Professor é acusado de racismo ao se vestir de ‘nega maluca’ - ES360

Professor é acusado de racismo ao se vestir de ‘nega maluca’

Imagem viralizou nas redes sociais e internautas acusam o professor de ‘black face’. Docente garante que “Não sabia que isso era preconceito”

Professor UP acusado de racismo
Professor apareceu de rosto pintado de preto em festa junina de colégio. Reprodução

Um post com a imagem de um professor vestido de “nega maluca” vem causando polêmica nas redes sociais desde a última quarta-feira. Na imagem, postada inicialmente pelo colégio UP no Instagram, o professor de Química Jorge Henrique Botti aparece com o rosto pintado de preto, roupa de “nega maluca” e um vestido de festa junina. A foto foi parar no Twitter e virou alvo de críticas de internautas, que acusaram o professor de racismo ao praticar “black face”, ato que consiste em usar características negras como fantasia.

O professor justifica que não tinha a intenção de ofender e que tudo se tratou de “um momento de descontração”. Representantes do movimento negro, porém, explicam que o ato é desrespeitoso por fortalecer estereótipos e ridicularizar as pessoas negras.

“Assim como ninguém se fantasia de branco, ninguém se fantasia de negro. Essa atitude normalmente é feita de forma a menosprezar ou ridicularizar as pessoas negras, nunca para enaltecer. Isso fere a dignidade. Feito em um ambiente educacional, é ainda mais grave”, diz o coordenador do Círculo Palmarino no estado, Lula Rocha.

A prática de “black face” tem origem no teatro dos Estados Unidos e surgiu em uma época em que negros não podiam atuar, cabendo aos atores brancos se pintarem para encenar os negros. “Essa representação era sempre de forma pejorativa, caricata”, explica Lula.

Jorge Henrique se defende. “Não sabia que isso era preconceito. Jamais teria feito se soubesse que poderia ofender alguém. Se as pessoas estivessem lá, veriam que foi outra coisa. Foi um momento de alegria e de descontração. Também tenho origem negra e não fiz isso de forma pejorativa”, justificou.

A coordenadora do Neab (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros) da Ufes, Patrícia Rufino, defende que é preciso repensar os contextos das “brincadeiras”. “Uma brincadeira que ridiculariza ou fortalece o estereótipo racista precisa ser eliminada dos nossos processos. As pessoas precisam construir ações positivas, momentos que lembrem a população negra e sua contribuição histórica para o Brasil”, explica.

Nas redes sociais, algumas pessoas defenderam o professor. “Não acho que o Jorginho tenha feito por mal (…). Ele foi infeliz na tentativa de humor, mas não acho certo a galera condenando e chamando ele de racista por uma atitude que claramente foi para tentar fazer a galera rir”, disse um internauta. Outros questionaram: “Um professor dando um exemplo desses?”.

Outro caso

Em setembro do ano passado, uma foto do professor do Darwin Gabriel Tebaldi vestido de soldado nazista em sala de aula também viralizou nas redes sociais, causando polêmica. Na ocasião, Gabriel justificou ter havido más interpretações sobre o ato e disse que usou a fantasia para enriquecer o conteúdo durante uma aula sobre Segunda Guerra Mundial.

UP apoia a igualdade

Em nota, o UP Centro Educacional explicou que seus professores tiveram liberdade criativa para escolher as fantasias no evento “UP Day Junino”. “Tão logo tomou conhecimento do fato, o professor – que, com certeza, não estava mal-intencionado – foi orientado sobre a questão. O UP se orgulha em ser uma instituição comprometida com o ensino de qualidade, pautado nos mais rígidos controles éticos e na excelência dos seus profissionais e que respeita e apoia as lutas e movimentos pela igualdade de todos”, diz.


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