Gás de cozinha será vendido por R$ 40 em São Mateus - ES360

Gás de cozinha será vendido por R$ 40 em São Mateus

Em protesto, os botijões serão vendidos para as 100 primeiras pessoas que comparecerem

Gás de cozinha. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Divulgação
Gás de cozinha. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília/Divulgação

 

O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES) fará uma manifestação na próxima quarta-feira (4) em frente ao prédio administrativo da Petrobras, em São Mateus, Norte do estado. A partir das 8 horas serão vendidos botijões de gás a R$ 40,00, subsidiados pelo sindicato, para as 100 primeiras pessoas que comparecerem. Quem estiver com o botijão cheio, pode pegar um cupom para troca em até 60 dias.

Após as vendas, o Sindipetro- ES vai realizar uma carreata, que seguirá rumo ao Centro de São Mateus. As ações fazem parte da campanha “Petrobrás Fica no Espírito Santo”, que busca sensibilizar a sociedade em relação aos impactos sociais, econômicos e ambientais previstos com a venda dos campos terrestres do norte capixaba.

“Esses descontos serão bancados pelos petroleiros para mostrar qual seria o preço justo do gás de cozinha se não fosse a atual política de preços imposta pelo governo federal, que privatizou a Liquigás prometendo a redução do valor, mas isso não aconteceu”, ressalta o presidente do Sindipetro-ES, Valnísio Hoffmann.

Segundo o presidente do Sindipetro-ES, o local onde será o protesto foi escolhido em virtude do seu simbolismo, uma vez que se trata da primeira sede administrativa da Petrobras no Norte do Espírito Santo.

O Sindipetro-ES já fez outras ações semelhantes em defesa do preço justo do gás e contra as privatizações, incluindo a sede da estatal em Vitória em 2019. A mais recente foi em setembro, no bairro Santo Antônio, em Cariacica, onde foram sorteados 100 cupons de vale-troca por um botijão de gás de 13 quilos. O mesmo foi feito na atividade cultural do Dia Internacional da Mulher, em março, no Parque Moscoso, Centro de Vitória. O Sindipetro também já subsidiou combustível, possibilitando sua venda a R$ 2,00.

Os campos terrestres a serem vendidos no norte do estado incluem unidades administrativas, operacionais e o Terminal Norte Capixaba, nos municípios de Jaguaré, Linhares e São Mateus. O processo de venda do Polo Norte Capixaba, que contempla os campos terrestres de Cancã (CNC), Cancã Leste (CNCL), Fazenda Alegre (FAL), Fazenda São Rafael (FSRL), e Fazenda Santa Luzia (FSL), começou no último dia 21 de agosto.

Além do Terminal, o Polo abrange 269 poços, três estações de tratamento de óleo, quatro estações satélite, gasodutos e oleodutos. A venda, segundo o Sindipetro-ES, fará com que o Espírito Santo perca de imediato 43% de receita, atingindo investimentos em políticas públicas como saúde e educação. Apesar de os impactos serem maiores onde a empresa atua, eles atingem todos os municípios, como afirma o sindicato.

O presidente do sindicato aponta que a Petrobras se dedica a uma gama de atividades, como exploração, produção, distribuição e refino, conseguindo, portanto, suportar crises, o que não acontece com empresas de pequeno e médio porte, que são as que devem comprar as unidades e o Terminal. “Se vem uma crise e a empresa quebra, ela sai do norte do Estado, deixando desemprego e desastres ambientais”, alerta.

O sindicalista explica ainda que o lençol freático em São Mateus é próximo ao reservatório de petróleo, portanto, operações sem segurança podem contaminar a água. “Um vazamento ali seria um desastre ambiental imenso”, destaca, afirmando ainda que não houve audiência pública para discutir a venda com a comunidade.

Outro problema, aponta, é o fato de que a Petrobras, ao perder espaço no Espírito Santo, acarreta a perda de royalties para o Estado e de projetos ambientais, culturais e sociais aos quais a estatal costuma apoiar. “Foi aprovada uma lei que estabelece que empresas de pequeno e médio porte podem reduzir os royalties de 10% para 5%, enquanto que a Petrobras, por ser de grande porte, não pode”, informa.

Destacam-se, ainda, as perdas de postos de trabalho e a precarização dos trabalhadores. “As empresas que comprarem vão querer reduzir postos de trabalho para ter mais lucro, bem como benefícios”, alerta Valnísio.


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