Não é tendência, é a força feminina - ES360

Não é tendência, é a força feminina

A arquiteta e urbanista Natalia Scarpati, 28 anos, é uma das caras do universo de 24 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil. E na semana em que se comemora o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, celebrado oficialmente nesta terça-feira (19), ela é exemplo de que mais do que uma tendência, as mulheres empreendedoras têm mostrado por que estão indo tão longe. No dia 21 de novembro, a capixaba recebe o prêmio Brasil Design Award pela criação cadeira-balanço, da linha Arrebol. Resultado da força feminina no mercado de arquitetura.

Natalia Scarpati com cadeira-balanço vencedora do prêmio Design Award. Foto: Divulgação

Como você se vê nesse universo do empreendedorismo feminino?
Ainda sou uma sementinha “brotando” nesse universo. Busco aprender com pessoas que me inspiram e navego entre as diferentes formas de empreender no mundo criativo do design de móveis. Não é fácil, porque não existe um “manual do sucesso” para seguir, mas com sensibilidade, empatia, comprometimento e foco vou criando uma jornada para a minha satisfação pessoal, profissional e financeira.

Você diz no seu Linkedin que “o desenho, mesmo que ligado à indústria e ao comércio, tem que ser significativo e honesto”. Como você leva essas qualidades (significados) para o seu trabalho?

Procuro sempre estar em contato direto com quem está trabalhando na minha peça, seja ele o dono da fábrica ou o artesão. Para mim, é fundamental dominar os processos pelos quais passa o produto que idealizei. Acredito que toda a trajetória da peça, desde sua concepção até a utilização pelo consumidor, é resultado dos valores, carinho e cuidado que ela recebe. Essa atitude, partindo de mim, é absorvida pelas pessoas envolvidas que, na maioria das vezes, conseguem perceber a relação íntima que tenho com o produto e passam a respeitar e propagar sua história e conceito.

Existe alguma fórmula para enfrentar as barreiras no caminho profissional e vencê-las?
Não vou mentir, algumas fórmulas clichês do tipo “Trabalhe com o que você ama”, “Aprenda com seus erros” e “Sua hora vai chegar” funcionam muito bem para mim, mas não acredito nelas de forma isolada. Sempre tive muito apoio para persistir nessa área, aonde o retorno financeiro não é imediato. Soube com muita humildade reconhecer e evoluir junto aos meus parceiros e clientes, com quem sempre tive uma troca muito horizontal e não desanimei quando me faltaram projetos. Bati nas portas das empresas que acredito e ofereci meu trabalho mesmo sem ser solicitada.

Como foi o processo de criação da cadeira-balanço, da linha Arrebol, e o que mais te marcou nesse caminho?

Recebi da Lovato Móveis uma demanda de projeto para um balanço grande e que utilizasse o tricô. A partir daí, comecei a trabalhar com os problemas que eu tinha que resolver com essa peça e a primeira questão que me veio em mente foi: “Por que nenhum balanço tem o fundo transparente? Seria tão incrível se víssemos o que está em baixo dele em determinados momentos.” Foi aí então que eu pensei no céu e no mar, e fui embalada pela poesia de Carlos Rennó cantada por Gal Costa – que naquela hora parecia descrever o que eu estava desenhando. Me emocionei ouvindo a música “Mar e Sol” e tive certeza do que eu estava propondo. Em outro momento, quando a peça foi convidada para ser exposta em Milão, dei o play na música de novo e dancei sozinha pela sala.

O que esse prêmio representa para você como mulher, profissional e empreendedora?

Arrebol foi o meu primeiro projeto a sair do papel e ganhar o mercado. Profissionalmente, ela representa uma luta diária de trabalho que significa muito mais que uma linha de assentos, tem um papel importante em mostrar aos fabricantes e ao mercado a indispensabilidade do design no segmento de mobiliário industrial. Esse reconhecimento nacional legitima o meu trabalho criativo que era pouco valorizado e me encoraja a empreender mais na área, buscando maior domínio sobre os processos.

Quais são os seus planos para 2020?

Em 2020 quero continuar desenhando mobiliários significativos e com personalidade, para isso estou investindo em novas parcerias com indústrias brasileiras do ramo de móveis para área externa e iluminação. Além disso, vou me dedicar mais a marca que fundei em Barcelona, o Studio Veio, onde pretendo participar desde o projeto à execução e venda ao consumidor final.

Deixe uma mensagem para as pessoas que estão lendo a coluna ‘Vem com Elas’.
Torço para que cada vez mais mulheres sejam reconhecidas pelos seus trabalhos criativos e que consigam passar suas mensagens através de produtos ou serviços que contenham histórias honestas e sensíveis. E, principalmente: que sejam reconhecidas por isso, com sucesso e independência financeira e satisfação pessoal.

A coluna é assinada pelas jornalistas, feministas e workaholics Zainer Silva e Marcelle Secchin. Este espaço foi criado para tornar potente a discussão/troca sobre liderança e empreendedorismo feminino. É só vir!

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do ES360.

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