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Conhecer a natureza é uma super aventura!
- Por Valdívia da Rocha Ferreira Caetano

Foto: Acervo IMD
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Considerando nossa vivência predominantemente urbana, a expressão “educação ambiental” nos remete a uma prática segmentada, executada por grupos defensores da natureza, biólogos meio “bicho-grilo”, grupos ativistas ou professores de ciências e biologia que se identificam com a causa.
Mas já parou para pensar sobre o que de fato é o meio ambiente? E a educação? Como podemos conceituar esses dois termos e identificar o ponto de convergência de ambos?
Paulo Freire conceitua educação como: “processo constante de criação do conhecimento e de busca da transformação e reinvenção da realidade pela ação e reflexão humana”. Essa definição nos leva a entender que educação é um processo contínuo, pautado nas vivências e conhecimento adquiridos ao longo da vida, promovendo a compreensão do meio em que vivemos e influenciando nossos atos cotidianos.

Foto: Acervo IMD
A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6938/81) define meio ambiente como: “conjunto de condições, leis, influências e infraestrutura de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Essa definição é bem abrangente, pois trata o meio ambiente como um conjunto de recursos, naturais ou não, infraestrutura e ações, que regem a existência humana e sua interrelação com o lugar onde se vive “em todas as suas formas”.
A maior parte das pessoas utilizam a expressão meio ambiente de forma segmentada, entendendo de que se resume apenas à natureza ou aos recursos naturais. Essa percepção traz uma visão equivocada de que a responsabilidade pela conservação se limita aos biólogos e profissionais que trabalham em defesa de uma bela espécie de ave, de um grupo de tartarugas fofas, dos impressionantes jacarés e sapinhos na lagoa e eximem assim a responsabilidade política e corresponsabilidade do “cidadão comum” no contexto da conservação.

Foto: Acervo IMD
Porém, o atual cenário da degradação do meio ambiente, em todos seus ecossistemas, demanda uma reflexão e mobilização sobre práticas sociais que promovam a educação ambiental crítica e inovadora, capaz de estimular uma reflexão sobre a relação indivíduo-natureza / ambiente-desenvolvimento.
A educação ambiental, de acordo com a UNESCO, é um processo permanente na qual o indivíduo e a comunidade tomam conhecimento do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, habilidades, experiências, valores e determinação que os tornam capazes de agir individual ou coletivamente, na busca de soluções para os problemas ambientais presentes e futuros.
Pensando dessa forma conciliatória, em 2009, o Instituto Marcos Daniel criou o Projeto Simbora Pro Parque (SPP), que tem como foco promover a educação ambiental juntando atividades recreativas e científicas em Unidades de Conservação, resgatando o nosso convívio com a natureza por meio de experiências transformadoras e correlacionadas com o cotidiano.
Mas, o que é uma Unidade de Conservação? Porque essas ações são realizadas nessas áreas especificamente? Simbora entender:
Unidade de Conservação, é um “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”, ou seja, são áreas naturais, que apresentam relevância biológica, legalmente protegidas, abrangendo ambientes terrestres e costeiros.

Foto: Acervo IMD
Normalmente as pessoas conhecem algumas categorias de UC como os parques e reservas. No estado do Espírito Santo temos UCs bem famosas e muito frequentadas, como: Parque Estadual da Pedra Azul (na região das montanhas capixabas, onde fica a Pedra Azul e a Pedra do Lagarto); Parque Estadual de Itaúnas (famoso pelas dunas); Parque Estadual da Fonte Grande (onde fica o principal mirante da capital Vitória); Parque Nacional do Caparaó (famoso pelo Pico da Bandeira), dentre outros.
O Simbora pro Parque é pensado e realizado em Unidades de Conservação?
As UCs são verdadeiros laboratórios ao ar livre, instrumentos de conservação e de educação onde é possível sensibilizar o indivíduo através da experiência direta. Nelas podemos demonstrar de forma prática os serviços ambientais que sustentam nossa vida na Terra, tais como a conservação dos recursos hídricos, a disponibilização de matéria prima para indústria farmacêutica, cosmética e alimentícia, o controle do clima, controle de erosões, polinização das plantas, controle de pragas e vetores de doenças entre outros serviços ambientais, além de permitir a recreação, lazer e contemplação em meio à natureza.
O SPP tem três formatos:
– SPP original: ecoturismo, aberto ao público em geral, trilheiros, estudantes, pessoas que buscam lazer em atividades em contato com a natureza.
– SPP pedagógico: voltado para incentivo de uso das UCs como ferramenta de ensino.
– SPP científico: para conhecer a vida do pesquisador da fauna silvestre.
O projeto adota como estratégia, a adequação de conteúdo e prática para atender os interesses de cada grupo, porém mantendo a base científica em todas as atividades tendo como tema central a conservação.
O SPP alcançou resultados muito legais como participações e publicações em eventos científicos da área ambiental (regional e nacional), realizou projetos de pesquisa, expedições cientificas em vários locais como Pantanal, Fernando de Noronha, Abrolhos e atividades pedagógicas nos Parques Estaduais da Pedra Azul, Forno Grande, Fonte Grande, Cachoeira da Fumaça, Itaúnas e Parque Nacional do Caparaó. Também promovemos um curso de capacitação para professores da rede estadual e curso de condutores de ecoturismo da região de Pedra Azul, ES.
As experiências dos participantes vão muito além do conhecimento. Tomar banho de cachoeira e em piscinas naturais ou em ilhas desertas, aquele pôr-do-sol no mar ou no alto da montanha, aquele frio na barriga ao identificar uma pegada de onça na trilha, ajudar a conter um jacaré no Pantanal, tirar aquelas fotos que só se vê nas revistas, participar das comunidades tradicionais provando comidas típicas ou se tornar pesquisador por uns dias em lugares inacessíveis. Essas experiências são transformadoras e contribuem para a consolidação da percepção ambiental mais crítica.
Conhecer a natureza é uma super aventura! Não só isso, é também um super aprendizado. Ao longo de 11 anos de experiência do SPP, percebemos que as informações transmitidas durante as expedições não são apenas ferramentas didáticas, mas a provocação gerada a partir dessa vivência é que eleva a experiência para a interpretação, e essa sim, aguça os sentidos para a construção do novo pensamento e de uma atitude sustentável
Que tal aprender se aventurando ou… se aventurar aprendendo?
Você pode escolher. Simbora pro Parque! Devido à pandemia, as expedições planejadas para 2020 foram suspensas, pois nossas atividades são de vivência direta, mas estamos prontos para voltar no momento oportuno e seguro. Clique aqui e acompanhe nossas notícias.
Sobre o autor

Valdívia da Rocha Ferreira Caetano
Valdívia da Rocha Ferreira Caetano, gestora ambiental e gestora de recursos humanos, pós-graduada em administração do terceiro setor. Atualmente diretora do IMD, Coordenadora do Projeto Simbora Pro Parque e atua na mobilização social e de ações de educação ambiental do Programa de Conservação da Saíra Apunhalada.
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.
