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Bem-estar

Médico alerta para os sintomas após cura da covid-19

Em casos mais leves, a parte cognitiva do paciente é a mais afetada, já nos casos graves da doença, há risco de demência e atrofia

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Com um número crescente de relatos em pacientes que se curaram da covid-19, a comunidade científica ainda tenta compreender a origem das sequelas surgidas em pacientes recuperados da doença, na busca de um tratamento adequado. Na coluna desta quinta-feira (25) da rádio BandNewsFM, o médico intensivista Adenilton Rampinelli abordou os principais sintomas surgidos após a cura da covid. A parte cognitiva é a principal reclamação dos casos mais leves da doença. Já os eventos mais graves e até mesmo o risco de óbito aparecem após quem se recuperou de internação na UTI.

Mesmo em pacientes que passaram por um grau leve de infecção, há relatos de distúrbios do sono e perda da memória recente. Além disso, há casos de transtornos depressivos e amnésia. Isso porque o sistema cognitivo, responsável pelo pensamento e raciocínio lógico, é um dos pontos mais afetados pelo vírus, que se aloja no sistema nervoso central.

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O médico explica que a afinidade da doença com o sistema nervoso central se dá pela contaminação por vias respiratórias. O primeiro contato acaba sendo a região do nariz, onde estão as células nervosas responsáveis pela captação do olfato. Por isso durante a infecção é normal a perda de sentidos como olfato e paladar.

Ao inflamar o sistema nervoso central, o vírus é capaz também de alterar a audição, além de eventualmente também causar dor de cabeça, falhas na visão, gerar dormências no corpo e alterações no sono. Devido à natureza recente do vírus, não se sabe ainda se os efeitos pós-covid são ou não definitivos.

Músculo e circulação do sangue

O risco de mortalidade e de consequências mais graves do vírus foram observados principalmente em pacientes que receberam sedação e foram entubados. Adenilton conta que em um espaço de 6 meses após a alta, de cada quatro pacientes internados na UTI por decorrência do vírus, pelo menos um vem a óbito.

Em casos mais graves da doença, os pacientes acabam perdendo uma quantidade significativa de qualidade de vida ou adquirindo algum tipo de patologia. O paciente que ficou muito tempo internado pode desenvolver perda muscular pela sedação, precisando recorrer à fisioterapia.

Há casos de pacientes com perda muscular que retornaram para casa acamados, voltando a andar meses depois de ter vencido a doença. Nesses, principalmente pela comprometimento da circulação sanguínea, há risco de trombose e aumento do risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Demência e infecções

O médico explica também que doentes graves que foram intubados podem sofrer alterações neurológicas, induzindo à síndromes demenciais, como o alzheimer no caso de idosos. O intensivista alertou também para quadros de desnutrição em pacientes que deixaram a UTI.

Profissionais de saúde também observaram nesses pacientes a ocorrência de reinternações devido à infecções bacterianas pelo comprometimento do sistema imunológico.

Adenilton reforça que no primeiro sinal de qualquer um dos sintomas relatados, é necessário buscar um profissional para fazer o acompanhamento específico. E conclui que o foco atual segue sendo evitar o contágio, mas também observar com cautela os pacientes que se recuperaram da doença.