Vinhos brancos para acompanhar a torta capixaba - ES360

Vinhos brancos para acompanhar a torta capixaba

Foi uma degustação curiosa. Há alguns anos, por iniciativa de Silvestre Tavares Gonçalves, decidimos fazer uma prova para escolher o melhor vinho branco para acompanhar a torta capixaba. Bem, quem conhece Silvestre, grande entendedor e figura generosa, sabe: ele não é dado a ser comedido em suas missões enológicas. Nem eu. Chegamos ao local escolhido para a prova, eu com um lote de garrafas, Silvestre com outro. Juntamos uns 14 rótulos. Foi quando lhe perguntei: “Ótimo! Quem vai participar da prova?” E Silvestre, para meu espanto: “Por enquanto, eu e você. Eu convidei algumas pessoas, deve aparecer alguém…” Fiquei imaginando como sairíamos da prova após dividirmos, eu e ele, as 14 garrafas. Mas apareceram bons amigos, ainda bem: o fotógrafo Gabriel Lordêllo e Carlos José Vieira, médico e mestre-precursor do vinho no estado, vieram nos ajudar na tarefa.

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Foram servidas tortas variadas. Chegaram à mesa as feitas com mariscos, as de bacalhau e palmito, e também de bacalhau, palmito e camarão. E após muitas considerações (“Tem quem prefira a torta fria”, “Lá em casa eu só como a torta no dia seguinte”, “Não teríamos de fazer uma degustação para cada uma das tortas?”), chegamos à uma conclusão: entre brancos feitos com Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling e outras castas, o vencedor foi um vinho produzido pela Ervideira, do amigo Duarte Leal da Costa. Como foi há muito tempo, não tenho certeza se foi o Invisível ou se foi o Conde D’Ervideira Reserva Branco. Na dúvida, eles estão relacionados abaixo, nessa lista de brancos para provar com a torta capixaba. E sobre Duarte Leal, uma curiosidade: em Portugal ele resolveu dar sua colaboração. Nas compras feitas na adega, Duarte doa para o valor da garrafa mais cara para a Rede de Emergência Alimentar, ativada nesse período duro de pandemia, para ajudar famílias necessitadas. Belo exemplo de solidariedade de um grande produtor do Alentejo.

Vamos aos vinhos! Todos os locais citados entregam em casa. Mas é bom entrar em contato para saber limite de preço, prazo, se há frete etc.

Caballo Dorado Gran Reserva Chardonnay. Foto: Divulgação
Caballo Dorado Gran Reserva Chardonnay. Foto: Divulgação

Caballo Dorado Gran Reserva Chardonnay.
Produzido pela Viña Ravanal, no Chile, é um vinho de qualidade bem superior ao seu preço. Muito honesto. Tem notas bem definidas de manteiga, amêndoa e é bem cremoso na boca. Até R$ 55. No Carone.

Cono Sur Reserva Especial Chardonnay. Foto: Divulgação
Cono Sur Reserva Especial Chardonnay.

Cono Sur Reserva Especial Chardonnay.
A Cono Sur é uma vinícola conhecida por fazer belos vinhos e colocá-los no mercado a preços bem acessíveis. É o caso deste Reserva Especial. Novamente a Chardonnay aparece com as características dessa uva quando passa por madeira: bem cremosa e amanteigada. Muito típico dos rótulos chilenos baseados nessa casta. R$ 69. Na Wine Vix.

Impetu Sauvignon Blanc. Foto: Divulgação
Impetu Sauvignon Blanc. Foto: Divulgação

Impetu Sauvignon Blanc.
Há quem prefira a Sauvignon Blanc para escoltar pratos de frutos do mar. Por conta de seu frescor, e das notas cítricas e frutadas, marcas dessa casta. O Impetu tem ótimo preço e é um bom exemplo de como a Sauvignon Blanc rende bons vinhos no Chile. R$ 37,32. Na Wine.com.br

Artefacto.
De Portugal vem outro clássico para o acompanhamento de pratos de frutos do mar: o vinho verde. Leve, fácil de beber, com teor alcoólico mais baixo quando comparado a outros brancos, pode escoltar com galhardia a nossa torta, num casamento luso-capixaba. R$ 52,82. Na Wine.com.br

Invísivel. Foto: Divulgação
Invísivel. Foto: Divulgação

Invísivel.
O rótulo da Ervideira já é atraente desde sua produção: é um branco feito com uvas tintas, no caso, a Aragonez, casta conhecida como Tempranillo na Espanha. É saboroso, leve, gostoso, bem fácil de provar. E combina muito bem com pratos feitos com frutos do mar. Ah! Para completar as curiosidade sobre esse vinho: sua safra é lançada sempre em 1º de abril. R$ 107. No Carone.

Cordillera Andina Chardonnay. Foto: Divulgação
Cordillera Andina Chardonnay. Foto: Divulgação

Cordillera Andina Chardonnay.
Diferentemente dos vinhos citados anteriormente, a Chardonnay, neste caso, não passa por barricas de madeira. O resultado é um vinho com mais exibição das características da uva, com muitas notas de fruta. Ótimo custo-benefício. R$ 39. Empório São Bento. Entrega em casa: 98102-8406.

Long Row Riesling.
Boa oportunidade de experimentar uma uva menos famosa por aqui e também um vinho branco produzido na Austrália. A Riesling rende vinhos muito minerais, com uma acidez equilibrada e gostosa. São vinhos de aromas e sabores bem marcantes. Ficou curioso? Prove. Vai valer a pena. R$ 79,00. Na Wine Vix.

Conde D’Ervideira Branco.
Um colecionador de prêmios da Ervideira. Em 2017 venceu, por exemplo, o Mundus Vini, uma das mais disputadas provas dirigidas a vinhos brancos no planeta, realizada na Alemanha. Feito totalmente com Antão Vaz, o conde D’Ervideira é aveludado, gostoso, com notas de frutas e também de baunilha. Excelente branco. R$ 115. No Carone.

Gravely Ford Chardonnay. Foto: Divulgação
Gravely Ford Chardonnay. Foto: Divulgação

Gravely Ford Chardonnay.
Vinho norte-americano feito com Chardonnay, a casta branca mais popular no Brasil. É feito com uma mescla de uvas saídas de algumas das melhores vinhas da Califórnia. Passa por barricas de carvalho. Mas diferentemente do ocorrido no Chile, os toques ressaltados são os de frutas. Boa oportunidade para quem ainda não teve a oportunidade de provar um rótulo da (ótima)  escola norte-americana. R$ 136.00. Empório São Bento. Entrega em casa: 98102-8406.

Há mais de 10 anos escrevo sobre vinhos. Não sou crítico. Sou um repórter. Além do conteúdo da garrafa, me interessa sua história e as histórias existentes em torno dela. Tento trazer para quem me dá o prazer da sua leitura o prazer encontrado nas taças de brancos, tintos e rosés. E acredite: esse prazer é tão inesgotável quanto o tema tratado neste espaço.

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