Dia a dia
Número de divórcios cresce 9% durante a pandemia no Espírito Santo
O ano de 2020 registrou 2519 divórcios, 9% a mais que em 2019, quando 2294 casais decidiram dissolver a união em cartório

Aumentou o número de divórcios no Espírito Santo. Foto: Pixabay
Em um período que ficou marcado por meses de isolamento social e por famílias que passaram a conviver 24 horas por dia devido à pandemia da covid-19, aumentou o número de casais que viraram o ano divorciados no Espírito Santo. Os cartórios registraram, em 2020, 2.519 divórcios, 9% a mais que em 2019, quando 2.294 casais decidiram dissolver a união de forma oficial.
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Os dados são do Colégio Notorial do Brasil (CNB), que representa os cartórios de notas. E uma avaliação dos números mostram a influência da pandemia na dissolução dos casamentos: no Espírito Santo, houve crescimento no número de divórcios a partir de junho. Foram mais de 200 registros até dezembro, sendo que o mês com mais divórcios foi setembro, com 286 casos.
Rodrigo Reis Cyrino, presidente do CNB-ES, explica que divórcio pode ser feito em cartório se for consensual e o casal não tiver filhos menores de idade. A dissolução do casamento é feita na hora. “O crescimento dos divórcios foi enorme. Um dos motivos é que o convívio maior acabou trazendo desgastes nas relações”, explica.
Para a advogada especialista em direito de família Kamilla Dias, a pandemia não foi por si só a causa do fim dos casamentos, mas contribuição para agravar os problemas do casal, inclusive financeiros. “Em muitos casos o casal já estava com ruídos e a pandemia serviu para potencializar os problemas já existentes na relação, com a família em casa o dia inteiro. Ninguém de uma hora para outra decide romper casamento”, avalia.
Ela conta que teve casal que decidiu se separar na pandemia, mas precisou continuar vivendo juntos, pois não conseguiam alugar outro lugar. Eles se separaram dentro de casa e permaneceram morando juntos, mesmo com o divórcio. “Eu até perguntei se não queriam esperar para seguir com o divórcio, mas eles responderam que não estavam aguentando ficar juntos por uns meses quem dirá pela vida inteira”, conta.
Número de testamentos cresce
Outro documento que teve aumento nos cartórios foi o testamento. O número de pessoas que resolveram deixar registrados seus desejos de divisão de bens após a morte cresceu 34% de 2019 para 2020. Em 2019 foram formalizados 275 testamentos, enquanto em 2020 o número subiu para 369.
“Não tinha cultura de testamento no Brasil, mas a pandemia trouxe esse sentimento de morte. As pessoas estão se preocupando mais em definir a divisão dos seus bens ou até resolver pendências gerais, pois o movimento dos cartórios aumentou em 2020. A maior parte das pessoas que procuram o cartório para fazer testamento tem acima de 50 anos”, explica o presidente do CNB-ES.
A advogada Kamilla Dias acrescentou que esse movimento aconteceu principalmente nas classes mais favorecidas, que inicialmente também foram mais acometidas pela covid-19. “A iminência de doença fatal fez com que muitas pessoas se adiantassem para deixar no papel as suas vontades”, avalia.
