Os movimentos de renovação política que vão atuar nas eleições - ES360

Os movimentos de renovação política que vão atuar nas eleições

Já atuantes na última eleição, de 2018, grupos como Acredito, Agora, Livres, Ocupa Política, Raps, Muitas e RenovaBR devem revigorar a disputa de 2020

Eles não são partidos políticos, mas prometem mudar as eleições de 2020: movimentos de renovação política devem ajudar na ascensão de novos rostos ao poder, assim como ocorreu em 2018. Essas iniciativas atuaram na eleição de 54 políticos nas últimas eleições – 30 deles no Congresso Nacional. Para este ano, a expectativa é renovar os poderes Executivo e Legislativo municipais.

A maioria deles surgiu na esteira das manifestações de junho de 2013 e da turbulência política no Brasil nos anos seguintes. Alguns têm ideologias claras, outras preferem deixar as visões de mundo de lado. De qualquer forma, seus membros estão filiados a partidos dos mais variados espectros.

Existem ao menos 71 pré-candidatos ligados a grupos de renovação que trabalham para viabilizar suas candidaturas a vereador e prefeito. Saiba quem são e como atuam Acredito, Agora, Livres, Ocupa Política, Raps, RenovaBR e Muitas, algumas das iniciativas de renovação política que devem atuar nas eleições deste ano.

Acredito
O Acredito se intitula como um “movimento nacional e suprapartidário” que busca a renovação da política no Brasil. Fundado em 2017, funciona como uma rede de voluntários e núcleos regionais. A ideia é se aproximar de pessoas que desejam se candidatar e fornecer suporte, dando a oportunidade de que novos nomes consigam competir com candidaturas de políticos experientes. Hoje o movimento está presente em 19 Estados, com cerca de 7 mil voluntários. É financiado apenas por doações de pessoas físicas.

Em 2018, o Acredito promoveu formações locais para 28 pessoas em 13 Estados. Quatro se elegeram: Renan Ferreirinha (PSB-RJ), deputado estadual; Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), deputados federais; e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), senador. Para se manterem na rede, os membros precisam ter posicionamentos alinhados com o Acredito durante o mandato, sob pena de serem desvinculados.

É realizado um processo seletivo para definir quais candidaturas são apoiadas pelo movimento. Para 2020, os nomes ainda não foram divulgados. A seleção envolve uma avaliação de alinhamento aos valores do Acredito, prévias internas e filtro de diversidade – entre os apoiados, mulheres devem representar um terço e negros outro terço.

Agora
O Agora se classifica como um “movimento independente, plural e sem fins lucrativos” que aposta em oferecer alternativas de políticas públicas para enfrentar desafios do País. O grupo reúne estudos que ajudem no diagnóstico dos problemas nacionais e conta com um painel de especialistas para apurar a visão das questões e sugerir estratégias de enfrentamento.

O movimento é financiado por pessoas físicas e entidades sem fins lucrativos. Nasceu em 2016 e promove cursos, eventos, videoaulas e grupos de estudos. O Agora acredita em um Brasil “mais humano, simples e sustentável” e na construção de um Estado eficiente que reduza desigualdades e garanta o bem-estar de todos os cidadãos.

Conteúdos exclusivos como podcasts, acesso a artigos e convites para eventos presenciais são oferecidos aos membros. Qualquer pessoa maior de 18 anos e ficha-limpa pode se associar. O Agora também incentiva seus associados a realizarem encontros para dialogar sobre a agenda do grupo. Segundo o movimento, são 2 mil membros espalhados pelo País.

Livres
O Livres se considera um “movimento liberal suprapartidário”. Nasceu incubado no Partido Social Liberal (PSL) em 2016 para defender “a liberdade por inteiro, na economia e nos costumes”. Desvinculou-se do PSL em janeiro de 2018, quando o partido anunciou a candidatura de Jair Bolsonaro. “Recusamos a reciclagem do passado. Não vamos arrendar nosso projeto à velha política de aluguel”, anunciaram integrantes do Livres à época.

O moviminto promove eventos, webnários e fóruns de discussão online sobre variados temas. Lançou o projeto Nabuco, série de eventos pelo Brasil que promovem a formação de lideranças. Associados com experiência em campanhas eleitorais, ações de ativismo e engajamento de pessoas ajudam na consolidação de novas lideranças. As aulas são gravadas e disponibilizadas.

