Greve continua, mas número de ônibus nas ruas cresce

Após audiência de conciliação no TRT-ES, a categoria se reúne nesta terça, às 16h, para avaliar as propostas e decidir sobre a paralisação

Publicado em · Atualizado há 1 semana

Garagem de ônibus
Motoristas e cobradores rejeitam proposta do governo e decidem manter a greve. A categoria ai realizar uma nova assembleia nesta terça-feira. Foto: Getúlio Costa

Os rodoviários decidiram em assembleia realizada na tarde desta segunda-feira manter a greve de ônibus que deixou a população da Grande Vitória praticamente sem coletivos durante todo dia. Mas, segundo o Sindirodoviários (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Espírito Santo), nesta terça será respeitado a decisão da Justiça de manter 75% da frota do Transcol nas ruas.

Na última noite, a categoria participou de uma audiência de conciliação no TRT-ES (Tribunal Regional do Trabalho), onde foi apresentado um conjunto de cinco propostas que contemplam tanto os rodoviários quanto o governo.

Uma nova assembleia será realizada hoje, na Praça Oito, no centro de Vitória, às 16h, para decidir se acatam as sugestões ou se mantêm a paralisação. Às 17h, o sindicato participa de nova audiência de conciliação no TRT-ES.

Entre as propostas está a garantia provisória no emprego por quatro anos

– Os cobradores atuarão durante 90 dias como orientadores, para auxiliar o cidadão que tenha dúvidas, bem como assistir deficientes físicos, idosos, gestantes e crianças;

– Serão oportunizados, no mínimo, três cursos de qualificação para o aproveitamento dos cobradores, a fim de que possam ser efetivamente requalificados dentro das atividades do próprio sistema;

– O sistema de bilhetagem eletrônica terá acompanhamento de uma comissão tripartite, formada por representantes do Governo do Estado, dos rodoviários e dos empregadores, que deverão se reunir mensalmente para a necessária avaliação e aperfeiçoamento do próprio sistema;

– Reconhecimento do direito à garantia provisória no emprego de quatro anos;

– As partes analisarão a conveniência de adoção de programa de dispensa voluntária para os cobradores interessados em não aderir à nova realidade.

Justiça fixa multa em R$ 200 mil

O percentual de ônibus que deve rodar nesta terça-feira foi arbitrado pela Justiça comum e pela do Trabalho, sob pena de multa de R$ 200 mil por dia em caso de descumprimento.

Para cumprir a decisão, 1.260 veículos devem circular, aponta o levantamento da Ceturb (Companhia dos Transportes Metropolitanos da Grande Vitória). No primeiro dia de greve, houve relatos de ônibus impedidos de saírem das garagens e de veículos com pneus furados.

A paralisação foi anunciada pelos rodoviários na última sexta-feira, após o governo do estado divulgar o início da circulação de 26 ônibus com ar-condicionado para esta segunda-feira. Os novos coletivos não contam com a função do cobrador, aceitando pagamento apenas no Cartão GV (do Bilhete Único).

De acordo com o sindicato, o governo não consultou a categoria sobre os novos ônibus e que a decisão deve retirar cerca de 300 cobradores da função com a chegada dos 100 coletivos até o final deste ano, como informou o presidente do Sindirodoviários, José Carlos Sales, em entrevista à BandNews FM ES. Até o final do mandato do atual governo, serão 600 veículos com ar-condicionado.

A Semobi (Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura) diz que durante o anúncio dos novos ônibus foi apresentado o programa de qualificação para cobradores, com cursos de requalificação para os profissionais, e que não serão realizadas demissões.

Categoria reprova a retirada dos cobradores do Transcol

ASSEMBLEIA DOS MOTORISTAS NA PRAÇA OITO
Em assembleia, motoristas e cobradores decidem manter a greve. Foto: Chico Guedes

Durante assembleia realizada na tarde desta segunda-feira, o Sindirodoviários decidiu também que o movimento só deve parar quando retirarem o projeto dos ônibus com ar-condicionado. Os profissionais rejeitaram as propostas apresentadas pelo governo do estado na manhã de ontem. “Não aceitamos a retirada de um cobrador do sistema. A greve continua”, diz Sales.

Sobre o número de carros nas ruas determinado pela Justiça, o advogado do Sindirodoviários Rafael Burini diz que no entendimento do setor jurídico não há descumprimento por parte dos profissionais, pois não foi informado número de ônibus que deveria circular.

O GVBus, sindicato patronal, repudiou o descumprimento da ordem judicial. Rebateu ainda as afirmações do movimento grevista, que, para o sindicato patronal, transferiu para os trabalhadores a responsabilidade pela greve.