Tomar ou não a vacina, essa é a nova discussão - ES360

Tomar ou não a vacina, essa é a nova discussão

A postagem foi feita ontem pela Secretaria de Comunicação do governo federal. Ela traz comentários breves sobre ações contra a covid e é seguida por uma frase do presidente Jair Bolsonaro, sobre sua posição, contrária à obrigatoriedade da vacinação. Veja abaixo:

Post nas redes sociais da Secretaria de Comunicação do governo federal. Foto Reprodução

Repercussão

A reação foi imediata. Como a Secom não tinha feito nenhum tipo de manifestação sobre vacinação, a mensagem foi imediamente entendida como uma posição oficial do governo. E essa posição não foi de estímulo à vacinação, mas de “autodeterminação” individual. Estabeleceu-se uma discussão onde se misturam “liberalismo”, saúde pública, individualismo, política, ideologia…

Meu corpo, minhas regras

Quem é contrário à obrigatoriedade quer levar ao extremo as opções pessoais do indivíduo, ou seja, cada um tem o direito de fazer suas escolhas em relação a tudo. Baseiam suas ideias em argumentos “liberais”, segundo os quais o estado não deve interferir na vida do cidadão. Curiosamente, esses defensores são, na maioria das vezes, contrários ao aborto, ou seja, todos teriam direito de estabelecer as regras para seu próprio corpo, menos as mulheres…

Desconfiança

Há também quem olhe a vacina com rejeição e desconfiança. Desse grupo fazem parte, por exemplo, religiosos e, num ponto extremo, os integrantes do QAnon, um grupo antiglobalista, defensor de teses de conspiração nas quais se misturam líderes e organizações mundiais (como Barack Obama e OMS), um tal “estado profundo, pedofilia, tráfico internacional de crianças e satanismo.

Alvo de ação

O QAnon ainda é um grupo desconhecido por boa parte das pessoas. Sua importância talvez possa ser medida pelo comentário de Paul Krugman, colunista do New York Times. Para ele, o QAnon será parte importante da campanha eleitoral americana deste ano. Há alguns dias, o Facebook anunciou ter derrubado 790 páginas ligadas ao grupo. No Brasil, páginas do QAnon foram derrubadas nesta semana. Além de contrário às vacinas, o grupo duvida da gravidade da pandemia do coronavírus, questiona artistas e duvida dos cientistas, entre outros pontos. Pareceu familiar? Pois é…

Questão de saúde pública

Do outro lado estão os defensores da vacinação obrigatória por conta de saúde pública. Lembram o sucesso, por exemplo, da vacinação contra a pólio no Brasil. Estabelecem um parâmetro social: a vacina não apenas protege o cidadão, mas quem com ele tiver contato. E, lógico, será a única maneira de conter efetivamente a pandemia.

Meu país, nossas regras…

Para os defensores da obrigatoriedade da vacinação, ela se encaixa em várias outras regras atualmente em vigor no país, como, por exemplo, a de usar cinto de segurança, a de não beber antes de dirigir ou a de colocar os filhos na escola. Ou seja, o cidadão tem muitos direitos, mas tem também seus deveres perante à sociedade…

A lei

A discussão vai esquentar, certamente, mas a posição do presidente conflita com uma legislação do próprio governo. A lei 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, assinada por Bolsonaro, estabelece medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública diante da pandemia do novo coronavírus. O artigo 3º prevê a vacinação compulsória, ou seja, obrigatória, “para o enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional”.

A pergunta

A discussão sobre vacina não é nova, mas é relativamente recente. Surgiu com os questionamentos, inexplicáveis, a respeito da ciência. E é defendida, com já disse, com base em ideias liberais. A questão, no entanto, não é apenas nacional. Certamente vários governos passarão a exigir vacinação de estrangeiros em visita aos seus países. Ainda mais de viajantes vindo do Brasil. Entre esses países deverá estar, certamente, os Estados Unidos. A pergunta é: quem nega a vacina por conta de “princípios liberais” vai tomar a vacina para poder entrar no mais liberal país do planeta ou vai desistir da viagem?

Por fim

Discutir eficiência de vacina no século mostra nosso estágio atual de “evolução humana”. Com mais alguns avanços, talvez cheguemos bem ao século XIX…

Antonio Carlos tem 32 anos de jornalismo. E um tempo bem maior no acompanhamento das notícias. Já viu muitos acontecimentos espantosos. Mas sempre se sente surpreendido por novos fatos, porque o inesperado é a maior qualidade das coberturas jornalísticas. E também da vida...

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.


Comentários:

  • Excelente texto Kaká!!!! Esse Qanon me remete às barbáries cometidas na Idade média. Pouco a pouco, com os passinhos do eterno Michael Jackson, nos encaminhamos para lá… lamentável!!!!

  • Estou pasmada. Mas não deveria. Esperar o quê de alguém que é capaz de atravessar a pandemia sem qualquer manifestação de empatia e solidariedade? Nem Nostradamus previu essa aberração!

  • Estou pasmada. Mas não deveria. Esperar o quê de alguém que é capaz de atravessar a pandemia sem qualquer manifestação de empatia e solidariedade? Nem Nostradamus previu essa aberração!

  • Como sempre seus textos sao interessantes, coerentes atraentes. ADOREI!!!


Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Mais Colunas