Bem-estar
Mitos e verdades sobre as doenças da tireoide
A Federação Internacional de Tireoide estabeleceu a Semana Internacional da Tireoide, sendo 25 de maio a data em que se comemora o Dia da Tireoide

Tireoide. Foto: FreePik
A tireoide é uma das estruturas mais importantes do organismo humano. É responsável pela produção de hormônios que regulam praticamente todas as funções do corpo, desde o humor, até o peso, as batidas do coração, o trânsito intestinal, entre muitas outras. Ela possui dois lobos com formato de “borboleta” e atua na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), responsáveis pela regulação de todos os sistemas do organismo.
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De acordo com a endocrinologista da Rede Meridional, Camila Pitanga Salim, é muito prevalente a presença de alterações na glândula tireoide, principalmente na população feminina. Geralmente estão relacionados à quantidade de hormônios liberados pela glândula. Portanto, cada situação gera um certo tipo de disfunção. A médica explica que “as doenças da tireoide podem aparecer em todas as idades, inclusive nos recém-nascidos, crianças e adolescentes,e principalmente nas mulheres em idade fértil”, revela.
Dentre os principais problemas, estão:
Hipertireoidismo: os hormônios da tireoide são liberados em grande quantidade, fazendo com que o organismo comece a trabalhar de forma mais veloz do que antes. Alguns dos sintomas são agitação fora do normal, aumento da frequência cardíaca e palpitações, perda de peso, e suor em excesso. Existem múltiplas causas para esse problema e a principal delas está relacionada a doenças autoimunes, mas algumas medicações, processos inflamatórios, ou mesmo alguns nódulos na glândula podem ser os causadores .
Hipotireoidismo: a tireoide libera menos hormônios, fazendo com que o corpo funcione mais devagar. Alguns dos sintomas são sonolência, redução da frequência cardíaca, cansaço, ganho de peso e depressão. Neste caso, o organismo age como se estivesse querendo poupar a pessoa de gastar muita energia.
Nódulo na tireoide: eventualmente, é possível observar o aparecimento de nódulos na tireoide, que em geral são assintomáticos. Na maior parte dos casos, quando se encontra um nódulo o seu diagnóstico é benigno e se faz o seguimento clínico. Porém, é necessário investigá-lo com ultrassonografia e algumas vezes realizar biópsia.
DÚVIDAS
A saúde da tireoide é cercada de dúvidas. E dentre elas muitas são mitos e algumas, verdades. Ter nódulos nessa glândula é sempre grave? Quais os sintomas da doença? O hipotireoidismo engorda mesmo?
Justamente para levar informação de qualidade à população, a Federação Internacional de Tireoide estabeleceu a Semana Internacional da Tireoide, sendo 25 de maio a data em que se comemora o Dia da Tireoide. A campanha tem o objetivo de promover a conscientização sobre os problemas e desafios enfrentados pelos indivíduos que têm a doença.
E neste ano, o tema aborda as informações incorretas que estão disponíveis na internet a respeito dos problemas da tireoide. A intenção é esclarecer alguns temas polêmicos e controversos para a população de modo objetivo.
Os especialistas avisam que os problemas na tireoide não dependem de idade ou de sexo. Mesmo que as alterações possam acometer qualquer perfil de indivíduo, certos grupos merecem mais atenção: como idosos com mais de 65 anos; indivíduos com histórico familiar com problemas na tireoide e outras doenças autoimunes na família como diabetes tipo 1, psoríase e artrite reumatoide; mulheres, os riscos maiores ocorrem na menopausa e durante a gestação, o que inclusive pode prejudicar o processo de gravidez; bebês e pessoas expostas à radiação, ou que foram submetidas a ela na infância.
As disfunções na tireoide têm sintomas que podem variar bastante, o que contribui para a dificuldade do diagnóstico. De maneira geral, alguns sinais são bastante característicos e merecem atenção: esquecimento e falta de concentração, emagrecimento, ganho de peso exagerado, alterações intestinais, sonolência ou agitação, dores musculares, pressão alta, pele seca e queda de cabelo, desconforto no pescoço e na garganta, além de surgimento de nódulos ou caroços na área próxima ao pomo de adão.
As alterações na produção dos hormônios da tireoide têm tratamento, podem depender do uso contínuo de medicamentos para regular sua função. Ou seja, o tratamento é eliminar os sintomas, restabelecer as funções do organismo, prevenir agravamentos e garantir a qualidade de vida do paciente. Os remédios servem para bloquear ou aumentar os níveis de hormônios tireoidianos no sangue. Isso significa que as substâncias e sua dosagem variam de acordo com cada tipo de manifestação e as características do indivíduo.
SEGUEM ALGUNS MITOS E VERDADES
O hipotireoidismo é muito comum
Verdade. A doença chega a afetar de 8 a 12% dos brasileiros. Mulheres e idosos são os mais acometidos pela baixa produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4).
A obesidade pode ser causada pelo hipotireoidismo
É mito. Esse quadro resulta em alguns quilos a mais na balança. No entanto, isso acontece, acima de tudo, por conta do acúmulo de líquidos. Em outras palavras, a pessoa guarda mais água no corpo. É possível que a indisposição tire a vontade de se exercitar, por exemplo.
Recém-nascidos também podem ter alterações na tireoide
Verdade. O hipotireoidismo congênito ocorre quando a glândula do recém-nascido não é capaz de produzir os hormônios da tireoide, fundamentais para o desenvolvimento do bebê. Por isso é essencial realizar o Teste do Pezinho nos primeiros dias após o nascimento, que diagnostica o hipotireoidismo congênito e outras doenças, esclarece a endocrinologista.
A causa do câncer de tireoide pode ser estabelecida
É um mito. Os cânceres de tireoide podem ou não apresentar caráter hereditário. Além disso, podem estar associados à exposição a elevadas doses de radiação, principalmente na infância. No entanto, na maioria dos casos, a causa não pode ser estabelecida.
Existem vários tipos de câncer da tireoide, sendo o mais comum o papilífero, seguido do folicular. No Brasil, trata-se do 5º câncer mais comum entre as mulheres.
O câncer de tireoide é mais comum em pessoas com histórico de exposição a altas doses de radiação, histórico familiar de câncer de tireoide, especialmente se mais de três membros da família de primeiro grau já tem o câncer confirmado, e com mais de 40 anos de idade.
O aparecimento de nódulos tireoidianos pode ser evitado
É mito. Ações relacionadas a uma vida saudável são sempre bem-vindas. A cessação do tabagismo, a utilização de uma dieta equilibrada, a prática adequada de atividade física, e o uso do sal iodado são medidas voltadas para a saúde em gera e tireoidiana, porém essas ações não evitam o aparecimento de todos os nódulos de tireoide.
