Nova comissão da Arquidiocese de Vitória vai atuar na garantia dos direitos humanos - ES360

Nova comissão da Arquidiocese de Vitória vai atuar na garantia dos direitos humanos

Comissão de Promoção da Dignidade da Pessoa Humana (CPDH) tomou posse neste domingo

A Comissão de Promoção da Dignidade da Pessoa Humana (CPDH) foi oficializada no último domingo (25) em missa realizada pelo arcebispo Dom Dario Campos na Arquidiocese de Vitória. Norteada pelo trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos pela antiga Comissão de Justiça e Paz, dissolvida em 2018, a nova formação traz um reforço necessário para o enfrentamento de violações dos direitos humanos no Espírito Santo.

O grupo atua vinculado ao Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, órgão do Vaticano que sofreu mudanças estruturais após a chegada do Papa Francisco, o qual reformulou indiretamente os grupos de atuação político-social das igrejas católicas. Em entrevista à BandNewsFM ES, o padre Kelder Brandão, coordenador e membro da nova comissão, conta que já havia um processo de reestruturação com a extinção da antiga comissão, mas foi com a chegada de Dom Dario que a nova formação se concretizou.

Com a onda crescente de polarização político-ideológica e a queda na confiança da sociedade em relação às instituições do país, padre Kelder acredita que o momento é oportuno para retomar os debates e ações contra as violações. “Hoje mais do que nunca precisamos retomar nosso trabalho. Num momento que vemos a democracia tão fragilizada, em um processo político de desconstrução da cidadania e participação política do país, é preciso que a Igreja tome essas pautas e reflita pra debater formas de construir a consciência na população”, afirma.

Formação

O grupo é formado por 14 membros vinculados à arquidiocese, dividido entre conselheiros e suplentes, e conta com profissionais de diferentes setores da sociedade e membros de congregações distintas. “É uma comissão bem plural, são pessoas que contribuíram para a história da arquidiocese e que trazem um acúmulo de conhecimento necessário”, afirma o padre.

Além de Kelder Brandão, coordenador do Vicariato Para Ação Social Política e Ecumênica da Arquidiocese, alguns nomes como o historiador João José Sena, a psicóloga Alana Pereira e a presbiteriana Anita Wright compõem o grupo. “Temos a Anita Wright, filha do pastor presbiteriano Jaime Wright, que foi parceiro de Dom Paulo na construção do livro-documentário ‘Brasil: Nunca Mais’, que trouxe informações importantes sobre a repressão política no período de ditadura. Ter um membro da outra congregação e com essa bagagem é de extrema importância para a pluralidade ecumênica que a gente busca”, ressalta.

A Comissão de Justiça e Paz, encerrada em 2018, foi importante no enfrentamento à ditadura militar e ajudou no debate e construção de pautas identitárias e de direitos humanos no estado. “Um dos aspectos da evangelização é a promoção integral do direito da pessoa humana. A nossa comissão levou o olhar pra questões que abrangem a sociedade na sintetização de reflexões, e a partir disso tomamos ações concretas”, relata o padre Kelder.

Afim de resguardar o direito à dignidade do cidadão, inclusive daqueles sujeitos à penalidade da lei, a comissão assume o papel de reforçar as vivências no processo civilizatório no cenário político atual.

Ação em presídios e operações da PM

O padre enfatiza que a comissão trabalha junto à Pastoral Carcerária para a extinção das condições insalubres encontradas nos cárceres do estado. “Confunde-se muito direitos humanos com defesa de bandidos e criminosos, isso nós já sabemos. Nós sabemos também que a lei determina a prisão, e a pena máxima no país é a privação da liberdade, mas as pessoas não se dão conta que até isso possui critérios.”

“Todo ser vivo tem direito à vida, e todo ser humano tem direito à dignidade, mesmo os infratores da lei. A sociedade precisa reconhecer que o que nos distingue dos demais seres é a humanização, o respeito ao direito do outro, e acho que isso que é preciso que se dê conta no país.”

O padre lembra também a necessidade do trabalho do grupo diante de operações da Polícia Militar em localidades mais carentes da Grande Vitória. “Em pouco mais de 1 ano foram cumpridos 38 mil mandatos de prisão em periferias e comunidades carentes. Essas incursões precisam ser acompanhadas de perto com a ajuda de atores importantes da sociedade, como a Ordem dos Advogados (OAB), o Ministério Público e a Defensoria Pública. É preciso olhar para as famílias que são vítimas de agressões cometidas pela militarização dessas operações.”

O coordenador acrescenta que a comissão tem ajudado ainda no ato de educar sobre as eleições municipais de 2020. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) organizou a produção de cartilhas informativas sobre o processo ético eleitoral. O grupo tem auxiliado através da publicação de vídeos e a distribuição do material.

Perguntado sobre a ideia da comissão receber outras denominações religiosas, o padre Kelder se mostrou otimista. “Essa comissão está está sempre aberta. Estamos construindo agora uma comissão ecumênica, que a gente pretende agregar outras denominações, inclusive a campanha da fraternidade do ano que vem será organizada pelo Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) em parceria com o vicariato. Será mais ampla tentando agregar irmãos e irmãs de outras denominações religiosas”, afirma.


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