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Bem-estar

Melatonina: a diferença entre o hormônio no Brasil e nos EUA

Conhecida popularmente como “hormônio do sono”, a melatonina vendida no Brasil possui restrições em sua dosagem

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Remédio; medicamento; farmácia. Foto: Freepik

A fórmula da melatonina vendida no Brasil é de, no máximo, 0,21 miligramas por dia. Foto: Freepik

Desde 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a comercialização da melatonina, também conhecida como hormônio do sono, nas farmácias e sem prescrição médica. Diferente de outros países como os Estados Unidos e em alguns da Europa, onde o medicamento foi regulamentado antes e com poucas restrições.

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No Brasil, a maior diferença do hormônio se encontra na dosagem. Por aqui, a fórmula é de, no máximo, 0,21 miligramas por dia. Ao contrário de outros países em que as doses podem chegar até 5 mg.

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Segundo a médica do sono Jéssica Polese, a liberação no Brasil não ascendeu muita preocupação pela dosagem ser pequena. A especialista ainda faz um alerta sobre o uso. “A melatonina não é um tratamento para insônia. Ela é indicada para pessoas que possuem distúrbio de ritmo, trabalham em turnos, em casos de jet lag e para pessoas cegas, pois o hormônio as ajudam a sintonizar a diferença entre dia e noite”, explica.

Diferença da melatonina no Brasil x EUA

Apesar de ser enquadrada como um suplemento alimentar no Brasil e poder ser comprada sem prescrição, a médica Jéssica Polese dá um aviso: ela não é uma medicação, é um hormônio, e embora sua função seja atuar sobre o sono, há uma preocupação dos médicos sobre como ela irá agir nas células do organismo.

“A melatonina não é natural e tem efeitos colaterais, que podem se manifestar por meio de irritabilidade e em doenças autoimunes. Sintomas que mais acontecem são o tremor, dificuldade de raciocínio e memória, entre outros”, informou.

A médica explica que não é recomendado o uso livre. O correto é procurar um médico para orientação.

A própria Anvisa também adverte sobre a utilização do produto, que não deve ser consumido por “gestantes, lactantes, crianças e pessoas envolvidas em atividades que requerem atenção constante”.

Nos Estados Unidos, é possível encontrar o hormônio sendo vendido em supermercados, com dosagens de até 5mg. Mais de 2% dos americanos usam regularmente melatonina.

Os dados mostram o crescimento da venda do medicamento. Em 2017 foram US$ 339 milhões. Em 2020 o número subiu para US$ 821 milhões.

Segundo relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), de 2011 a 2021, as linhas de ajuda atenderam mais de 260 mil chamadas de crianças que ingeriram doses altíssimas de melatonina. Desses, 300 precisaram ficar em observação na UTI e 4 mil crianças foram hospitalizadas.

Já no Brasil, doses maiores só é possível com prescrição médica. Além disso, o produto é vendido em embalagens de conta gotas, o que dificulta ainda mais o aumento de dose.

A noite chega e a melatonina também

Um aspecto muito importante para se entender sobre a melatonina: ela é produzida naturalmente no organismo. O hormônio é produzido na ausência da luz, por isso, ele também é conhecida como “hormônio do escuro”.

Ele é gerado pela glândula pineal, uma estrutura localizada bem bem no centro do cérebro. Portanto, conforme o sol se põe e anoitece, a produção da melatonina passa a acontecer no corpo. O intuito é preparar o organismo para o sono e o descanso.

Ou seja, a função principal do hormônio é facilitar o sono. “Esse hormônio liga todas as células do nosso corpo. É dessa forma que os órgãos sabem que é noite, por exemplo”, esclarece Jéssica.

Conforme a noite se transforma em dia e os primeiros raios de sol aparecem, a produção de melatonina é interrompida e o corpo começa a se preparar para despertar.

Por isso é preciso se atentar a exposição de luz durante a noite, pois elas atrapalham na produção do hormônio, podendo até mesmo inibir do organismo. E a baixa de produção pode trazer consequências para a qualidade do sono.