Trump declara vitória e diz que vai à Suprema Corte - ES360

Trump declara vitória e diz que vai à Suprema Corte

O anúncio, feito na Casa Branca na madrugada desta quarta-feira, 4, confirma a ameaça que o presidente já tinha feito na véspera da votação

No meio da apuração, ainda sem a totalização dos votos, o presidente americano, Donald Trump, disse que venceu as eleições e irá à Suprema Corte para contestar o resultado. “Isso é uma fraude. É uma vergonha para o nosso país. Francamente, nós ganhamos esta eleição”, disse. “Nós vamos à Suprema Corte.”

O momento de revolta ocorreu logo após o discurso do adversário, o democrata Joe Biden, que demonstrou otimismo na vitória. Trump, que contrariou a maioria das pesquisas e venceu em vários Estado, alguns de maneira surpreendente, disse que a apuração deveria ser encerrada. “Queremos o fim da apuração. Não queremos gente encontrando cédulas às 4h30 da manhã e adicionando à votação.”

Até então, o presidente vinha mantendo um perfil discreto durante a apuração. À tarde, ele fez uma visita ao quartel-general de sua campanha no Estado de Virgínia, perto da capital americana. Diante de aliados e voluntários, ele demonstrou otimismo. “Estamos indo bem na Flórida, no Arizona, no Texas e em várias partes do país”, afirmou o republicano.

‘Vencer é fácil, perder nunca é fácil’
Mesmo antes de o presidente obter uma votação expressiva na Flórida, ele já demonstrava otimismo. Apesar do cansaço aparente – Trump realizou uma maratona de comícios na reta final de campanha –, ele falou com sobriedade sobre o risco de perder a disputa.

“Vencer é fácil, perder nunca é fácil. Não para mim. Não é”, disse o presidente, ao afirmar que não tinha discursos prontos nem para vitória, nem para derrota.

Enquanto alguns viram a declaração como uma aceitação da derrota, pessoas próximas ao presidente disseram que não passava de superstição – em 2016, ele também não havia preparado discursos.

Impostos de Biden
Enquanto isso, em Miami, o casal de brasileiros Ellen e Leonardo Jannuzzi, que vive na cidade, era um reflexo do bom desempenho de Trump. Os dois votaram no presidente em razão do que ele fez pela economia e por temerem que Biden aumente impostos.

“Biden disse que vai aumentar os impostos daqueles que ganham mais de US$ 400 mil por ano. Os nossos patrões ganham isso e, se ele aumentar o imposto deles, isso vai impactar diretamente no nosso trabalho e na economia em geral”, justificou Ellen.

Durante toda a campanha, Trump questionou a confiabilidade de pesquisas que mostraram vantagem para o adversário democrata, Joe Biden, e sugeriu que só uma fraude nas eleições o faria perder. “Eu sou o seu presidente favorito”, repetiu Trump diversas vezes a eleitores nos comícios realizados em outubro.

A forma de falar sobre uma eventual vitória era sempre em tom de chacota e com intuito de convencer sua base a votar. Um exemplo foi quando ele disse que talvez precise ir embora dos Estados Unidos caso não vença a disputa.

Durante o dia, no entanto, Trump desacelerou. Publicou menos na sua conta no Twitter do que de costume e, depois de dias de uma agenda frenética, com comícios em sequência nos principais Estados-chave, ele foi apenas à Virgínia.

Cartazes de protesto
O presidente voltou em seguida para a Casa Branca. Desde junho, Trump lida com a existência de um memorial a céu aberto com cartazes antirracismo e de apoio aos candidatos democratas bem em frente à residência oficial. Na madrugada de segunda para terça-feira, uma grade de metal subiu nos arredores da Casa Branca – segundo autoridades, apenas por “precaução”.

Normalmente, o presidente afirma que a lotação nos seus comícios são uma prova de que ele conquistaria a maioria dos votos. Ontem, ele se limitou a dizer que vê “muito amor” e “muita união” nos comícios que têm feito.

Bem antes de largar na frente em Estados-chave do Cinturão o Sol, como Flórida, ele já havia publicado mensagem bastante otimista no Twitter. “Nós estamos indo muito bem em todo o país, obrigado”, logo após os resultados em estados tipicamente republicanos, como Indiana, mostrarem boa votação para o presidente.

Festa cancelada
O presidente tinha planos de organizar um encontro de aliados em seu hotel na capital americana, para celebrar a vitória na eleição. No entanto, ele acabou cancelando a festa em razão das restrições com relação a aglomerações em espaços fechados em Washington.

De acordo com os relatos da imprensa americana, a campanha de Trump montou “salas de guerra” na Casa Branca para acompanhar os resultados durante a madrugada, um gesto incomum entre presidentes que disputam a reeleição.

Adversários acusaram a campanha de Trump de fazer uso eleitoral da máquina administrativa do governo. Tim Murtaugh, porta-voz da campanha republicana, no entanto, garantiu que todo o custo foi bancado pela campanha do presidente e afirmou que nenhum funcionário do governo americano estava envolvido no processo.


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