Personalidades capixabas manifestam-se sobre caso de menina estuprada - ES360

Personalidades capixabas manifestam-se sobre caso de menina estuprada

O caso repercutiu entre artistas, parlamentares e professores do Espírito Santo, que se manifestaram sobre a história em suas contas nas redes sociais

O caso da criança capixaba de 10 anos estuprada pelo próprio tio gerou uma onda de protestos e críticas no país desde a última sexta-feira (15). De lá pra cá, o ato também repercutiu entre artistas, parlamentares e professores do Espírito Santo, que se manifestaram sobre a história em suas contas nas redes sociais.

A principal crítica feita pelas personalidades é sobre se o Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), em Vitória, teria ou não se recusado a interromper a gestação da menina. Segundo a equipe médica responsável pelo procedimento, o aborto não foi realizado neste sábado (16) porque “a idade gestacional não estava amparada pela legislação vigente”. Ainda segundo a diretoria do hospital, um protocolo de segurança do Ministério da Saúde orienta a interrupção da gravidez em até 22 semanas, mas o desenvolvimento do feto já teria ultrapassado esse período.

A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel criticou a atitude do hospital e alegou haver “moralismos” em volta do caso. “Depois de toda movimentação da sociedade civil pela vida dessa criança de dez anos, depois da decisão da Justiça reconhecendo a ameaça à vida da criança, temos a negação no nosso estado, num espaço que deveria zelar acima de tudo pela saúde pública, longe de moralismos”, escreveu no Twitter.

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Ela ainda comparou a política de aborto do Recife, onde a menina fez o procedimento nesta segunda-feira (17), com as movimentações da sociedade no Espírito Santo. “Sabe onde tem protocolo para aborto legal e seguro? Recife. Sabe onde não tem gente protestando para uma investigação que apure com rigor o caso de um estuprador? No ES. Entende a diferença? Sinto vergonha de uma sociedade que protege o agressor e pune a vitima, em um contexto patriarcal e hipócrita.

Outro professor da Ufes que também se posicionou sobre o caso foi o comunicólogo Fábio Malini. Nas redes, ele apontou a existência de um “fanatismo religioso” que haveria dentro do hospital, cuja influência impediu o procedimento de ser feito no estado. “O hospital da universidade pública onde eu trabalho NEGOU acesso aos serviço de saúde da menina de 10 anos estuprada. Em parte, porque o fanatismo religioso Tb (sic) está dentro do Hucam. Uma vergonha pra nossa comunidade universitária esse episódio”, criticou.

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Candidata a deputada estadual nas eleições de 2018 pelo PSOL, a assistente social Camila Valadão chamou de “covarde” a equipe capixaba que não realizou o aborto na menina. Questionou publicamente, ainda, por qual motivo o procedimento não foi feito no Hucam. “Se for por falta de estrutura, qual a estrutura necessária para tal procedimento? Normas do hospital? Normas que não garantem direitos não nos servem”, disse.

Fabiano Duarte, conselheiro estudantil da Ufes,  retrucou dizendo, nas redes, que o “hospital universitário não tem protocolo para realizar o procedimento de maneira segura para a criança, em função do estágio de gravidez em que ela se encontrava”. A afirmação foi dada durante uma reunião nesta segunda com o reitor da instituição, Paulo Sergio Vargas, e o vice-reitor Roney Pignaton da Silva.

Os deputados estaduais Sérgio Majeski (PSB) e Iriny Lopes (PT), a atriz e escritora Elisa Lucinda e o deputado federal Helder Salomão (PT) também se solidarizaram criticaram a exposição dos dados pessoais da família da criança e exigiram a proteção dos envolvidos no caso.

“Difícil imaginar a dor e o sofrimento de uma menina de 10 anos que vinha sendo estuprada desde os 6 e agora está grávida. Essa criança e a família precisam ser protegidas de acordo com as leis. Além disso é uma questão de humanidade não colocá-los em exposição pública”, afirmou Majeski.


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