Dia a dia
Matriarca da família Sá Cavalcante morre aos 98 anos no ES
Irami Machado de Sá Cavalcante deixa legado de força e generosidade

Irami Machado de Sá Cavalcante, matriarca centenária da família Sá Cavalcante, faleceu aos 98 anos. Foto: Arquivo Pessoal
Uma inevitável tristeza pela perda, mas também a certeza de ter acompanhado, ao longo de décadas, uma vida plena de força, alegria e generosidade. Dessa forma os filhos, netos, bisnetos, parentes e amigos receberam a notícia da morte de Irami Machado de Sá Cavalcante. A matriarca da família Sá Cavalcante faleceu nesta quarta-feira, dia 2, aos 98 anos.
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Irami demonstrou sua enorme força ao longo de toda a vida. Nascida em Crateús (CE), filha de um empresário bem sucedido, com negócios ligados à agricultura e à exportação, ela se casou em 1948 com Walter Cavalcante, então deputado estadual com uma carreira em ascensão. Proprietário do jornal “O Estado”, Walter já abria a trilha seguida, décadas depois, pelo seu filho mais velho, Walter Cavalcante Júnior. “Quando lançamos o jornal Metro, em Vitória, em 2014, minha mãe comentou comigo: ‘Você está deixando seu pai, lá em cima, muito feliz’”, relembra Walter Cavalcante Júnior, presidente do Grupo Sá Cavalcante.
A força da mãe
O destino colocou a força de Irami à prova em 1954. Ela morava no Rio de Janeiro, então capital federal, quando o marido, cumprindo mandato de deputado federal, faleceu aos 38 anos. Com três filhos novos (Walter, nascido em 1949, Leila, em 1951, e Karla, em 1954), Irami decidiu retornar para a casa do pai em Fortaleza. Tempos depois, olhando para esse período, ela definiu: “Foi um aprendizado.” Era preciso seguir. E ela seguiu.
E passou a trabalhar. Muito. Suas filhas lembram como ela era detalhista. Por isso, contava centavo por centavo quando fechava o caixa da Previdência Social, onde trabalhava. Aposentou-se no início dos anos 1960. E passou a dedicar-se ainda mais à sua maior paixão: sua família.
A alegria em família
Os encontros com filhos, netos, bisnetos eram uma mescla de alegria e de lições de vida. Quando necessário, dava bronca. “Ela não tinha essa história de ‘vovó docinho’. Ela nos dava puxão de orelha, era rígida. Foi fundamental para nossa educação”, lembram os netos.
Quando não estava nos alegres encontros com a família, gostava de fazer palavras cruzadas, de criar, fazer tricô, jogar baralho e também de fazer atividade física para se orgulhar, depois, dos resultados de seus exames de sangue. “Não dão nada!”. Era extremamente cuidadosa com a casa e consigo mesma. Assumia ser muito vaidosa.
A generosidade, sempre
Católica, dona Irami perguntou há pouco tempo a um padre: “Padre, eu tenho uma dúvida: eu vou poder ver eles lá do céu?” O seu cuidado com a família era total. Enfrentou momentos duros, mas, em vez de ser consolada, consolou. E quando pôde, resumiu para uma das filhas a sua maneira de encarar a vida em uma frase: “Sempre que você tiver a oportunidade de ser boa, seja boa.” Onde estiver, dona Irami vai poder ver seus filhos, netos, bisnetos. Certamente vai se orgulhar do carinho com que cada um deles relembra sua passagem pela vida. “Cumpriu sua missão”, dizem eles. E cumpriu deixando ensinamentos de força, alegria, generosidade. De humanidade, enfim. Isso não é para muitos…
