Mesmo com pandemia, brasileiro já planeja viajar de avião nos próximos meses - ES360

Mesmo com pandemia, brasileiro já planeja viajar de avião nos próximos meses

Levantamento do Ministério da Infraestrutura aponta que 53,6% de quem costuma viajar de avião pretende pegar um voo nos próximos meses

Passageiros e funcionários circulam vestindo máscaras contra o novo coronavírus (Covid-19) no Aeroporto Internacional Tom Jobim no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Aeroporto. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Pesquisa realizada pelo governo federal com passageiros aponta que mais da metade dos entrevistados (53,6%) tem planos de pegar um voo nos próximos meses, mesmo sem uma definição sobre quando a vacina contra a covid-19 vai estar disponível. Elaborado em agosto com 1.042 participantes, o levantamento inaugura uma série que será divulgada mensalmente, a princípio até o fim do ano, para indicar a temperatura do mercado de aviação, um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. As pessoas ouvidas estão entre passageiros que voaram entre janeiro de 2019 e março deste ano.

Para a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) do Ministério da Infraestrutura, responsável pela pesquisa, os números serão importantes para que o poder público e os setores possam entender as expectativas dos viajantes e a efetividade das medidas sanitárias adotadas até o momento. A avaliação é de que tais informações serão “vitais” para a tomada de decisão tanto de órgãos públicos como de empresas aéreas e concessionárias de aeroporto, além de outras entidades que atuam no mercado. No Brasil, a pandemia chegou a provocar a redução de aproximadamente 92% dos voos programados.

Entre os entrevistados que disseram ter planos de viajar nos próximos meses, um quarto disse que deve voltar a pegar um voo em menos de um mês. Em segundo lugar, vieram os passageiros que irão viajar em três a seis meses. Segundo a pesquisa, 28,5% dos viajantes com “planos” já compraram suas passagens. Outros 27,2% disseram que vão antecipar a compra caso o preço se mostre atrativo. Já 21,3% responderam estarem “receosos” e vão comprar mais próximo da data da viagem. O restante ainda não pensou a respeito ou prefere aguardar mais um pouco, mesmo com preço atrativo.

Embora 38,2% dos entrevistados terem afirmado não ter planos de voar, a pesquisa mostra que, entre eles, 19% podem viajar de avião em três a seis meses. Já a maior fatia (30,8%) só pretende pegar um voo daqui mais de seis meses, e 14% disseram que não voltariam a viajar de avião nos próximos doze meses.

O levantamento mostra que bilhetes mais baratos serão importantes para colocar esses consumidores novamente no mercado. Entre aqueles que não têm pretensões de voar, 46,5% disseram que a redução no valor das passagens aéreas os faria “antecipar” os planos.

O restante dos entrevistados (8,3%) afirmou não ter pensando a respeito ainda se tem planos ou não de viagem aérea para os próximos meses. A pesquisa também mostra que 53,6% dos participantes precisaram adiar ou cancelar alguma viagem aérea por conta da covid-19.

Perfil

Os participantes da pesquisa são parte do universo de passageiros que usou o sistema aéreo entre o início de 2019 e março deste ano. Entre eles, 34,4% tem ensino superior completo, e 33% ganha de quatro a dez salários mínimos. A realidade é bastante diferente da população em geral. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019 apontam que metade dos brasileiros sobrevive com apenas R$ 438 mensais.

Entre os entrevistados, 60,8% responderam que estão trabalhando, e em tempo integral. Já 15% está em período reduzido. O governo permitiu que as empresas cortem salário e jornada de funcionários em razão da crise por um período de até seis meses.

Segurança

Apesar de uma fatia relevante (47,5%) dos participantes ainda está insegura para voar em razão da covid-19, 53,1% dos entrevistados entendem que estão sendo adotadas medidas eficientes para evitar a contaminação no transporte aéreo brasileiro. O dado sobre a confiança nas medidas sanitárias adotadas foi bem recebido no governo. Além dos 53,1% que avaliaram positivamente, 27,1% marcaram a opção “não sei dizer”, contra 19,9% que responderam de forma negativa.

Durante a pandemia, protocolos de segurança sanitária para aeronaves e aeroportos foram elaborados em conjunto pelas agências nacionais de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Aviação Civil (Anac) e a SAC. Em março, o governo também decidiu restringir a entrada de estrangeiros no Brasil por voos internacionais. Hoje, a proibição se aplica somente a alguns aeroportos.

“Os dados da pesquisa indicam que é necessário ao setor aéreo investir cada vez mais em tecnologia, estabelecer novos procedimentos e dar visibilidade às medidas de segurança sanitária para que os passageiros se sintam seguros em voltar a voar”, disse o secretário nacional de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann.

A higienização frequente das áreas de espera e circulação, a disponibilização de álcool em geral nos aeroportos, e o uso obrigatório de máscaras estão entres as principais medidas consideradas “totalmente eficazes” ou “eficazes” por 88,7%, 88,2% e 87,7% dos entrevistados, respectivamente. O controle de temperatura nos viajantes aparece em último nesse ranking, com 70,7%.

A pesquisa também aponta que, em relação a uma viagem mais curta, 62,5% dos entrevistados se sentiriam mais seguros em um avião do que em um ônibus. Apenas 4% optaram pelo modal terrestre e 23,6% responderam “nenhum”.

Em quanto tempo as pessoas que possuem planos de viagem voltarão a voar:

24,6% – Em menos de um mês
22,4% – entre 3 e 6 meses
19% – entre 1 e 2 meses
14,7% – entre 2 e 3 meses
11,5% – daqui mais de 6 meses
5,4% – não pensei ainda a respeito
2,5% – não voltaria a viajar de avião nos próximos 12 meses

Em quanto tempo as pessoas que não possuem planos de viagem voltariam a voar:

30,8% – daqui mais de 6 meses
20,5% – não pensei ainda a respeito
19% – entre 3 e 6 meses
14% – não voltaria a viajar de avião nos próximos 12 meses
7% – em menos de 1 mês
5% – entre 2 e 3 meses
3,7% – entre 1 e 2 meses

Estadão Conteúdo


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