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Mudança através da acessibilidade

  • Por Murilo Nunes

De acordo com o dicionário, acessibilidade pode ser definida como qualidade ou caráter do que é acessível. Porém, o sentido de acessibilidade é algo que deve ir além. Afinal de contas, sentido e significado são coisas distintas. Para melhor entendimento, podemos citar Vigotski quando, em seu livro “A Construção do Pensamento e da Linguagem”, diz que “em contextos diferentes, a palavra muda facilmente de sentido. O significado, ao contrário, é um ponto imóvel e imutável que permanece estável em todas as mudanças de sentido da palavra em diferentes contextos. ”.

Por exemplo, se pensarmos em acessibilidade do ponto de vista da educação infantil, podemos falar sobre o fornecimento de oportunidade de acesso a educação de qualidade para crianças e adolescentes, independente do contexto socioeconômico onde estão inseridos. Ao mesmo tempo, quando falamos de acessibilidade, relacionando às pessoas com deficiência, a discussão passa a ser, em resumo, sobre a garantia de condições de utilização segura e autônoma de espaços e serviços públicos.

E no contexto corporativo não seria diferente, o termo acessibilidade também assume diversos sentidos, a partir de cada ponto de vista de onde ele é observado.

Se falarmos sobre acessibilidade em oportunidades, por exemplo, é muito mais do que dizer apenas que os processos seletivos terão candidaturas abertas para todos os tipos de pessoas existentes, é falar sobre toda a estrutura do processo, falar sobre a realização do máximo de etapas digitais, para evitar que o candidato assuma custos de transporte e alimentação e, sobre as etapas digitais, pensar nas ferramentas existentes que se adaptem à realidade do candidato, seja ligação ou internet e, em caso de internet, não se limitar às ferramentas padrões utilizadas pelo mercado, visto que elas podem ainda não atender a todos.

Quando passamos a observação para a rotina da organização, falar de acessibilidade é pensar em como tornar o espaço de trabalho dos colaboradores seguro e confortável, para que eles possam realizar suas tarefas com o máximo de autonomia possível e para que, dessa forma, possam desenvolver todo seu potencial.

De todo modo, reconhecemos que, apesar do termo acessibilidade sempre trazer consigo o mesmo significado, é necessário observarmos o contexto em que ele está sendo utilizado, para sermos capazes de identificar o real sentido de ser acessível, naquele cenário específico. Precisamos lembrar que, apesar de ser trabalhosa, a jornada de acessibilidade é extremamente importante, pois se algo precisa ser modificado para se tornar acessível a todos, significa que hoje, uma parcela de pessoas tem sido excluída daquilo.

Todos têm desafios durante a vida, todos precisam superar diversos obstáculos para atingir seus objetivos, porém, infelizmente, algumas pessoas possuem mais dificuldades que as outras e, o que podemos fazer, é reavaliar aquilo que está em nossas mãos e identificar o que podemos mudar para que, no mínimo, possamos garantir que não seremos um obstáculo desnecessário no caminho de alguém.

Podemos dizer que “ser acessível” é algo difícil, porque a pergunta que sempre existirá é “Acessível para quem? ”, portanto quem aceitar o complexo desafio que é se tornar acessível, precisa ter em mente que vai errar, assim como em tudo novo que tentamos. É normal errar enquanto percorremos um caminho de mudança, mas são estes erros que vão fazer com que os acertos sejam ainda mais gratificantes, impactantes e prazerosos. E é a partir destes acertos, que iremos conseguir transformar a realidade que nos propomos a mudar.

Sobre o autor

Murilo Nunes, Nossa Voz. Foto: Divulgação
Murilo Nunes, Nossa Voz. Foto: Divulgação

Murilo Nunes, graduado em Marketing e com especialização em Inteligência de Negócios, é membro do Comitê de Cultura & Diversidade do Grupo Sá Cavalcante e atua como responsável pela Comunicação Corporativa da organização.

O NOSSA VOZ é um espaço comandado pelo Comitê de Cultura & Diversidade do Grupo Sá Cavalcante. O principal objetivo do grupo é discutir causas e problemas sociais e identificar as formas como as empresas podem atuar, para transmitir conhecimento, gerar inclusão e impactar positivamente a sociedade. Além de reforçar o compromisso e respeito com a vida e a diversidade.

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