Racismo contra garoto de 11 anos em torneio vira caso de Polícia em Goiás - ES360

Racismo contra garoto de 11 anos em torneio vira caso de Polícia em Goiás

Acusado de ter dito "Fecha o preto", treinador de time é suspenso das atividades até que a situação seja apurada

Luiz Eduardo, de 11 anos, alega ter sido alvo de racismo. Foto: Reprodução/Instagram
Luiz Eduardo, de 11 anos, alega ter sido alvo de racismo. Foto: Reprodução/Instagram

 

Uma polêmica sobre racismo em um torneio de futebol para crianças virou caso de polícia em Goiás. Nesta semana se tornou popular na internet o vídeo do garoto Luiz Eduardo Bertoldo Santiago, de 11 anos, da Uberlândia Academy, que disse ter ouvido a frase “Fecha o preto aí” durante uma partida em Caldas Novas pelo torneio Caldas Cup. Após a abertura do Boletim de Ocorrência sobre o caso, os organizadores da competição decidiram suspender o técnico do time adversário acusado de ser o autor da injúria.

O vídeo gravado depois da partida mostra Luiz Eduardo chorando enquanto reclama do que ouviu dentro de campo na partida contra o Instituto S.E.T. pela categoria sub-11. “O cara falava assim ‘Fecha o preto aí, ó!’. Aí eu aguardei para falar no final com os pais. Falou um tantão de vezes”, disse o menino. A partida valia pela Caldas Cup, torneio infantil de escolinhas de futebol.

O perfil da rede social da Uberlândia Academy divulgou o vídeo nesta quinta-feira, acompanhado do relato de que acionou a Polícia Militar e registrou Boletim de Ocorrência. “De antemão manifestamos que iremos até às últimas instâncias em defesa de nosso aluno e contra mais um ato deplorável que mancha a imagem do futebol”, escreveu o time.

Segundo a publicação, o garoto saiu de campo chorando após o time ter vencido por 3 a 1 e relatou a adultos o que havia se passad. “Luiz Eduardo Bertoldo Santiago saiu de campo depois de mais uma vitória e, imediatamente começou a chorar. Preocupados com a situação, alguns pais foram conversar com ele. Em prantos, Luiz Eduardo disse aos pais que o técnico da equipe adversária se dirigiu a ele com palavras de cunho racista”, relata o texto.

Nesta sexta, o técnico acusado gravou um vídeo para se explicar. Lásaro Caiana nega as acusações. “Como vou ofender um outro irmão de cor? Isso é impensável”, afirmou. Ele conta que foi surpreendido pelo envolvimento do seu nome no caso. De acordo com o treinador, após a partida ele foi questionado se sabia quem havia sido o autor da frase e nesse momento houve uma discussão.

“Quem foi injuriado racialmente foi a minha pessoa pelo presidente do clube, Adriano dos Santos, vulgo Adriano Futsal, que me ameaçou de morte e me chamou de ‘preto safado’. Na delegacia foi tudo resolvido de forma pacífica. E eles postaram esse vídeo pra denegrir minha imagem e do meu clube”, disse Caiana. “Ninguém tem prova de quem ofendeu, ninguém filmou nada, ninguém ouviu e sabe dizer quem foi”, comentou.

Também nesta sexta foi a vez de o próprio torneio se manifestar. A página oficial da Caldas Cup comunicou que Caiana foi suspenso do torneio até que o caso seja esclarecido pela polícia. “A organização estará sempre presente para que os fatos sejam apurados pelas autoridades competentes para que a diferença de cor seja só na camisa”, diz o texto.

Estadão Conteúdo


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