O que esperar da volta da Samarco - ES360

O que esperar da volta da Samarco

Empresa anunciou que retoma suas atividades em Ubu, Anchieta até dezembro. Especialistas dizem que mineradora pode ajudar no crescimento no PIB do estado e na movimentação econômica da região Sul

Samarco aguarda licença para voltar a operar. Foto: Chico Guedes
Samarco deve voltar a operar em dezembro em Ubu, Anchieta. Foto: Chico Guedes

A Samarco deve retomar suas atividades industriais até dezembro, cinco anos depois do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), que deixou 19 mortos e levou 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração ao longo de toda a bacia do rio Doce.  Em 2015, ano em que paralisou duas atividades, a mineradora produziu R$ 24,9 milhões de toneladas, sendo 97% em pelotas e 3% em finos de minério de ferro. Para o Espírito Santo, a produção representava na época 5% do PIB (Produto Interno Bruto) do estado.

Após conseguir as licenças de operação na mina em Minas Gerais, a empresa vai retornar apenas com 26% da capacidade de produção. E o que vai representar esse retorno da Samarco para o Espírito Santo? Segundo Durval Vieira de Freitas, coordenador do Fórum Mais Negócios da Findes, só no quesito emprego, a empresa deve contratar 700 funcionários para a retomada. Além disso, o funcionamento da empresa também favorece a geração de 5 mil empregos na cadeia produtiva da região, pois além de Anchieta, a Samarco movimenta negócios em Guarapari, Alfredo Chaves, Piúma, Cachoeiro de Itapemirim e também na Grande Vitória. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 80 milhões para essa retomada.

“Acreditamos que a volta da Samarco pode fazer nosso PIB crescer de 1% a 2%. Isso é muito importante e será puxado pelo preço do minério e do aço que está em crescimento”, destacou Durval.

Já o coordenador de estudos econômicos do IJSN (Instituto Jones dos Santos Neves), Antonio Ricardo Freislebem da Rocha, destacou a importância da empresa para o município de Anchieta, porque a atuação da empresa movimenta toda uma cadeia de serviços no entorno. Antonio explicou que como a exportação de minério não incide imposto diretamente para o estado e município, é o impacto indireto dessa movimentação de fornecedores que têm impacto direto como ICMS e ISS.

“A volta da Samarco vai ter implicação a nível de município e estado. A nível de município, se olhar o PIB de Anchieta em 2015 era de 2,7 bilhões e após o acidente em 2016 o PIB caiu para R$ 713 milhões em 2016”, destacou.

A prefeitura de Anchieta avalia que só a partir de 2023 que vai aumentar a arrecadação do ICMS com o retorno da empresa. Segundo o secretário municipal da Fazenda, Dirceu Porto, o retorno das atividades da Samarco representa a geração de empregos diretos e indiretos, o aumento na receita de ISS para o município.

Movimentação e arrecadação

Para a Sedes (Secretaria de Desenvolvimento), a atividade econômica da empresa coopera para o crescimento das cadeias produtivas capixabas, além de melhorar o ambiente de negócios e fortalecer a competitividade no Espírito Santo.

“A retomada é vista com muito otimismo, gerando importantes oportunidades de negócios e empregos para os capixabas neste momento tão delicado que a economia global enfrenta. Ainda que de forma gradual, o retorno é importante para todo o Estado mas, em especial, para a região Sul, movimentando todos os setores econômicos, o que certamente contribuirá para a redução de desigualdades regionais”, afirmou a secretaria, por nota.

Questionada sobre o quanto representa para arrecadação para o estado, a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) informou que é preciso aguardar o retorno das atividades para avaliar o impacto que ocorrerá na arrecadação indireta decorrente das operações da empresa. A Sefaz ressaltou ainda que como a produção da Samarco é integralmente exportada, a operação não incide imposto para o estado.

Retomada em três momentos

Em evento organizado pela Findes, o gerente geral de Operações da Samarco, Sérgio Mileipe, disse que a retomada será em três momentos. Primeiro a retomada da Pelotização 4, que representa 26% da produção, agora em 2020. Em seguida vem a retomada da Pelotização 3 e, por fim, a produção plena deve ser retomada até 2030. Também estão sendo realizadas obras de dragagem do porto, com a implantação de um sistema de informatização.

A Samarco foi procurada para comentar o retorno e confirmou que está mantida para o final do ano, após a implantação do sistema de filtragem, em andamento, e conclusão das atividades de prontidão operacional. Sobre as vagas de empregos, informou que quando forem abertas serão divulgadas no site Vagas.com.


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