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A expressão “conhecer para preservar” nunca fez tanto sentido
Vivemos a era virtualizada, onde crianças passam horas e horas confinadas no universo dos smartphones, jogando videogame ou estagnados na frente da TV, tendo como referência o mundo irreal e editável ao alcance das mãos.
Por outro lado, depositamos nessas mesmas crianças o futuro da humanidade. Mas será que, como sociedade, temos preparado essas crianças para a vida real no quesito cidadãos ambientalmente responsáveis?
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A famosa pergunta: “que mundo você quer deixar para seus filhos?” não faz mais sentido, deveria ser: “que filho você quer deixar para o mundo?”
Os problemas ambientais, contra os quais lutamos são urgentes e dependem do envolvimento sério e responsável de toda a sociedade. As soluções são de caráter imediato, mas na prática não é simples. Para vivermos em harmonia com a natureza dependemos do nosso comprometimento adquirido através do conhecimento.
A natureza vista pelas telas é distante, não reflete a real dimensão, conexão e importância para nós humanos. Somos a parte dependente dessa relação e contraditoriamente somos a parte que usufrui sem zelo e se distancia cada vez mais precocemente.
É neste contexto que o Instituto Marcos Daniel (IMD) desenvolve o Simbora Pro Parque Pedagógico. Projeto que promove a inserção de professores nas Unidades de Conservação (UC) e incentiva o uso pedagógico dessas áreas como espaço não formal de ensino.
Chamamos essa prática de educação ambiental ativa ou imersiva, onde o professor tem a chance de construir e aprimorar seu próprio conhecimento, tendo a natureza como ferramenta de ensino.
São muitas as possibilidades pedagógicas resultantes dessa imersão: identificação de elementos naturais adaptáveis ao conteúdo didático; elaboração de roteiros e planos de aula usando os elementos naturais como recursos; realização de visitas monitoradas para aulas práticas; promoção do contato do aluno com a natureza fora dos jardins do condomínio; conexão do dia a dia com os serviços ambientais prestados pela natureza que são esquecidos com a rotina ou na maioria das vezes desconhecidos.
Juntos, o professor, o ensino formal e as UC podem tornar as experiências de aprendizado marcantes, contribuindo para a construção da percepção ambiental e da resposta satisfatória, do ponto de vista da conservação, para a pergunta: “que filho você quer deixar para o mundo?”
A construção da consciência ambiental passa pela relação direta com a natureza e essa relação deve ser desenvolvida desde cedo. Para que se crie vínculo e reconhecimento como parte é necessário que as crianças sejam estimuladas, para que desenvolvam o senso de pertencimento e responsabilidade.
Sensibilizar e estimular o professor através da vivência eleva a chance de promover o engajamento dos seus alunos, o que pressupõe o desenvolvimento de cidadãos capazes de compreender o meio que vivem a ponto de tornarem o futuro viável.
Quanto à tecnologia citada inicialmente como um fator limitante para a experiência, não pode ser excluída do contexto, convenhamos que seria uma competição injusta e até estúpida. Pelo contrário a tecnologia é uma ferramenta poderosa que quando bem empregada, facilita o estudo, oportuniza interações e une diferentes grupos de conhecimentos dos quatro cantos do mundo. Sendo usada como ferramenta pedagógica é uma importante aliada na disseminação do conhecimento e torna o processo educativo mais ativo e atrativo.
Que tal aprender se aventurando ou… se aventurar aprendendo?
Você pode escolher. Simbora pro Parque! Devido à pandemia nossas atividades estão suspensas, mas estamos prontos para voltar no momento oportuno e seguro. Clique aqui e acompanhe nossas notícias.
Sobre o autor

Valdívia da Rocha Ferreira Caetano
Valdívia da Rocha Ferreira Caetano, gestora ambiental e gestora de recursos humanos, pós-graduada em administração do terceiro setor. Integrante da diretora do IMD; Coordenadora do Projeto Simbora Pro Parque, Coordenadora de mobilização social e educação ambiental do Programa de Conservação da Saíra Apunhalada.
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.
