Risco de segunda onda da covid-19 ameaça vários países - ES360

Risco de segunda onda da covid-19 ameaça vários países

A Europa já registra mais casos do novo coronavírus que em março e abril, nos piores momentos da pandemia. Um novo confinamento nacional foi anunciado em Israel

Ceará: entre março e abril, covid-19 matou mais que AVC, câncer de pulmão e enfarte. Foto: Pixabay
Leitos voltam a ser preenchidos em todo o mundo. Foto: Pixabay

Uma segunda onda de casos de covid-19 tem sido vista como ameaça em diferentes graus por vários países do mundo, inclusive alguns que, no início da pandemia, foram elogiados por sua eficiência em promover medidas eficientes de contenção. O risco não é considerado por enquanto no Brasil, embora especialistas afirmem que os casos devem começar a subir nas próximas semanas.

A Europa hoje já registra mais casos do novo coronavírus que em março e abril, nos piores momentos da pandemia. Segundo um anúncio feito na semana passada por Hans Kluge, diretor regional da OMS no continente, 300 mil novas infecções foram registradas em toda a Europa em sete dias durante o último mês, e os casos diários chegaram a duplicar.

Os novos casos começaram a crescer em julho, com o início das férias de verão. Mas a maior parte dos novos diagnósticos agora se dá em pacientes jovens, com menos tendência a desenvolver casos graves e menor risco de morte. A idade média dos infectados agora é de 37 anos, contra 60 anos durante a primeira onda.

A Espanha, um dos países que mais traz preocupações aos europeus, adotou medidas restritivas e pediu ajuda do Exército para combater o coronavírus. Desde segunda-feira (21), em Madri, cerca de 855 mil pessoas só podem sair de casa para trabalhar ou ir à escola, e reuniões estão limitadas a grupos de seis pessoas. No início de julho, o país chegou a registrar menos de 300 casos diários. Na última sexta (18), foram mais de 11 mil. Moradores de Barcelona e arredores foram orientados a sair de casa só por motivos essenciais.

Outros países da Europa Central e Oriental, menos afetados na primeira onda, agora também veem um aumento das infecções. Na França, houve o registro do maior número diário desde o início da pandemia, quando surgiram novas 10,5 mil infecções em 12 de setembro. Por lá, aliás, o número de pacientes hospitalizados voltou a crescer. Segundo os dados oficiais do dia 12, 2.432 pessoas foram internadas com o vírus – 75 a mais que no dia anterior. Desses, 417 pacientes estão em unidades de terapia intensiva (UTIs).

Também há o temor das reinfecções na Inglaterra, onde houve a confirmação de mais de 10 mil casos em apenas três dias, no início deste mês. Na tentativa de controlar a crise, autoridade britânicas endureceram algumas restrições: reuniões sociais entre mais de seis pessoas, tanto em lugares abertos quanto fechados, estão proibidas. Quem infringir as regras estará sujeito a multa.

Segundo dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Europeu (ECDC), outros diversos países enfrentam o problema. A Croácia está contabilizando, em média, 65 novos casos por 100 mil habitantes. Bélgica, Ucrânia e Holanda têm 53, 52 e 46 novos casos, respectivamente. E na Suíça, foram registrados 39 novos contágios por 100 mil nos últimos 14 dias.

Fora da Europa

Um novo confinamento nacional em Israel foi anunciado pelo premier Benjamin Netanyahu no início deste mês, tornando-se o primeiro país fortemente atingido pela doença a tomar tal medida durante o segundo semestre do ano. A taxa de infecções no país israelense alcançou mais de 153 mil casos em uma população de 9 milhões de habitantes.

“O governo decidiu hoje aplicar um confinamento estrito de três semanas, com a opção de prorrogar a medida”, declarou o premier para o site AFP. Autoridades impuseram na semana passada um toque de recolher em cerca de 40 cidades israelenses, principalmente nas localidades árabes e ultraortodoxas, o que não impediu o aumento do número de casos.

No Japão, a capital Tóquio registrou um recorde no número de novos casos de coronavírus em um único dia – mais de 360 casos. Ao anunciar os números na última quinta-feira, a prefeita da cidade, Yuriko Koike, pediu que os moradores de Tóquio permanecessem em casa. De acordo com ela, a maior parte dos infectados, neste momento, são os jovens.

Cenário diferente

Os motivos para a aceleração atual são diversos, mas vinculam-se à retomada das atividades após o fim dos lockdowns, entre maio e junho. Como o vírus nunca deixou de circular, bastou um relaxamento para que as taxas de infecção voltassem a crescer. E embora o uso de máscaras seja obrigatório na maioria desses país, algumas autoridades permitiram que ela fosse opcional em ambientes abertos e sem muita movimentação de pessoas, como em Portugal e na Espanha. Tamanha flexibilização acabou se estendendo para espaços mais fechados, o que facilitou a proliferação do vírus.

Outras pessoas ainda tentam, inclusive, burlar os decretos. É o caso da modelo brasileira Luana Piovani, que contou aos seguidores ter descoberto “o pulo do gato” para não cobrir o rosto ao andar na rua. A solução encontrada foi tomar sorvete enquanto passeava, embora tenha admitido nem gostar tanto assim do doce. Nesta segunda-feira (21), Piovani declarou ter contraído a covid-19.

O cenário é grave, mas diferente do que ocorria há seis meses: o aumento no número diagnósticos foi possível por causa do aumento do número de testes, coisa que não ocorria no ápice da pandemia, quando faltava equipamentos e os hospitais estavam sobrecarregados. Portanto, o número de mortes e internações agora cresce em um ritmo mais lento que no início do ano.

Espírito Santo

O secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, usou as redes sociais nesta segunda-feira (21) para indicar que o estado terá um aumento no número de casos da covid-19 nas próximas semanas. Ele alertou, no entanto, que isso não significa uma segunda onda da doença. Segundo Nésio, os indicativos de uma nova onda só poderão ser observados mais adiante, investigando as internações hospitalares e o comportamento dos óbitos.

Respeitando os protocolos sanitários e fazendo muito diagnóstico/bloqueio, preservaremos vidas. Mas sem respeito aos protocolos, a exposição de suscetíveis poderá voltar a elevar casos/internações/óbitos. Caso esses três elementos voltarem a crescer de modo sustentável, estaremos vivendo uma “segunda onda” com possível repercussão sobre atividades econômicas e sociais”, escreveu.

*Com informações das agências Estadão, Agência Brasil e BBC News


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