Salário é até 40% menor para mulheres no estado - ES360

Salário é até 40% menor para mulheres no estado

Pesquisa de mercado de trabalho analisou mercado formal e comparou dados por gênero e grau de escolaridade

As mulheres estudam mais que os homens, mas recebem salários até 40,7% menores que os homens no Espírito Santo. Além de ocuparem a maior parte das vagas formais do mercado, eles têm remuneração maior que as mulheres, independentemente do grau de escolaridade. A ala masculina também é maioria nos cargos de gestão.

E essa diferença salarial aumenta na mesma proporção que a formação escolar. No estado, as mulheres ganha, em média, 15,5% a menos que os homens. Mas, entre pessoas que possuem curso superior, a diferença é de 38,9%.  Entre os homens e mulheres com doutorado a diferença chega a 40,7%. O salário médio de um homem com doutorado é de R$ 11.756,43, enquanto que as mulheres com a mesma formação recebem R$ 6.972,34.

Os dados foram levantados pelo (Instituto Jones dos Santos Neves, que analisou o mercado de empregos formais do Espírito Santo nos últimos dez anos.

A pesquisa aponta ainda que a participação das mulheres no mercado cresce de acordo com o grau de instrução e só supera o número de homens no ensino superior. Entre os trabalhadores com o ensino médio, os homens são maioria. Já no ensino superior, mestrado e o doutorado, as mulheres ocupam a maioria das vagas. Porém, isso não significa renda maior.

De acordo com Pablo Lira, diretor do instituto, a participação da mulher no mercado de trabalho formal é crescente. Porém, ainda há muito a avançar em relação à remuneração.

“Historicamente, a sociedade brasileira é patriarcal, machista, e esse comportamento ainda é muito forte. Isso ajuda a compreender essa incoerência”, explica ele.

Segundo o levantamento, o nível de escolaridade feminina vem aumentando de forma mais rápida que a dos homens. Mesmo assim, os homens continuam a ocupar o topo da escala de salários.

“Nos últimos anos, ocorreram muitas conquistas, mas foram avanços ainda tímidos. Para equalizar essa diferença é preciso uma maior conscientização por parte da sociedade”, acrescenta Pablo Lira.

O estudo mostra que o Espírito Santo está passando por um processo de transição demográfica e que a mulher está buscando formação mais qualificada e participando mais efetivamente do mercado de trabalho. No entanto, é necessária uma mudança de consciência dos empregadores.

“Na iniciativa privada, é relevante garantir equilíbrio, condições e direitos para homens e mulheres. Para isso, as empresas, principalmente de médio e grande portes, devem regulamentar os planos de cargos e salários. Já o poder público, que já tem salários iguais para ambos os gêneros, deve desenvolver políticas que garantam os direitos da mulher”, acrescenta Pablo Lira.

Elas são donas do próprio negócio

As mulheres ocupam 43,3% das vagas formais de emprego no estado, mas também se destacam no mercado informal de trabalho. Isso ocorre devido à falta de vagas no mercado formal, à necessidade de conciliar o trabalho, o cuidado com a casa e com os filhos e ainda pelo desejo de empreender. Também há mulheres com vínculos empregatícios que complementam a renda familiar com alguma atividade informal.

De acordo com o diretor do IJSN, Pablo Lira, o número de mulheres que trabalha por conta própria é significativo. “Nos últimos anos, de crise nacional, a informalidade aumentou. Hoje, muitas famílias são chefiadas por mulheres que estão fora do mercado formal. Esse dado não aparece na pesquisa, mas essa realidade também deve ser levada em conta”.

Empregos formais no Espírito Santo

Vagas formais de emprego

Mulheres:

2008 39,4%
2018: 43,3%

Homens:

2008 60,6%
2018: 56,7%

Diferença salarial

Em média, mulher ganha 15,5% a menos . À medida que aumenta a escolaridade, aumenta também a diferença de salário entre os gêneros.

Remuneração por grau de escolaridade

Mulher com curso superior: ganha 38,9% menos que homem;
Mulher com mestrado: recebe 41,7% a menos;
Mulher com doutorado: fatura 40,7% a menos.

Postos ocupados, por gênero, em diferentes graus de instrução

Ensino médio

Mulheres: 41,8%
Homens: 58,1%

Curso superior

Mulheres: 38,9%
Homens: 61,1%

Mestrado

Mulheres: 66,3%
Homens: 33,7%

Doutorado

Mulheres: 59,2%
Homens: 40,8%

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