Dinheiro
Retorno da Samarco deve injetar R$ 50 mi no estado
Empresa funcionará com apenas 26% da capacidade operacional. Antes da tragédia da lama, Espírito Santo arrecadava R$ 180 milhões

Samarco aguarda licença para voltar a operar. Foto: Chico Guedes
O retorno das atividades da Samarco, previsto para daqui a 12 meses após liberação de licença, deve injetar mais de R$ 50 milhões nos cofres públicos do estado ao ano. Essa é a estimativa de aumento na arrecadação de ICMS do governo do Espírito Santo com a volta das operações em Ubu, Anchieta, que funcionarão com apenas 26% da capacidade operacional. Antes do rompimento da barragem de rejeitos em Minas Gerais, há quase quatro anos, o estado arrecadava R$ 180 milhões ao ano com a Samarco.
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A empresa representava cerca de 5% do PIB capixaba, segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Marcos Navarro. Um ano depois da paralisação, a queda geral no índice foi de cerca de 13,8% ao comparar os três primeiros trimestres de 2016 com 2015. Só na produção da indústria extrativa, o recuo foi de 36,8% no início de 2016.
“O retorno da empresa é muito aguardado não só pelo aumento na arrecadação como também pela criação de um ambiente de negócios favorável em todo o Sul do estado. Guarapari, Cachoeiro de Itapemirim e Alfredo Chaves também são beneficiados.”
Já Anchieta, município que teve a economia diretamente afetada com a paralisação da empresa, estima impacto positivo com a volta das operações da empresa, com o pagamento de ISS (Imposto Sobre Serviços). Por ano, esse incremento deve ser de R$ 8 milhões.
Quando a empresa trabalhava com sua capacidade máxima, a cidade arrecadava R$ 32 milhões. “Num primeiro momento, o impacto positivo vai ser no ISS, porque a Samarco trabalha com muitas empresas terceirizadas, e deve retomar vários contratos”, explica o secretário da Fazenda de Anchieta, Dirceu de Mattos.
A receita gerada pela Samarco representa 60% do ICMS do município. Até a paralisação, Anchieta chegou a arrecadar R$ 150 milhões, sendo R$ 90 milhões da mineradora. A expectativa agora é de cerca de R$ 20 milhões. E apesar da queda, a volta é vista como positiva pela administração pública por gerar emprego, renda e movimentar o comércio.
Licença para operar deve sair nesta sexta
Paralisada desde o rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, a Samarco aguarda para este mês a liberação da última licença, a LOC (Licença de Operação Corretiva), pela Semad (Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais). A reunião para análise do processo acontece nesta sexta-feira, em Minas Gerais.
Após a liberação, a mineradora vai realizar obras para o novo sistema de tratamento e disposição de rejeitos, que devem demorar 12 meses.
