"O trabalho no rio Doce vai continuar", diz coordenador de pesquisa da Ufes - ES360

“O trabalho no rio Doce vai continuar”, diz coordenador de pesquisa da Ufes

Depois de anúncio do rompimento de contrato pela Renova, grupo de pesquisadores diz que estudo dos impactos na costa, rio e qualidade do pescado vai continuar

Comunidade foi atingida por lama do rio Doce há quatro anos. Foto: Chico Guedes
Comunidade foi atingida por lama do rio Doce há quatro anos. Foto: Chico Guedes

Após terem sido comunicados pela Fundação Renova sobre o encerramento do contrato de pesquisa do impacto da passagem da lama do rompimento da barragem da Samarco na biodiversidade na região do rio Doce e mar no Espírito Santo, pesquisadores garantem que vão continuar o trabalho.

O rompimento do contrato, assinado em junho de 2018, foi informado no último dia 30 de setembro. Segundo a Rede Rio Doce Mar, ligada à Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest) e à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a Renova estipulou um prazo de 30 dias para desmobilização do programa, que é formado por uma rede colaborativa acadêmica de pesquisa, constituída por mais de 500 pesquisadores de 28 instituições de ensino. A Defensoria Pública chegou a dizer que estuda uma maneira de impedir o rompimento do contrato.

Parte do grupo de pesquisa tem atuado desde a chegada da lama no Espírito Santo, com o objetivo de avaliar a consequência da passagem da lama pelo ambiente estuarino e marinho e de forma a dar suporte aos órgão ambientais. De acordo com um dos coordenadores do projeto, Alex Bastos, por estar atuando desde o início, o grupo conseguiu caracterizar e indicar todo o processo de alteração no primeiro ano após a passagem da lama. Entre os resultados apresentados pelas análises no primeiro ano de estudo estava o aumento do teor de metais no mar, alteração da biodiversidade aquática e toxidade do pescado.

Sobre o rompimento unilateral anunciado pela Renova, ele disse que receberam com surpresa. “A rescisão interrompe uma forma de abordagem do problema. Tínhamos um acordo de cooperação, não era uma prestação de serviço. Como grupo de pesquisadores e instituições a gente prima pela qualidade dos resultados. E a gente tinha também uma abordagem de cooperação, com a preocupação de comunicar e abrir diálogo a respeito dos resultados”, explica.

Com o fim do contrato, o objetivo agora, segundo Bastos, é buscar parcerias para continuar os estudos, visando dar suporte aos órgãos ambientais e também às comunidades afetadas.”Conseguimos criar o histórico de conhecimento e de entendimento de como estão sendo as alterações do meio ambiente desde os momentos mais agudos da passagem da lama. Não podemos perder por um término de um acordo. Vamos tentar buscar como a gente começou, buscando alternativa e construir os resultados. Porque não existe um fechamento do impacto e da recuperação das áreas degradadas. Ainda não existe entendimento de ações para manejo de rejeitos. Tem muita coisa em aberto”, explica.

Próximos passos

Até o final do ano, a Rede Rio Doce Mar vai trabalhar para entregar o segundo relatório anual, que foi desfalcado pela pandemia da covid-19, já que as coletas em campo ocorreram até março. Os pesquisadores também querem levar os resultados dos estudos para revistas científicas e ainda apresentar os resultados para a população diretamente atingida pela passagem da lama, com leitura mais informal e narrativa mais fácil para a população.


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