Exposição resgata trajetória de imigrantes sírios no Brasil - ES360

Exposição resgata trajetória de imigrantes sírios no Brasil

Mostra reúne quatro instalações e um vídeo no galeria Homero Massena, no Centro de Vitória

Exposição Distância do Sentir do artista Khalil Rodor. Foto: Tati Hauer
Exposição Distância do Sentir do artista Khalil Rodor. Foto: Tati Hauer

Antes mesmo de a Síria ser o território que é hoje, a história do país já era marcada por conflitos e guerras. E no período em que a família do artista Khalil Rodor viveu por lá, a situação não foi diferente: escondidos em um navio cargueiro, emigrou para o Brasil na década de 1910, sob ameaças do Império Turco-Otomano – região que hoje compreende a Turquia e a Armênia.

O desafio de resgatar essas memórias da própria família foi enfrentado por Khalil em seu primeiro trabalho individual, “Distâncias do Sentir”, que fica em exposição até o dia 9 de novembro, na galeria Homero Massena, no Centro. A entrada é gratuita.

Em quatro instalações e um vídeo, Rodor documenta sua própria linhagem familiar. E como ele mesmo afirma, foi uma forma de entender questões que não se relacionavam com sua ascendência.

Em um dos trabalhos, o artista utiliza areia, simbolizando as fronteiras que são facilmente desfeitas. Num outro, ele lança mão de uma camada de tecidos que vêm da tradição síria.

O pontapé do projeto foi dado no ano passado, quando sua avó ficou doente e, mesmo de cama, pôs-se a contar histórias. “Certo dia, ela começou a falar sobre alguém que pesquisava a árvore genealógica da nossa família. Depois descobri que quem investigava era uma prima, lá no Chile. Entrei em contato e decidi amadurecer o percurso dela”, conta o artista.

Assim, com os resultados, ele desdobrou a pesquisa em ideias para uma exposição. “Quero provocar um debate a respeito das memórias, pois foi tudo o que minha família pôde trazer para cá. É sobre querer pertencer a um lugar desconhecido. Querendo ou não, eles deixaram um lugar para trás, separaram-se de onde nasceram, tiveram que ressignificar e recriar outras experiências… Construíram, inclusive, outras identidades”, frisa Khalil.

Seu bisavô, por exemplo, precisou trocar de nome no momento em que chegou ao Brasil, para resguardar-se do preconceito. “Hoje, há uma onda conservadora que vê os refugiados como um risco. Só que, ao mesmo tempo, temos mais acesso a informação, então podemos mudar esse cenário”, defende.

VITÓRIA

Exposição “Distâncias do Sentir”, de Khalil Rodor

Quando: até o dia 9 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábado, das 13h às 17h
Onde: na Galeria Homero Massena
Endereço: rua Pedro Palácios, nº 99 – Centro, Vitória.
Entrada: gratuita
Informações: (27) 3132-8395.

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