Plano de reajuste cria impasse entre o governo e as policias - ES360

Plano de reajuste cria impasse entre o governo e as policias

Proposta apresentada para a categoria, que chega a 35% de reajuste até 2022, está abaixo das perdas, dizem os servidores

Grupo faz manifestação contra proposta nas ruas de Vitória. Foto: Chico Guedes
Grupo faz manifestação contra proposta nas ruas de Vitória. Foto: Chico Guedes

Uma proposta de reajuste salarial apresentada pelo governo do estado a policiais Militares, Civis e Bombeiros Militares criou um impasse entre a categoria e o governo. Na noite da última sexta-feira, o secretário de Estado de Planejamento, Álvaro Duboc, anunciou um projeto de reajuste que chega a até 35%, a ser aplicado até 2022, sendo 13,8% de aumento real, segundo os cálculos do governo. A Frente Unificada de Valorização Salarial, representante de policiais e bombeiros, criticou o plano e disse que desde 2019 tenta negociar reposição de 45% até 2022, sendo 27% de ganho real no período.

No início da tarde de ontem, após uma reunião na Ales (Assembleia Legislativa), policiais e bombeiros saíram em protesto até a Secretaria de Estado da Fazenda, na Enseada do Suá. Uma nova manifestação deve ocorrer na próxima quinta-feira, a partir das 13h, no Centro de Vitória, pouco antes de uma reunião agendada pelo governo com a categoria, às 14h.

  • R$ 2,8 mil é o salário inicial de um soldado da Polícia Militar do estado do Espírito Santo

Segundo representantes de militares, o anúncio do governo na sexta-feira teria sido motivado por reações da categoria a um projeto de lei que prevê aumento para os defensores públicos, protocolado na Ales no início do mês e aprovado ontem, em regime de urgência (veja mais ao lado). O governo nega a relação.

Diálogo

O tenente Emerson Luiz Santana, presidente da Associação dos Bombeiros Militares e representante da Frente Unificada, diz que a proposta não atende à categoria. “Está bem aquém do que apresentamos no ano passado. De 2008 a 2019, as perdas chegam a cerca de 50%. Queremos chegar a um termo “razoável”. Nossos cabos e soldados têm o pior salário do país”, diz. Atualmente, a remuneração inicial do soldado no estado é de R$ 2.875,68.

O secretário de Governo, Tyago Hoffmann, explicou que as negociações têm ocorrido diretamente com as associações militares, garantiu que há diálogo, mas que o percentual proposto está no limite do governo. “É um aumento robusto, mais que o dobro da inflação do período. Os policiais merecem e têm todo o respeito do governo, mas a gestão tem que trabalhar com limitações orçamentárias”, afirmou.

Hoffmann também disse acreditar na responsabilidade do movimento. “Sempre que passamos por negociações desse tipo, há o trauma de 2017, mas o clima é de negociação e acreditamos no diálogo”, disse em referência ao período da greve da PM, ocorrida em fevereiro de 2017, quando mais de 200 homicídios foram registrados no estado.

Os dois lados

Proposta do governo

– Reajuste de 4% em 2020, 2021 e 2022;
– Recomposição da inflação anual (em 2019, foi de 3,5%);
– 5% a mais para cabos, soldados e sargentos por incorporação de escala de trabalho;
– No final de 2022, o aumento total chega a até 35%, com ganho real de 13,8%.

Proposta da categoria

– Recomposição salarial de 12% (4% a cada ano);
– Recomposição da inflação anual (em 2019, foi de 3,5%);
– Incorporação de escalas extras;
– Reposição de 15% correspondente a incorporação da função gratificada;
– No final de 2022,o aumento total chegaria a 45%, sendo 27% de ganho real.

Aumento para defensores é aprovado

A Assembleia Legislativa aprovou ontem o projeto que garante aumento salarial escalonado aos defensores públicos até 2022. A proposta foi protocolada pela própria Defensoria, que tem autonomia orçamentária e legislativa. A repercussão orçamentária do projeto é de 7,53% para 2020; 17,03% para 2021; e 6,25% para 2022. O projeto ainda depende de sanção do Executivo, que vai analisar o impacto financeiro.

Outras categorias pedem negociação

O Sindipúblicos (Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado) emitiu nota, ontem, em que repudia o reajuste proposto apenas às forças de segurança do estado e cobra uma negociação de recomposição salarial para todos os servidores.

“Repudiamos o tratamento diferenciado do governador Casagrande, que ignora as demais categorias que atuam diuturnamente para levar serviços públicos essenciais e de qualidade para a população. Todos os servidores possuem papel fundamental no desenvolvimento do estado e estão, igualmente aos militares, com salários defasados”, diz a nota.

O sindicato também reivindica que o governador cumpra um compromisso de campanha de recompor as perdas salariais que ultrapassam 28,73%.

“O Sindipúblicos encaminhará documento ao governo e tomará as medidas cabíveis para garantir que o estado cumpra seu dever legal de tratamento isonômico a todos os seus servidores, sem distinção”, conclui a nota.

Para o Sindiupes (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública), que representa os professores, todo reajuste salarial para os trabalhadores do serviço publico é benéfico.

O secretário de Governo, Tyago Hoffmann, disse que o governo está aberto ao diálogo com todas as categorias, que os casos serão analisados separadamente e que o aumento diferenciado para as forças de segurança se justifica porque a segurança pública é um dos pilares do governo e porque essa era uma promessa de campanha do governador Renato Casagrande (PSB) para valorização da categoria.


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