Lava Jato e Moro reagem à afirmação de Bolsonaro - ES360

Lava Jato e Moro reagem à afirmação de Bolsonaro

Procuradores apontaram que o discurso do chefe do Executivo indica "desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade"

Os integrantes da força-tarefa da Lava Jato do Paraná divulgaram nota nesta quinta, 8, após a afirmação do presidente Jair Bolsonaro de que ele acabou com a operação pois “não há mais corrupção no governo”. Em nota, os procuradores apontaram que o discurso do chefe do Executivo indica “desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade”, mas mais que isso “reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção”.

“A Lava Jato é uma ação conjunta de várias instituições de Estado no combate a uma corrupção endêmica e, conforme demonstram as últimas fases dos trabalhos, ainda se faz essencialmente necessária”, afirmou a força-tarefa, lembrando que horas antes da declaração do presidente, a 76ª fase da operação apreendeu quase R$ 4 milhões na casa de um ex-funcionário da Petrobras sob suspeita de receber propinas.

A força-tarefa disse que o apoio da sociedade e a “adesão efetiva e coerente de todos os Poderes da República” é fundamental para que os esforços das investigações tenham êxito. “Os procuradores da República designados para atuar no caso reforçam o seu compromisso na busca da promoção de justiça e defesa da coisa pública, papel constitucional do Ministério Público, apesar de forças poderosas em sentido contrário”, registrou a nota divulgada pelo Ministério Público Federal do Paraná.

A declaração de Bolsonaro ocorreu na tarde de quarta, dia 7, em resposta às críticas de lavajatistas por ter se aproximado de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que se posicionam contrários à operação tocada pelo ex-juiz Sérgio Moro. O presidente tem sido criticado pela indicação do desembargador Kassio Nunes para a vaga do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal. O nome do magistrado foi chancelado por Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que mantêm posicionamentos críticos à Lava Jato, e tem o apoio de parlamentares do chamado Centrão, atingido pela força-tarefa nos últimos cinco anos.

“É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo Eu sei que isso não é virtude, é obrigação”, disse o presidente no Palácio do Planalto nesta tarde, quando discursava no lançamento do Programa Voo Simples, do Ministério da Infraestrutura, que promete modernizar as regras de aviação no País.

A afirmação se deu momentos depois de os ministros do STF decidirem alterar o regime interno para que ações penais e inquéritos voltem a serem analisados pelo plenário e não mais pelas duas turmas de julgamento. A mudança foi proposta pelo presidente do STF, ministro Luiz Fux, e é visto como uma reação para blindar a Lava Jato.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro também reagiu a fala de Bolsonaro indicando que tentativas de “acabar com a Lava Jato” representam “a volta da corrupção”. “As tentativas de acabar com a Lava Jato representam a volta da corrupção. É o triunfo da velha política e dos esquemas que destroem o Brasil e fragilizam a economia e a democracia. Esse filme é conhecido. Valerá a pena se transformar em uma criatura do pântano pelo poder?”, afirmou Moro em seu perfil no Twitter.


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