Quem tem prioridade para ser vacinado no Brasil? Entenda a ordem da fila - ES360

Quem tem prioridade para ser vacinado no Brasil? Entenda a ordem da fila

Notícias sobre os 'fura-filas' da vacina levantam discussões sobre quem deve receber o imunizante

Ministério da Saúde negocia requisição de estoques de seringas após compra fracassar. Foto: Karolina Grabowska/Pexels
Ministério da Saúde negocia requisição de estoques de seringas após compra fracassar. Foto: Karolina Grabowska/Pexels

Notícias sobre os “fura-filas” da vacina contra a covid-19 no Brasil levantam discussões sobre quem tem prioridade para receber o imunizante. Políticos, profissionais recém-nomeados e até um chefe de um setor de informática e um fotógrafo estão entre as pessoas que já receberam a vacina, o que rompe com acordo firmado entre União, Estados e municípios. Os casos são investigados pelo Ministério Público de ao menos oito Estados.

O governo federal lançou em dezembro o “plano nacional de operacionalização da vacina contra covid-19”. O documento apontava a ideia de vacinar parte dos grupos prioritários, que somam 49,6 milhões de pessoas, como profissionais de saúde e idosos, em três fases. O restante da população, inclusive alguns grupos prioritários, seria imunizado nos 12 meses seguintes.

No total, os grupos prioritários somam cerca de 77,21 milhões de pessoas, conforme mostra nova versão do plano nacional de imunização, divulgada na quarta-feira, 20. Além dos grupos previstos nas três fases, há diversos outros que o ministério ainda não divulgou datas para a vacinação. Na lista estão, por exemplo, 1,24 milhão de caminhoneiros, além de trabalhadores de transporte urbano. Em dezembro, a lista de grupos prioritários do governo já incluía os transportadores rodoviários de carga. A lista está detalhada no fim deste texto.

Ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a epidemiologista Carla Domingues, não vê problema em inserir caminhoneiros entre grupos prioritários. “Quanto mais brasileiros forem vacinados, melhor, lembrando que eles viajam pelo Brasil todo e podem levar a doença”, disse. Ela ponderou que o ideal é inserir o máximo de atividades essenciais possíveis.

Nesta nova versão, porém, as metas de vacinação e os prazos são expostos de forma mais genérica. O ministério ainda lançou nesta semana um “informe técnico” sobre como seria feita a aplicação das 6 milhões de doses da Coronavac. Trata-se de imunizante desenvolvido pela Sinovac e distribuído no Brasil pelo Instituto Butantan, que recebeu aval para uso emergencial e começou a administrado no Brasil no domingo, 17.

Neste primeiro ciclo de aplicação das vacinas, o Ministério da Saúde orienta a vacinação de extratos do seguinte grupo:

– Trabalhadores da saúde
– Pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência (institucionalizadas);
– Pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência, residentes em Residências Inclusivas (institucionalizadas);
– População indígena vivendo em terras indígenas

As doses já disponíveis no País servem para imunizar cerca de 2,8 milhões de habitantes. Esse número considera que haverá uma pequena perda de vacinas e a necessidade de usar duas doses para imunizar cada pessoa.

Essas doses, porém, não permitem nem sequer a imunização de todas as pessoas inseridas nestes grupos de risco priorizados no primeiro ciclo. O ministério recomenda que as vacinas sejam, agora, entregues a 34% dos profissionais de saúde de cada estado, com prioridade para aqueles que estiveram na linha de frente do combate à doença.

Os Estados e municípios têm também liberdade para distribuir as doses conforme planos locais, mas o ministério afirma que é “imprescindível” seguir o plano nacional.

“O Ministério da Saúde está trabalhando em todas as frentes para que haja o cumprimento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. Apesar da autonomia de estados e municípios na distribuição e aplicação das vacinas, a Pasta, em uma gestão tripartite, alerta para a necessidade de se seguirem as orientações coordenadas pelo Ministério da Saúde, que prevê ciclos de vacinação de acordo com os grupos prioritários definidos em estudos populacionais com a comunidade científica”, afirma nota da Saúde divulgada na quarta-feira, 20.