Assim como o projeto Nabuco, algumas atividades são exclusivas para associados – a associação tem o custo mensal de R$ 24,90. O Livres afirma que é financiado por pessoas físicas e jurídicas.

Ocupa Política
O Ocupa Política se define como uma “confluência de organizações, coletivos da sociedade civil” e 16 “mandatos-ativistas”. Foi criado em 2017 com o objetivo de promover a ocupação da política institucional por meio de uma renovação suprapartidária. Atua como uma rede de intercâmbio, fortalecimento e formação de novos protagonistas. O foco é específico em ativistas sociais e candidaturas progressistas.

Entre os princípios do movimento estão a redução das desigualdades, o fim da guerra às drogas e o compromisso contra toda forma de preconceito e violência.

O grupo promove eventualmente encontros de integração entre as iniciativas associadas e entre os mandatos-ativistas. Anualmente também realiza um encontro nacional com uma programação de debates, articulações e formações políticas. Para se manter, o Ocupa Política faz campanhas de financiamento coletivo e recebe recursos de fundações.

Raps
Mais antiga da lista, a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) se considera uma “organização suprapartidária”, fundada em 2012, que atua na “formação, conexão, apoio e desenvolvimento de lideranças políticas”. A rede afirma reunir mais de 600 membros ao redor do Brasil pertencentes a 29 partidos políticos.

Oferece o Programa Líderes Raps, formação gratuita de líderes políticos, “independentemente do estágio em que se encontram na vida pública e no processo eleitoral”. A capacitação envolve workshops, debates e troca de experiências. Um dos diferenciais, segundo o movimento, é a sustentabilidade como um dos eixos da formação. A seleção de participantes é realizada anualmente. Não há número fixo de vagas. Em 2019, foram selecionados 98 participantes.

O processo seletivo envolve cinco etapas como produção de um vídeo de apresentação pessoal, preenchimento de questionários e averiguação jurídica. As atividades da Raps são mantidas por doações de pessoas físicas e de pessoas jurídicas sem fins lucrativos.

RenovaBR
O RenovaBR se denomina a “a maior escola de democracia do Brasil”. Foi fundado em 2017 com a missão de “preparar gente comprometida e realizadora para entrar na política”. É uma organização sem fins lucrativos mantida por doações de pessoas físicas e entidades filantrópicas.

O curso oferecido pelo RenovaBR é gratuito e dividido em aulas a distância e encontros presenciais. Não há número fixo de vagas – em 2019 foram 1.400 participantes nas 18 semanas de curso. Entre os temas abordados estão ética, liderança, papel do Estado, dinâmica institucional e comunicação política. A seleção é dividida em seis etapas e envolve envio de vídeo, teste de conhecimentos gerais e checagem de histórico do candidato.

Em 2018, o RenovaBR contribuiu para eleger 17 parlamentares em todo o País, 10 deles no Congresso Nacional. Entre eles estão Tabata Amaral (PDT-SP), sexta mais votada do Estado; Joênia Wapichana (Rede-RR), primeira mulher indígena eleita para a Câmara dos Deputados; e Felipe Rigoni (PSB-ES), primeiro deputado federal cego do Brasil.

Muitas
O movimento Somos Muitas surgiu em Belo Horizonte (MG) em 2015 para ajudar candidaturas de mulheres nas eleições municipais de 2016. Naquele ano, o movimento conseguiu eleger Áurea Carolina e Cida Falabella como vereadoras. Em seguida, em 2018, foram mais duas eleições: Áurea se tornou a mulher eleita deputada federal com o maior número de votos do Estado. Andréia de Jesus, também do movimento, foi eleita deputada estadual.

Para 2020, o Muitas formou uma parceria com o PSOL para apresentar pelo menos 13 pré-candidaturas, sendo a de Áurea Carolina para a prefeitura de Belo Horizonte a mais relevante. Entre as pré-candidaturas deste ano não estão apenas mulheres, mas também homens representantes da comunidade LGBTQIA+, da população negra e das comunidades da periferia, além de defensores do uso recreativo de maconha.


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