Quando o vinho encontra a arte - ES360

Quando o vinho encontra a arte

Espaço dos barris, onde o vinho amadurece, é emoldurado por obras de arte. Foto: Divulgação
Espaço dos barris, onde o vinho amadurece, é emoldurado por obras de arte. Foto: Divulgação

Quantas vezes você se pegou duvidando da leitura feita por algum crítico diante de uma obra de arte um tanto indecifrável? E quantas vezes você achou exageradas (para não dizer mentirosas…) as notas de aromas e sabores citadas por um enófilo ao provar uma taça de vinho? Há um ponto em comum nas duas situações: o crítico e o enófilo apuram seus sentidos e sentimentos na tentativa de entender a obra a eles servida.

A relação entre vinho e arte vai muito além dessa leitura. E muitas vezes se confunde, não só no terreno dos sentimentos, mas também nos espaços ocupados. Cada vez mais produtores abrem áreas para abrigar e expor obras históricas e artísticas. E talvez nenhuma vinícola tenha abraçado essa causa com tanto vigor quanto a Bacalhôa, dona de alguns dos melhores e mais respeitados rótulos de Portugal. “Arte, Vinho, Paixão” é o lema da casa, cujo palácio fica incrustado na região de Setúbal, a cerca de uma hora de Lisboa.

A visita às propriedades da Bacalhôa é uma volta ao passado. Foto: Divulgação
A visita às propriedades da Bacalhôa é uma volta ao passado. Foto: Divulgação

Passear pelo Palácio da Bacalhôa e pelas outras sedes da vinícola espalhadas pelo país é entrar em contato com a fúria colecionista de Joe Berardo, o patriarca de todo o empreendimento. Isso significa conhecer uma quinta do século XV e, ao mesmo tempo, visitar uma exposição de arte africana. Entrar na sala de barricas, onde os vinhos adormecem à espera do momento de serem engarrafados, e se deparar com obras de arte expostas na parede. A sucessão de obras espalhadas por Portugal inclui desdeo Bacalhôa Buddha Eden, maior jardim oriental da Europa (na Quinta dos Loridos) a coleções arqueológicas (na Caves Aliança).

Obras se espalham por vários espaços da vinícola. Foto: Divulgação
Obras se espalham por vários espaços da vinícola. Foto: Divulgação

A lista é extensa e, o melhor, não para de crescer. E toda essa riqueza cultural é acompanhada, logicamente, de vinhos do mesmo nível. A linha da Bacalhôa é tão extensa quanto a lista de locais de exposição da vinícola. Dos mais básicos até os rótulos icônicos, eles demonstram a enorme qualidade alcançada em sua produção. O Quinta da Bacalhôa e o Palácio da Bacalhôa sempre surgem em listas dos melhores tintos portugueses. E talvez uma síntese dessa excelência possa ser resumida pelos vinhos feitos com a Moscatel de Setúbal: o rótulo básico (cerca de R$ 90) é ótimo e o Moscatel Roxo (em torno de R$ 230) é excelente.

São vinhos capazes de transmitir a expressão de um povo, de uma história, de um lugar. Isso pode ser percebido, ao se abrir uma dessas garrafas, mesmo por quem nunca visitou as quintas e museus da Bacalhôa? Certamente. Porque, o vinho, a seu modo, também é obra de arte. E como já foi dito, grande arte é aquela que consegue ser tão pessoal que, por conta de seu exclusivismo, falar com o mundo inteiro…

Mais arte

Um ícone português

Quinta da Bacalhôa, de Portugal. Foto: Divulgação
Quinta da Bacalhôa. Foto: Divulgação

A história do vinho português é, também, a história de muitas tradições. E é difícil rivalizar com o Quinta da Bacalhôa neste ponto. A propriedade é do século XV. E o vinho saído daquelas terras demonstra a excelência da qualidade alcançada na condução da Cabernet Sauvignon em Portugal. Envelhece extremamente bem. Um tinto garboso, elegante. E delicioso.

França

Mouton Rothschild, de Bordeaux. Foto: Divulgação
Mouton Rothschild. Foto: Divulgação

Um dos mais admirados (e caros) vinhos de Bordeaux, o Mouton Rothschild traz a cada ano, desde 1945, rótulos produzidos por grandes artistas. Picasso, Dalí, Chagall, Kandinski já assinaram as garrafas. Ao lado, o rótulo do espanhol Joan Miró.

Brasil

Villa Francioni, em Santa Catarina Foto: Divulgação
Villa Francioni, em Santa Catarina Foto: Divulgação

Polo produtor de ótimos rótulos, Santa Catarina se destaca quando o assunto é arte ligada ao vinho. A Villa Francioni tem uma galeria com extensa e constante programação e já incluiu até uma exposição das obras de Camile Claudel.

Argentina

Rótulo da Catena Zapata Malbec. Foto: Divulgação
Rótulo da Catena Zapata Malbec. Foto: Divulgação

Há três anos, o grande Catena Zapata Malbec Argentino ganhou novo rótulo, de Rick Shaffer. A obra resume a trajetória da Malbec por meio de quatro figuras femininas, incluindo desde a nobreza até a Filoxera, praga dizimadora de uvas.

Há mais de 10 anos escrevo sobre vinhos. Não sou crítico. Sou um repórter. Além do conteúdo da garrafa, me interessa sua história e as histórias existentes em torno dela. Tento trazer para quem me dá o prazer da sua leitura o prazer encontrado nas taças de brancos, tintos e rosés. E acredite: esse prazer é tão inesgotável quanto o tema tratado neste espaço.

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