Veganismo: A revolução na indústria do consumo - ES360

Veganismo: A revolução na indústria do consumo

Pelo amor aos animais, sustentabilidade e busca por uma alimentação mais saudável, o mercado vegano tem transformado a indústria do país e fomentado a criação de novos negócios

Muita gente ainda torce o nariz, mas cada vez mais pessoas têm se rendido às delícias e alternativas do mundo vegano. Não é à toa que o mercado brasileiro voltado para esse público cresce em torno de 40% ao ano e vem ampliando a variedade de produtos e experiências ao consumidor. Além de restaurantes, já é possível encontrar por aí cafeterias, lanchonetes e até salões de beleza veganos. Mas, afinal, do que estamos falando?

O veganismo é um estilo de vida que exclui dos hábitos de consumo produtos de origem animal e testados em animais. Está ligado, portanto, à ideia de respeito aos animais, e sua prática vai muito além do não consumo de carnes. “Quando a pessoa chega ao ponto de se tornar vegana é porque ela entendeu que qualquer exploração animal não faz sentido”, define a diretora da Associação Brasileira de Veganismo, Laura Kim.

O crescimento desse mercado, porém, não é explicado apenas pelo número de veganos, diz Laura. “O que tem levado a esse consumo é o apelo ‘natural’ dos produtos. Quem consome, mesmo, são ‘simpatizantes’, gente que está em busca de uma alimentação mais saudável ou de produtos com menos componentes prejudiciais à saúde”, diz.

Mas, não custa lembrar, nem tudo que é vegano é saudável ou natural. “Costumo dizer que você pode comer batata frita com guaraná e ser vegano. Mesmo assim, de uma forma geral, os produtos veganos, além de muito saborosos, não trazem os incômodos de uma alimentação rica em gordura animal, e por isso têm esse apelo”, explica.

No Brasil, já existem selos e certificações que garantem a não realização de testes em animais e o não uso de componentes de origem animal na formulação dos mais diversos produtos, como embutidos, sabonetes, xampus, maquiagem, esmaltes e produtos de limpeza. A informação pode ser encontrada nos rótulos.

E é cada vez mais comum encontrar no mercado opções veganas de marcas convencionais. “O empresário está atento e é importante que possa se posicionar nesse setor. Os clientes estão buscando rever seus hábitos e é possível se adaptar pra atendê-los”, explica o gestor do projeto de gastronomia do Sebrae ES, Ubirajara Nascimento.

Pensando nisso, a empresária Lívia Lanna, 25 anos, abriu a cafeteria Pepí, na Praia do Canto, em Vitória. Por lá, não há o uso de leite, ovos ou trigo. Esses produtos são substituídos, então, por leite de amêndoas e de coco, requeijão à base de inhame e “cream cheese” feito com castanha de caju.

Lívia Lanna fomenta o mercado vegano com sua Cafeteria e Bistrô Pepí, na Praia do Canto, em Vitória. Foto: Chico Guedes
Lívia Lanna fomenta o mercado vegano com sua Cafeteria e Bistrô Pepí, na Praia do Canto, em Vitória. Foto: Chico Guedes

Vegano X Vegetariano X Natural

Nem tudo que é vegano ou vegetariano é natural e nem tudo que é natural é vegano ou vegetariano. Você pode ser vegano e consumir produtos processados e industrializados e, por outro lado, adotar hábitos de consumo de produtos naturais, mas consumir produtos de origem animal.

O que é veganismo

É um estilo de vida que busca excluir todas as formas de exploração e crueldade dos animais, seja na alimentação, no vestuário e outras formas de consumo.

Na alimentação

O vegano não come carne de nenhum tipo, nem alimentos de origem animal, como leite, queijos, manteiga, ovos, mel, banha, corante cochonilha (feito a partir de um besouro torrado) e gelatina. Alternativas: Além de uma infinidade de alimentos naturais para uma dieta equilibrada (como frutas, verduras, legumes, grãos, hortaliças, sementes e cereais), o mercado hoje oferece alimentos processados e industrializados veganos, sem falar nas crescentes opções de restaurantes e cafés voltados para o público.

No vestuário

Não veste roupas ou sapatos feitos de couro, lã, seda e penas, entre outros. Alternativas: napa, lona, couro vegetal e outros sintéticos.

Na higiene

Não consumem cosméticos testados em animais ou que possuam componentes animais na sua formulação e evitam medicamentos, como sabonetes feitos de glicerina animal, maquiagem contendo cera de abelha, xampu com tutano de boi, entre outros. Alternativas: o mercado na área cosmética também é crescente e há muitas opções de sabonetes, xampus e condicionadores, maquiagem e esmaltes veganos. Os rótulos, nesses casos, trazem informações como “produto não testado em animais” e “ produto livre de ingredientes animais” ou selo de certificação vegano. Além dos produtos, há salões de beleza especializados no atendimento a esse público

Em outras áreas

O vegano não trabalha com exploração animal, como venda de animais em pet shop ou venda de produtos com origem animal (como roupas, bolsas e sapatos de couro), e não apoia diversões que exploram animais, como circo com animais, rodeio, caça, pesca, etc.

Vegetarianismo

É um regime alimentar que exclui todos os tipos de carne da dieta, mas não necessariamente todos os produtos de origem animal. Por isso, algumas subdivisões são consideradas:
Ovolactovegetarianismo: consome ovos, leite e laticínios
Lactovegetarianismo: consome leite e laticínios
Ovovegetarianismo: consome ovos
Vegetarianismo estrito: não se alimenta de nenhum produto de origem animal. Diferentemente do vegano, porém, a restrição é somente na alimentação.

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