Dia a dia
Atingidos pelo desastre em Mariana fazem protesto contra novo acordo
Grupo que sofreu com rompimento da barragem há quase sete anos protestou em frente ao hub da Vale na Enseada do Suá, na capital capixaba

Protesto de atingidos pela lama nesta quarta-feira. Foto: Divulgação
Um grupo de atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), ocorrido há quase 7 anos, fez um protesto na manhã desta quarta-feira (22) em frente ao Hub da Vale, uma das acionistas da Samarco, na Enseada do Suá, em Vitória. Os atingidos se dizem preocupados com os rumos do novo acordo que está sendo elaborado sobre o rio Doce. Durante o protesto, os manifestantes chegaram a despejar lama na entrada do prédio do Hub da Vale.
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Após dois acordos que não foram satisfatórios para as partes, um novo documento está sendo elaborado com intermédio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os atingidos querem ter voz na tomada de decisões e ter acesso a indenizações, negadas para muitos impactados. Por isso, os atingidos se reúnem em assembleia popular nesta quarta-feira (22) para deixar públicas as suas demandas e denunciar a atuação das empresas na mesa da repactuação. Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), após dois acordos não cumpridos, a empresa continua ditando para a Justiça qual será sua pena.
“Enfrentamos a maior criminosa do mundo, com mais de 300 mortes nas costas pelos dois crimes recentes de Mariana em 2015 e Brumadinho em 2020. Para essa luta, chamamos os demais setores da sociedade que também são atingidos pelos inúmeros crimes cometidos pela Vale no decorrer de seus mais de 50 anos de modelo de exploração que distribui prejuízos e morte para a sociedade, e lucro para uns poucos”, diz o MAB.
O grupo manifestante lembrou ainda que na cidade de Vitória a população é atingida pelo pó preto e a toda a população do estado é atingida pelas praias contaminadas pela Vale e Samarco.
“A empresa Vale não dialoga com as comunidades atingidas, nem com sindicatos, movimentos ou outros grupos que se organizam em defesa dos seus interesses frente à empresa. Mais que isso, trata como caso de polícia as suas vítimas, criminalizando, espionando, prendendo e até ameaçando o povo que luta”, afirma o movimento, em nota.
Procurada para comentar a manifestação, a Vale informou que a repactuação dos programas socioeconômicos e socioambientais, criados pelo Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) estava prevista no TAC-Gov, firmado em 2018, entre empresas e o poder público. As conversas têm ocorrido no âmbito do Observatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O intuito da repactuação é discutir, programa a programa, como é possível otimizar o processo reparatório através de soluções objetivas e concretas para conferir celeridade, eficiência e definitividade.
Participam dos debates a Samarco, suas acionistas (Vale e BHP) e diversas entidades do poder público e instituições de justiça, que representam os interesses da sociedade civil, tais como os ministérios públicos e defensorias públicas, de Minas Gerais, do Espírito Santo e da União Federal. Além de reuniões presenciais, ocorreram ao menos três audiências públicas, transmitidas ao vivo, com ampla participação de atingidos e representantes de movimentos sociais. Também participaram das audiências públicas, o próprio CNJ, os Ministérios Públicos e as Defensorias Públicas, também envolvidas na negociação.
A Vale, como acionista da Samarco, reforça o compromisso firmado na Carta de Premissas de 22 de junho 2021, bem como na reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.
