambiental levam para o público conhecimentos sobre a espécie e sua interações ecossistêmicas, exaltando a importância ecológica dos jacarés para o equilíbrio ecológico, em especial, dentro da abordagem da saúde única. O grande desafio, porém, é conduzir o público a uma mudança de atitude em relação ao uso sustentável dos recursos naturais e à valorização da vida em todas as suas formas. Isso demanda abordagens específicas para cada público alvo, associadas à identificação de problemas objetivos a serem tratados e solucionados.

Por isso, o programa de educação ambiental e difusão científica do Projeto Caiman usa diferentes formatos para os diversos públicos e objetivos como por exemplo:

  • • Educação Ambiental nas escolas públicas e privadas
  • • Eventos e manifestações culturais
  • • Sensibilização através de imagens
  • • Turismo científico
  • • Capacitação de professores e educadores ambientais para uso dos jacarés como espécie bandeira em ações de educação ambiental nas escolas
  • • Mídias sociais
  • • Centro Ecológico Projeto Caiman

Jacarés-de-papo-amarelo. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

Jacarés-de-papo-amarelo. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

No início de 2020, ainda antes da pandemia de COVID-19, o Projeto Caiman chegou à marca de mais de 1 milhão de pessoas contempladas diretamente através do programa de educação ambiental e difusão científica. Dentre as diversas ações, vale destacar as atividades de educação ambiental nas escolas e a criação do Centro Ecológico Projeto Caiman, o primeiro centro do Brasil de educação ambiental e difusão científica sobre jacarés. O grande alcance de público vem junto com o grande desafio de medir e avaliar a efetividade das ações desenvolvidas.

Essa é a meta que buscamos alcançar no sentido de orientar os esforços e o melhor emprego de recursos para as ações que são mais efetivas para o alcance dos objetivos da educação ambiental, dentro da causa dos ambientes aquáticos continentais dos quais os jacarés são parte.

Temos consciência dos desafios que enfrentamos para promover a conservação da espécie de jacaré mais ameaçada do país, que tem suas populações sob forte pressão econômica. Contudo, o aprender a preocupar-se e agir em prol do meio ambiente é gradativo, mas quando o efeito multiplicador ocorre em ampla escala, quebra as barreiras e sensibiliza pais, tios, avós, vizinhos e amigos. Assim, continuamente, a natureza ganha mentes críticas e ecologicamente orientadas.

Sobre os autores:

Barbara Mello e Yhuri Nóbrega. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

Barbara Mello e Yhuri Nóbrega. Foto: Leonardo Merçon/Projeto Caiman

Barbara Mello é bióloga, especialista em Educação Ambiental e coordenadora de Educação Ambiental do Projeto Caiman. Yhuri C. Nóbrega é médico veterinário, mestre em Ciência Animal, coordenador geral do Projeto Caiman, diretor do Instituto Marcos Daniel e professor universitário da FAESA.

Pela Natureza, o Melhor da nossa Humanidade

O Instituto Marcos Daniel é uma associação privada sem fins lucrativos qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de interesse Público. Fundado em 2004, o foco de atuação do IMD é a elaboração e execução de projetos de conservação da biodiversidade e a formação de multiplicadores para a conservação da natureza. Neste propósito, temos contado com o apoio institucional de diversos órgãos públicos, universidades, ONGs e empresas, formando uma rede de elevado capital social e ampla capilaridade na sociedade, promovendo assim a conservação do maior patrimônio do Brasil, a sua biodiversidade.

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.