O ministério ainda não divulgou quais grupos prioritários devem receber as próximas doses. Devem desembarcar nesta sexta-feira, 22, no País as duas milhões de doses prontas da vacina de Oxford/AstraZeneca que foram importadas da Índia. Além disso, a Anvisa deve liberar o uso emergencial de outras 4,8 milhões de unidades da Coronavac.

Segundo a primeira versão do plano nacional, divulgado em dezembro, que detalhou as 3 fases de vacinação dos grupos prioritários, na primeira seriam imunizados: trabalhadores de saúde; pessoas com mais de 75 anos; população indígena aldeada em terras demarcadas e povos e comunidades tradicionais e ribeirinhas. Na segunda etapa, pessoas de 60 a 74 anos. Já a terceira fase seria reservada para pessoas com comorbidades.

O planejamento, em dezembro, foi feito sobre as 110,4 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca que a Fiocruz espera produzir neste semestre. A produção da Fiocruz, porém, está atrasada, pois o laboratório ainda aguarda a importação de insumos da China, e a campanha de vacinação começou com a Coronavac.

Na versão do plano apresentada na quarta-feira (20), o governo estima a população de todos os grupos prioritários, inclusive daqueles que ainda estavam fora das 3 fases do plano inicial. O ministério ainda não divulgou detalhes sobre o cronograma de vacinação de todos os grupos prioritários.

Especialistas defendem ampliação de grupo prioritário

Ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a epidemiologista Carla Domingues, não vê problema em inserir caminhoneiros entre grupos prioritários. “Quanto mais brasileiros forem vacinados, melhor, lembrando que eles viajam pelo Brasil todo e podem levar a doença”, disse. Ela ponderou que o ideal é inserir o máximo de atividades essenciais possíveis.

Epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel afirma que o grupo prioritário ainda precisaria ser ampliado. “Essa estimativa populacional (da versão mais recente do plano) não é nem 50% da população. Essas contas precisam ser refeitas. Mais grupos precisam ser incluídos, pois não daria para atingir a imunidade de rebanho.”

Ela sugere a inclusão de pessoas com câncer, no grupo de população com comorbidades, além de outros trabalhadores essenciais, como da cadeia produtiva de alimentos, supermercados e farmácias. “Ampliar até chegarmos a mais de 150 milhões de pessoas”. No plano, o ministério estima que teria de vacinae 70% da população, pelo menos, para chegar a uma imunidade coletiva.

População estimada do grupo prioritário

– Pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas – 156.878

– Pessoas com Deficiência Institucionalizadas – 6.472

– Povos indígenas Vivendo em Terras Indígenas – 410.197

– Trabalhadores de Saúde – 6.649.307

– Pessoas de 80 anos ou mais – 4.441.046

– Pessoas de 75 a 79 anos – 3.614.384

– Povos e Comunidades tradicionais Ribeirinha – 286.833

– Povos e Comunidades tradicionais Quilombola – 1.133.106

– Pessoas de 70 a 74 anos – 5.408.657

– Pessoas de 65 a 69 anos – 7.349.241

– Pessoas de 60 a 64 anos – 9.383.724

– Comorbidades – 17.796.450

– Pessoas com Deficiências Permanente Grave – 7.744.445

– Pessoas em Situação de Rua – 66.963

– População Privada de Liberdade – 753.966

– Funcionário do Sistema de Privação de Liberdade – 108.949

– Trabalhadores de Educação do Ensino Básico – 2.707.200

– Trabalhadores de Educação do Ensino Superior – 719.818

– Forças de Segurança e Salvamento – 584.256

– Forças Armadas – 364.036

– Trabalhadores de Transporte Coletivo Rodoviário de Passageiros – 678.264

– Trabalhadores de Transporte Metroviário e Ferroviário – 73.504

– Trabalhadores de Transporte Aéreo – 64.299

– Trabalhadores de Transporte de Aquaviário – 41.515

– Caminhoneiros – 1.241.061

– Trabalhadores Portuários – 111.397

– Trabalhadores Industriais – 5.323.291

Total – 77.219.259


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