País
Diretor da PF troca chefe no AM após notícia-crime contra Salles
O delegado Leandro Almada vai substituir Alexandre Saraiva, que foi o pivô da primeira crise envolvendo a PF, o ex-ministro Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro
O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu fazer mais uma troca na chefia das unidades regionais da corporação. O delegado Leandro Almada vai substituir Alexandre Saraiva no comando no Amazonas.
A decisão sobre a troca ocorreu nesta quarta, 14, mesmo dia em que Saraiva enviou ao Supremo Tribunal Federal notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. A justificativa é a de que o delegado já havia sido comunicado sobre a mudança.
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Na peça enviada ao STF, Saraiva acusa Salles e o senador Telmário Mota de atuarem em favor de investigados da Operação Handroanthus GLO, que mirou extração ilegal de madeira na Amazônia no final do ano passado.
Não há definição sobre o novo cargo que Saraiva irá assumir, mas o atual chefe da PF no Amazonas teria sido convidado para ir para uma missão no exterior – e ainda não teria decidido sobre o assunto.
O sucessor de Saraiva, Almada, já atuou como número 2 do atual chefe da PF no Amazonas e já foi responsável pelo grupo de investigações ambientais sensíveis na superintendência.
Saraiva está há quatro anos na chefia da PF da Amazonas e já houve ensaios para sua saída da superintendência. O delegado foi o pivô da primeira crise entre o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, em 2019.
Na ocasião, após Bolsonaro antecipar a saída do delegado Ricardo Saadi da superintendência da PF no Rio e a corporação indicar que o chefe da unidade fluminense seria Carlos Oliveira para a vaga, Bolsonaro afirmou que ‘ficou sabendo’ que Saraiva, próximo dos filhos do presidente, iria assumir o posto na superintendência.
O delegado chegou a prestar depoimento sobre o caso no âmbito do inquérito aberto para investigar suposta tentativa de interferência política do presidente na PF.
Desde que assumiu a direção-geral da corporação, Maiurino já definiu os integrantes da cúpula da corporação durante a sua gestão e ainda decidiu fazer mudanças nas superintendências de São Paulo, Santa Catarina e Bahia.
Estadão Conteúdo
