'Pedimos que o Holocausto fique à margem de ideologias', diz embaixada de Israel - ES360

‘Pedimos que o Holocausto fique à margem de ideologias’, diz embaixada de Israel

Ministro da Educação comparou operação da PF no inquérito das fake news com a Noite dos Cristais; cônsul e comitê judaico americano criticaram Weintraub

Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A embaixada de Israel no Brasil publicou uma nota em sua conta oficial no Twitter em que pede que não se use o holocausto como parte de discursos políticos e ideológicos. Mesmo que de forma não intencional, destaca a representação, o uso do holocausto no discurso público pode banalizar a memória e a tragédia do povo judeu.

A publicação acontece após o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comparar em mais de uma publicação a operação da Polícia Federal no inquérito das fake news ao nazismo. Na quarta-feira (27), disse que a operação seria como uma versão brasileira da ‘Noite dos Cristais’, como ficou conhecida a noite de 9 de novembro de 1938, quando sinagogas, lojas e residências judias foram atacadas por nazistas e cidadãos alemães. O episódio é considerado um marco no enrijecimento a perseguição do povo judeu pelo regime nazista.

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“Houve um aumento da frequência de uso do Holocausto no discurso público, que de forma não intencional banaliza sua memória e a tragédia do povo judeu. Pela amizade forte de 72 anos entre nossos países, pedimos que a questão do Holocausto fique à margem da política e ideologias”, informou a embaixada, sem citar Weintraub.

Mais cedo, o cônsul geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, repudiou as declarações de Weintraub. “O holocausto, a maior tragédia da história moderna, onde 6 milhões de judeus, homens, mulheres, idosos e crianças foram sistematicamente assassinados pela barbárie nazista, é sem precedentes. Esse episódio jamais poderá ser comparado com qualquer realidade politica no mundo”, escreveu Lavi.

Além da mensagem, o cônsul ainda compartilhou publicações do Museu do Holocausto de Curitiba. Em uma série de tuítes, a instituição compartilhou materiais sobre o fato histórico ao qual se referiu o ministro. As publicações foram acompanhadas por uma arte com os dizeres “Não é apenas uma nota de repúdio”.

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O Comitê Judaico Americano, uma das principais organizações da comunidade judaica nos Estados Unidos, pediu um basta no uso político do Holocausto por autoridades do governo Jair Bolsonaro. “Chega! O reiterado uso político de termos referentes ao Holocausto por oficiais do governo brasileiro é profundamente ofensivo para a comunidade judaica e insulta as vítimas e os sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente”, disse a associação pelo Twitter, em inglês.

Estadão Conteúdo


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