O fim da desigualdade não é possível - ES360

O fim da desigualdade não é possível

  • Por Yara Dadalto Garcia

Muito se fala sobre a desigualdade, sobre a redistribuição de renda, falam até que bilionários não deveriam existir. Quando, na verdade, a desigualdade não é um problema, mas sim uma condição intrínseca ao ser humano. O problema está na pobreza, em existir pessoas que não possuem o mínimo para sobreviver e se desenvolver, e não no fato de algumas pessoas terem muito a mais, até porque, a economia não é um jogo de soma zero, onde um ganha e o outro perde.

Observando as reações raivosas sobre a notícia de que Jeff Bezos é a primeira pessoa a acumular uma fortuna de 200 bilhões de dólares, me questiono por que temos que ser “iguais”, quando na verdade não somos. Resumidamente, Jeff Bezos criou a Amazon, maior livraria on-line do mundo, que se tornou “a loja de tudo”, e inventou o Kindle. A logística da empresa tornou-se referência mundial pelo tempo e pela qualidade na entrega, e houve expansão para a área de serviços, com a Amazon Web Services (serviços de armazenamento em nuvem), a Amazon Prime (streaming) e a Alexa (assistente virtual). É aí que eu pergunto: o que você e eu produzimos que impactou o mundo como Jeff Bezos?

Podem alegar que Bezos teve acesso a oportunidades que você e eu não tivemos, mas como Friedman fala, em Livre para Escolher, “a igualdade de oportunidade – no sentido de ‘identidade’ – é impossível.” Afinal, se uma criança nasce no Nordeste brasileiro com pais presentes, que se preocupam e se empenham na sua educação, ela não terá as mesmas oportunidades de uma criança que nasce na mesma região ou na Itália, porém com pais ausentes e despreocupados com a sua educação e seu desenvolvimento. Friedman conclui: “É obvio que elas não têm oportunidades idênticas abertas a elas em seu nascimento e não há meio de tornar suas oportunidades idênticas”.

Alguns já tiveram a brilhante ideia de redistribuir toda a renda no mundo ou criar uma renda universal para todos, e, mesmo assim, certamente a desigualdade já estaria perceptível aos olhos de novo em pouco mais de um ou dois anos. Se todas as pessoas do planeta não tivessem mais nenhuma fortuna acumulada e passassem a ganhar mil dólares por mês, cada um gastaria como quiser. Alguns poupariam o máximo possível e só gastariam o mínimo e essencial para sobreviver, outros gastariam absolutamente tudo com bebidas, roupas e outros itens “não essenciais”. Outros investiriam o máximo que conseguissem em novos produtos, serviços e arcariam com as consequências do sucesso ou do fracasso, e bingo, a desigualdade estaria de volta. A possibilidade de ter um governo “restringindo” os gastos do indivíduo para que a desigualdade não retorne é tão absurda e doentia que vamos ignorá-la completamente.

A verdade que está sendo jogada para debaixo do tapete há anos é que, a maioria das pessoas são medianas ou um pouco acima da média! Esse discurso que ouvimos desde criança deque “somos especiais” é mentira e está tudo bem! Existem pouquíssimas pessoas excepcionais ou extremamente excepcionais, algumas contam com a sorte, outras não. Algumas têm sorte, mas não estão preparadas quando ela bate à porta, e se dizem “azaradas”. Concluo com a seguinte indagação: Jeff Bezos, Steve Jobs, Bill Gates e Warren Buffett, são apenas sortudos ou também excepcionais no que fazem?

Sobre a autora

Yara Dadalto Garcia. Foto: Divulgação
Yara Dadalto Garcia. Foto: Divulgação

Yara Dadalto Garcia é membro do IBEF Academy. Graduada em Administração de Empresas, é Analista de Processos, área em que atua há mais de cinco anos.

Ibef Academy é o ciclo de formação do IBEF Jovem ES, focado em conteúdo das áreas de finanças e economia. Seu objetivo é melhorar o ambiente de negócios e financeiro do Espírito Santo, através da auto capacitação de seus membros nas referidas áreas. O IBEF Jovem ES, por sua vez, é o braço do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEFES) que reúne profissionais com até 35 anos.

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.


Comentários:

  • EXCELENTE!!!! Yara arrasou muito!!!!
    Ela é uma pessoa e profissional maravilhosa, focada, proativa e disponível a aprender o novo. Parabéns!!!

  • Acredito que o fim da desigualdade seja uma utopia; o que muitos desejam/buscam é uma sociedade menos desigual, com menos abismos sociais. A miséria é tão triste quanto o acúmulo exacerbado de dinheiro por uma única pessoa. Nenhuma das duas extremidades trazem benefício à Economia no mundo.

  • Maria Inês, queria muito entender como o acúmulo de dinheiro por uma pessoa não traz benefício à economia. Já parou para pensar se a fortuna de Jeff Bezos realmente impactou negativamente a sua vida? Ou refletiu se sua fala, aparentemente bem intencionada, está sendo uma mera reprodução do senso comum?
    Diferentemente de uma economia planificada ou com alto grau de intervencionismo, onde a riqueza muitas vezes é acumulada por quem nada produz, pelos amigos do rei ou por aqueles que se aproveitam da regulação estatal para restringir o mercado e prestar um serviço ruim, numa verdadeira economia de mercado, livre, uma pessoa só enriquece, através do próprio negócio, se pessoas gostarem do produto oferecido e voluntariamente o comprarem, porque consideram estar fazendo uma boa troca, que aumentará o grau de satisfação (trocando muito dinheiro por um iphone, por exemplo). Ou seja, no mundo do livre mercado, acumular riqueza é “sinal de virtude”. Quanto mais riqueza acumulada, possivelmente mais felicidade ele trouxe para um maior número de pessoas.


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