Óbitos em cartórios apontam 2020 como o ano mais mortal da história do ES - ES360

Óbitos em cartórios apontam 2020 como o ano mais mortal da história do ES

Média anual de crescimento de registros de óbitos passou de 2,3% ao ano para 17,9% em 2020; mortes em domicílio dispararam e aumentaram 21% no estado

Estado pode registrar mais de 450 mortes por covid-19 em janeiro. Foto: Antonio Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
Mortes. Foto: Antonio Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

 

A pandemia causada pelo novo coronavírus, que atingiu em cheio o Brasil e já causou a morte de mais de 200 mil pessoas, transformou 2020 no ano mais mortal da história do Espírito Santo. Desde o início da série histórica das Estatísticas Vitais de óbitos do Registro Civil, em 1999, nunca morreram tantos capixabas em um só ano, e nunca houve uma variação anual de óbitos tão grande como a ocorrida na comparação entre 2019 e 2020.

Segundo os dados do Portal da Transparência, plataforma administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), os óbitos registrados pelos cartórios do Espírito Santo em 2020 totalizaram 29.181, 17,9% a mais que no ano anterior, superando a média histórica de variação anual de mortes no estado que era, até 2019, de 2,3% ao ano.

O número de óbitos registrados em 2020 pode aumentar ainda mais, assim como a variação da média anual, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência. Além disso, alguns estados brasileiros expandiram o prazo legal para registro de óbito em razão da situação de emergência causada pela covid-19.

A pandemia trouxe também reflexo em outras doenças que registraram aumento considerável na variação entre os anos de 2019 e 2020. Foi o caso das mortes causadas por doenças respiratórias, que cresceram 50,4% na comparação entre os anos, passando de 8.680 para 13.059. Entre as doenças deste tipo, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) explodiu, registrando crescimento de 917%, seguida pelas de Insuficiência Respiratória, que registraram aumento de 0,4%.

Já entre os óbitos causados por doenças cardíacas, muitas vezes relacionadas à covid-19, os anos de 2019 e 2020 apresentaram os mesmos 5.892 casos. Contudo, entre as doenças do coração, o registro de Causas Cardiovasculares Inespecíficas cresceu 34,3% entre os anos, sendo que o aumento dos óbitos em domicílio é uma das explicações para o diagnóstico inespecífico das mortes causadas por doenças do coração.

Mortes em casa disparam

O receio das pessoas frequentarem hospitais ou mesmo realizarem tratamentos de rotina durante a pandemia, assim como a falta de leitos em momentos críticos da covid-19
no Brasil, fez com que o número de mortes em domicílio disparasse no Espírito Santo quando se comparam os anos de 2019 e de 2020, registrando um aumento de 21%.

As mortes por SRAG fora de hospitais cresceram 180%. Também aumentaram os óbitos por Septicemia (20,9%) e Insuficiência Respiratória (26,1%). Os registros de óbitos, feitos com base nos atestados assinados pelos médicos, apontam que 154 capixabas morreram de covid-19 em suas casas.

Os óbitos por causas cardíacas fora de hospitais também dispararam em 2020, com registro de aumento de 26,2% na comparação com o ano anterior. Neste tipo de doença, o maior aumento se deu nas chamadas Causas Cardiovasculares Inespecíficas (96,2%), muito em razão de o falecimento ocorrer sem assistência médica, dificultando a qualificação da doença. Também cresceram os óbitos em casa por Acidente Vascular Cerebral (AVC), aumento de 29,2, e por Infarto, 6,2%.

“O Portal da Transparência, abastecido diariamente por informações de nascimentos, casamentos e óbitos de Cartórios de todo o país, tem sido um canal de muita importância para que governos, médicos, pesquisadores e a sociedade em geral possam acompanhar em tempo real as informações sobre os dados vitais da população, ainda mais em um momento de intensa crise de saúde pública como a que vivemos atualmente”, explica Luis Carlos Vendramin Júnior, vice-presidente da Arpen-Brasil.


Comentários:

  • Informação faz cair por terra as teorias de que a pandemia, e suas consequências, era puro alarde da imprensa esquerdista, unida pra derrubar um presidente.


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