PIB cai 12% no segundo trimestre e ES entra em recessão técnica - ES360

PIB cai 12% no segundo trimestre e ES entra em recessão técnica

Apesar da queda, economia já apresenta recuperação e estado deve apresentar crescimento nos próximos meses

O PIB (Produto Interno Bruto) do Espírito Santo apresentou queda de 12,2% no segundo trimestre desde ano e o estado entrou em recessão técnica, por apresentar redução em dois trimestres seguidos. O resultado foi semelhante ao do Brasil, que teve queda de 9,7% na economia também nos meses de abril, maio e junho, período de maior restrição das atividades econômicas devido à pandemia da covid-19.

O índice foi apresentado no estudo Indicador de Atividade Econômica (IAE), realizado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), que antecipa o resultado do PIB, normalmente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo com a queda, o cenário é de tendência de crescimento para os próximos trimestres podendo até crescer mais em relação ao Brasil, principalmente com o aumento da demanda do setor de commodities, segundo Marcelo Saintive, diretor do Ideies.

“Foi a pior fase da pandemia, em que serviços e comércio foram muito atingidos, assim como a indústria. Mas a expectativa daqui por diante é de retomada do crescimento com perspectiva de melhora nas exportações. O próprio terceiro trimestre já começou mais aquecido, com crescimento de 28,3% em julho em relação a junho. O setor moveleiro também tem contribuído para essa melhora”, sinalizou a presidente da Findes, Cris Samorini.

Ela lembrou também dos investimentos que as indústrias estão fazendo, como os R$ 200 milhões para a modernização da fábrica da Garoto, investimentos na Biancogrês e também o retorno da Samarco no último trimestre de 2020, o que deve contribuir para o aumento das atividades econômicas.

Impacto maior na queda em serviços

O recuo de 12,2% da economia local na passagem do 1° para o 2° trimestre do ano, foi resultado, principalmente, da retração de 9,9% do setor de serviços, que contribuiu com maior impacto na queda da atividade econômica (-6,3 pontos percentuais), já que responde por 61,5% da economia do estado. O setor foi bastante atingido pelas medidas restritivas que vigoraram a partir de março de 2020 e levaram à paralisação de atividades do comércio e de alguns setores de serviços. A indústria recuou 20,4% e o setor de agropecuária teve queda de 3,2%.
Ao comparar com o segundo semestre do ano passado, a queda na economia capixaba foi de 12,3%, sendo a maior parte da indústria, que caiu 23,9%, influenciada pela queda no setor extrativo (-29,9%). Também teve redução significativa o setor de construção (-24,7%), transformação (-22,4%) e também energia e saneamento (-14,4%).

De acordo com o diretor do Ideies, a queda no setor extrativo ocorreu em razão da redução da demanda por commodities, como petróleo e gás (-63,8%) e minério de ferro (-36,2%). “O setor de petróleo e gás teve queda nas reservas e a pelotização teve redução devido à paralisação de minas em Minas Gerais pela covid-19, o que não permitiu produção maior no Espírito Santo”, explicou.

O setor de serviços teve queda de 10%, com recuo registrado para o comércio (-16,3%), transportes (-10,6%) e demais atividades de serviços (-8,2%). Apesar do setor de comércio apresentar o recuo mais intenso, as demais atividades de serviços, por representarem 70% das atividades do setor, responderam por -5,7 pontos percentuais da queda total, o equivalente a 57% da retração do setor de serviços.

Dentro das atividades de demais serviços, destaca-se o impacto negativo das atividades de alojamento e alimentação; educação e saúde privadas; outros serviços; atividades profissionais, científicas, técnicas, administrativas e serviços complementares; administração pública; e atividades de informação e comunicação.

Recuperação do comércio

Saintive lembrou também que os dados mais recentes do comércio  também mostram recuperação do setor, com nível de atividade pré-pandemia. “Foi o único setor que teve recuperação em V, com queda abrupta e rápida recuperação”, explica.


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